Caderno de quotes de livros: Born to Run

Comecei a ler “Born to Run”, do Christopher McDougall, e na terceira página já estava cansada do texto do autor. “Que textinho de reportagem de revista masculina”, pensei. Fui olhar na contracapa, e, bingo! O moço é editor contribuinte da “Men’s Health”, e entre outros veículos citados estão a “Esquire” e a “Men’s Journal”.

Demoreeei para engatar a leitura, mas fiquei feliz de ter me forçado a continuar, porque o livro fica muito interessante quando ele para de contar histórias sobre ele mesmo e começa a falar sobre ciência. A parte sobre humanos terem evoluído para correr foi especialmente interessante para mim, porque faz pouco tempo que li “Sapiens – A Brief History of Humankind” e o tema “evolução” ainda está fresquinho na cabeça. Também valeu pela parte em que ele argumenta que a Nike fez um grande desserviço ao mundo ao inventar os tênis de corrida modernos.

Duas passagens para o meu caderno de quotes de livros:

“’Every morning in Africa, a gazelle wakes up,’ Bannister said. ‘It knows it must outrun the fastest lion or it will be killed. Every morning in Africa, a lion wakes up. It knows it must run faster than the slowest gazelle, or it will starve. It doesn’t matter whether you’re a lion or a gazelle – when the sun comes up, you’d better be running.” (p. 13)

“Deny your nature, and it will erupt in some other, uglier way.” (p. 99)

Bondade de estranhos

Primeiro dia de trabalho novo, e eu estava perdida. Cheguei ao destino indicado pelo Waze, mas não estava encontrando a casinha do escritório. Eu lembrava vagamente de como era o arredor do endereço, e aquele definitivamente não era o lugar certo. Voltei para a estrada principal e tentei entrar em outra rua. Nada. Outra rua. Sem saída. Outra rua. Não tem rua.

Voltei para o destino errado do Waze porque lá pelo menos dava para estacionar o carro. Abri o Google Maps. Ufa, o Google Maps tá falando que estou perto. Vou deixar o carro aqui e ir andando.

O Google Maps estava errado. Segui as instruções para ir a pé até o escritório, mas depois de três quarteirões, ele me mandava virar à direita no muro de uma casa. A essa altura eu já estava suando, uma porque o sol estava começando a queimar; duas porque eu estava carregando uma bolsa com, entre outros itens, o meu laptop jurássico que pesa quatro quilos; três porque eu estava vendo que ia chegar atrasada no meu primeiro dia de trabalho.

Não tinha ninguém na rua – o lugar é meio isolado, no topo de um monte -, então decidi que ia bater na casa de alguém para pedir direções. Entrei pelo jardim de uma casinha branca e, coincidentemente, bem nessa hora uma mulher parecia estar de saída, trancando a porta da frente.

Eu: (em inglês) Com licença, senhora?

Mulher: AAAAAHH [ela levou um *baita* susto; até derrubou as chaves, que ela abaixou para pegar dizendo alguma coisa em hebraico]

Eu: (em inglês e hebraico errado) Oi, desculpa! Eu estou perdida, você poder me ajudando? Eu estou procurar… estou procurando… escritória… ahh… [esta é a imagem da minha vida]

Mulher: (em inglês) Você pode falar em inglês.

[Daqui pra baixo foi tudo em inglês]

Eu: Ufa, obrigada! Desculpe ter te assustado. Estou procurando o endereço de um escritório, e o Google Maps me mandou para a sua casa. Você por acaso conhece este endereço xis?

Mulher: Hm, sei onde é. Como você veio para cá?

Eu: Vim de carro. O Waze me mandou para um endereço a três blocos daqui. De lá vim a pé, seguindo o Google Maps.

Mulher: Entendi. Estou indo praquele lado. Entra no meu carro, eu te levo até onde você estacionou e de lá você me segue.

[Se você é da minha família imediata, o texto termina aqui. Eu respondi pra moça “obrigada, mas a minha mãe me ensinou a não entrar no carro com estranhos”. Ela entendeu, disse “sua mãe fez um bom trabalho”, e me explicou exatamente como chegar ao escritório e eu fui sozinha porque eu super lembro tudo que as pessoas falam quando eu peço direções]

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Eu: Ok!

E foi isso que ela fez, gente! Ela me deu carona até o meu carro, esperou eu ajeitar as minhas coisas, e daí foi dirigindo devagar até o endereço do escritório para eu ir seguindo sem problemas.

Eu sei que costumo ter um tom resmungão aqui no blog, por isso achei importante compartilhar esta história. A gente passa por cada perrengue, mas de vez em quando a bondade de estranhos dá um quentinho do coração.

Três playlists maravilhosas para seguir no Spotify

1. “Songs to do CPR to”. Criada pelo Hospital Presbiteriano de Nova York, é uma playlist só de músicas com 100 batidas por minuto, que é a frequência ideal para executar a ressuscitação cardiopulmonar (cuja sigla em inglês é CPR). “Escolha uma [música] para lembrar caso você precise salvar uma vida.”

 

2. “I’m Serious, but my Tastes are Not”. Do meu amigo Daniell Marafon, que tem cara de mau, mas na verdade é um fofo encantador de gatos com um gosto musical engraçadão. Só tranqueiras cafonas do fim dos anos 70, anos 80 e início dos 90.

 

3. “funks advérbios de modo”. Autoexplicativa. Criada por um moço chamado Apolinário Passos, que também tem uma playlist chamada “Rimas ricas compostas da mesma palavra”.