Caderno de quotes de livros: The Graveyard Book

Acho que o Neil Gaiman estava empatado com o George R. R. Martin na minha lista de autores cujos livros eu mais li; mas com as leituras que tenho feito pro curso dele no MasterClass, o Neil está agora isolado no topo. Só de títulos listados aqui no caderno de quotes de livros, são cinco, contando com este, e ainda tem os que eu li antes de começar o blog.

Gostei muitão de “The Graveyard Book”. Ele me deixou com uma vibe de “poxa, eu queria ter escrito esse livro”. Talvez seja o meu preferido do Neil Gaiman. Fiquei apegada ao Silas, e confesso que dei uma choradinha quando a história estava chegando ao fim. Algumas aspas para ficar registrado:

“’You are ignorant, boy,’ said Miss Lupescu. ‘This is bad. And you are content to be ignorant, which is worse.’” (p. 71)

“’You’re alive, Bod. That means you have infinite potential. You can do anything, make anything, dream anything. If you change the world, the world will change. Potential. Once you’re dead, it’s gone. Over. You’ve made what you’ve made, dreamed your dream, written your name. You may be buried here, you may even walk. But that potential is finished.’”. (p. 179)

“Fear is contagious. You can catch it. Sometimes all it takes is for someone to say they’re scared for the fear to become real.” (p. 188)

“People want to forget the impossible. It makes their world safer.” (p. 289)

Problema do gato

Outro dia, o Alex e eu estávamos comentando sobre uma grande diferença entre os meus amigos do Brasil e os amigos dele em Israel: a estrutura familiar. Eu tenho poucos amigos próximos que são casados oficialmente, enquanto que, entre os amigos do Alex, são poucos os que não são. Entre os meus amigos, são poucos os que têm filhos; e quando têm, têm um só. Entre os amigos do Alex, quase todos têm filhos, e muitos já estão no terceiro!

Corta para uma outra conversa, com um casal de amigos daqui. Eu, na minha realidade “não tenho filhos e tenho poucos amigos que têm”, e esse casal, que tem três crianças. Eu disse que não conseguia imaginar como eles davam conta de tudo, porque ouvindo as histórias de amigos que têm um filho só, me parecia ser impossível cuidar de mais que um. Eles deram risada e explicaram que, na verdade, o primeiro é o que dá mais trabalho mesmo, mas que muito disso é a falta de experiência dos pais. A partir do segundo, você já sabe o que está fazendo, e as coisas correm com mais facilidade. No terceiro, então, você já é profissional. Então é claro que, com três filhos, você tem mais questões para resolver do que com um, mas cada questão do terceiro te estressa muito menos do que as questões do primeiro. Com o primeiro, cada negocinho que acontece você fica “MEU DEUS, O BEBÊ SOLUÇOU, O QUE VAMOS FAZER?”. No terceiro, você já está num grau de leveza que é tipo: “O quê? O bebê está comendo a comida do gato? Problema do gato!”.

Caderno de quotes de livros: Coraline

Eu comprei o curso de storytelling do Neil Gaiman no MasterClass, e logo na primeira aula ele fala sobre “Coraline”, que eu ainda não tinha lido. Assim que o vídeo terminou, eu comprei no Kindle e li tudo em dois dias. A tecnologia é um negócio muito mágico, né?

Gostei bastante da história, como gosto de tudo que o Neil Gaiman faz. Achei o livro muito melhor do que o filme, que assisti logo depois da leitura. Fiquei pensando depois sobre livros X filmes (ou séries), e fiquei na dúvida se realmente o livro é sempre melhor, ou se o melhor é o que você consome primeiro. Enfim. Aspas para o caderno de quotes de livros:

“The cat yawned slowly, carefully, releaving a mouth and tongue of astounding pinkness. ‘Cats don’t have names,’ it said.
‘No?’ said Coraline.
‘No,’ said the cat. ‘Now, you people have names. That’s because you don’t know who you are. We know who we are, so we don’t need names.’” (p. 43)

“It is astonishing just how much of what we are can be tied to the beds we wake up in in the morning, and it is astonishing how fragile that can be.” (p. 81)

“Coraline shivered. She preferred the other mother to have a location: if she were nowhere, then she could be anywhere. And, after all, it is always easier to be afraid of something you cannot see.” (p. 113)

“The sky had never seemed so sky, the world had never seemed so world.” (p. 166)

Pequena Lista de Palavras Engraçadas em Hebraico – parte 2

Hoje faz exatamente um ano que eu publiquei a Pequena Lista de Palavras Engraçadas em Hebraico; está na hora de uma parte 2!

“Aba”: pai
“Agalgál”: redondo
“Bôi”: vem! (dito para meninas; para meninos, é “bo”)
“Kalei-kalút”: fácil; “piece of cake”
“Nafnáf”: ele abanou (do verbo “lenafnéf”, abanar)
“Notnót”: elas dão
“Shiviôn”: igualdade (acho engraçado porque tem uma sonoridade meio francesa)
“Sus”: cavalo (e a grafia em hebraico parece que está escrito “oio”: סוס)
“Tut sadé”: morango (precisa de duas palavras só pra falar “morango”?)
“Zimzúm”: zumbido

Mas “melafifón” (pepino) continua sendo a melhor palavra.

“- Melafifón” 😂. Foto: reprodução

Uma saudade: museus brasileiros

(Este post faz parte de uma série de coisas que eu queria ter escrito no ano passado, mas querer não é poder, e muito menos fazer, não é mesmo?)

No fim de 2018, o Alex estava de viagem marcada para o Brasil para participar de um congresso de oftalmologia, e eu fui junto de feliz. A gente ficou menos de duas semanas, mas, vou te contar: durante esse tempinho, eu visitei mais museus e centros culturais do que durante todo o um ano e meio que eu moro em Israel.

Olha a avenida Paulista, por exemplo. Que saudade de ter tanta opção de cultura em um só lugar! Tire um dia livre para caminhar em uma única linha reta e você tem acesso à Japan House, Casa das Rosas, Itaú Cultural, Sesc, Centro Cultural Fiesp, MASP, IMS – e quase tudo de graça!

Os dois melhores programas culturais que eu fiz em 2017-2018 foram durante essas duas semanas no Brasil: a exposição do Ai Weiwei na Oca, em São Paulo, e a nossa visita a Inhotim, em Minas Gerais.

Saudades em fotos:

Exposição do Ai Weiwei na Oca, em São Paulo. Trabalho lindo e cheio de significado. Gostei que tinha bastante texto explicativo. Eu conhecia muito pouco da obra do Weiwei, e senti que fui embora mais rica de conhecimento. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Exposição do Ai Weiwei na Oca, em São Paulo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
“Reto”: para mim, a obra de maior impacto da exposição do Ai Weiwei. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Inhotim. Nada me preparou para a maravilhosidade que é esse lugar. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
“Sonic Pavilion”, do Doug Aitken: uma das minhas obras/instalações favoritas. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Entrada da Galeria Claudia Andujar, a mais linda de Inhotim. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Em preparação para este post, eu estava relendo os textos explicativos da exposição do Ai Weiwei, e o texto de “Reto” me deu uma pontada no coração. Achei apropriado terminar com ele.

“No dia 12 de maio de 2008, um terremoto de magnitude 8,0 causou danos catastróficos na província de Sichuan, sendo que a devastação generalizada atingiu áreas como Wenchuan e o condado de Beichuan. O número de mortos no terremoto ultrapassou 80.000, além de 300.000 feridos.

Enquanto muitos prédios foram capazes de resistir aos violentos tremores, os edifícios construídos pelo governo, incluindo escolas, desmoronaram. As mais de 7.000 salas de aula destruídas apontavam algo que extrapola as forças da natureza. Os imóveis desmoronados foram chamados de “prédios de tofu” devido aos materiais de má qualidade utilizados em suas construções. Muitos perceberam que as escolas desmoronadas eram uma forte evidência da corrupção que assola as administrações locais e provinciais.

Devido à recusa dos governos em contabilizar de forma transparente as mortes de estudantes, Ai Weiwei iniciou a Investigação dos Cidadãos para identificar e lembrar de cada indivíduo. Sua equipe de voluntários foi de porta em porta, falando com as famílias e registrando o nome, a idade, a escola e a turma de cada aluno. À medida que a investigação avançava, Weiwei publicava as descobertas em seu blog. Uma parte fundamental da investigação foi o documentário Little Girls Cheeks (2009), que incluiu entrevistas com pais e funcionários da escola assim como imagens de arquivo, que acompanharam as consequências imediatas do terremoto e a resposta do governo às críticas crescentes. No final de Investigação dos Cidadãos, 5.196 alunos foram identificados com êxito.

Reto é uma instalação feita com vergalhões de aço recuperados dos escombros da Escola Secundária de Beichuan. Depois de retirados dos destroços, eles foram para um ferro-velho, onde Ai comprou o material e o transportou para seu estúdio em Pequim. Cada uma das peças foi endireitada manualmente por meio de um processo intensivo de trabalho, que durou mais de um ano.

A grande divisão presente na obra sugere uma fissura no solo, evidência do que aconteceu. O trabalho se torna uma metáfora para o trauma ocorrido, bem como a vontade de superá-lo. Paradoxalmente, também extressa a preocupação do artista com a rapidez com que a sociedade pode seguir, quase como se nada tivesse acontecido.

O trabalho completo consiste em 164 toneladas de vergalhões de aço. A exposição na Oca exibe pela primeira vez a instalação Reto em sua totalidade.”