Caderno de quotes de livros: Sapiens – A Brief History of Humankind

“Que baita livrão” é o que eu tenho a dizer sobre “Sapiens – A Brief History of Humankind”, do historiador israelense Yuval Noah Harari. Passei vergonha lendo e me dando conta do meu minguado conhecimento sobre… Tudo. Um exemplo: eu sempre achei que os humanos evoluíram de forma linear – tipo, o Homo Ergaster evoluiu para o  Homo Erectus, o Homo Erectus evoluiu para o Homo Neanderthal, o Homo Neanderthal evoluiu para o Homo Sapiens. NOPE! Há 100 mil anos, pelo menos seis espécies diferentes de humanos caminhavam ao mesmo tempo pela Terra! E: quando o Homo Sapiens chegou ao Oriente Médio e à Europa, a região já era habitada por Neanderthals. O que aconteceu com eles? Por que desapareceram do planeta? Harari escreve (tradução livre): “A tolerância não é uma marca registrada do Sapiens. Em tempos modernos, uma pequena diferença de cor de pele, dialeto ou religião é suficiente para levar um grupo de Sapiens a tentar exterminar outro grupo. Será que os Sapiens antigos seriam mais tolerantes com uma espécie humana completamente diferente? É bem possível que, quando os Sapiens encontraram os Neanderthals, o resultado tenha sido a primeira e mais significativa campanha de limpeza étnica da história”.

“What the eita?” Gif: reprodução

Eu tinha separado vááárias aspas para o caderno de quotes de livros, mas como a maior parte delas depende do contexto de um capítulo inteiro, vou listar apenas esta “pequena” passagem de uma página e meia:

“Culture tends to argue that it forbids only that which is unnatural. But from a biological perspective, nothing is unnatural. Whatever is possible is by definition also natural. A truly unnatural behavior, one that goes against the laws of nature, simply cannot exist, so it would need no prohibition. No culture has ever bothered to forbid men to photosynthesise, women to run faster than the speed of light, or negatively charged electrons to be attracted to each other.

In truth, our concepts ‘natural’ and ‘unnatural’ are taken not from biology, but from Christian theology. The theological meaning of ‘natural’ is ‘in accordance with the intentions of the God who created nature’. Christian theologians argued that God created the human body, intending each limb and organ to serve a particular purpose. If we use our limbs and organs for the purpose envisioned by God, then it is a natural activity. To use them differently than God intends is unnatural. But evolution has no purpose. Organs have not evolved with a purpose, and the way they are used is in constant flux. There is not a single organ in the human body that only does the job its prototype did when it first appeared hundreds of millions of years ago. Organs evolve to performe a particular function, but once they exist, they can be adapted for other usages as well. Mouths, for example, appeared because the earliest multicellular organisms needed a way to take nutrients into their bodies. We still use our mouths for that purpose, but we also use them to kiss, speak and, if we are Rambo, to pull the pins out of hand grenades. Are any of these uses unnatural simply because our worm-like ancestors 600 million years ago didn’t do these things with their mouths?

Similarly, wings didn’t suddenly appear in all their aerodynamic glory. They developed from organs that served another purpose. According to one theory, insect wings evolved millions of years ago from body protusions on flightless bugs. Bugs with bumps had a larger surface area than those without bumps, and this enabled them to absorb more sunlight and thus stay warmer. In a slow evolutionary process, these solar heaters grew larger. The same structure that was good for maximum sunlight absorption – lots of surface area, little weight – also, by coincidence, gave the insects a bit of a lift when they skipped and jumped. Those with bigger protusions could skip and jump farther. Some insects started using the things to glide, and from there it was a small step to wings that could actually propel the bug through the air. Next time a mosquito buzzes in your ear, accuse her of unnatural behavior. If she were well behaved and content with what God gave her, she’d use her wings only as solar panels.

The same sort of multitasking applies to our sexual organs and behaviour. Sex first evolved for procreation and courtship rituals as a way of sizing up the fitness of a potential mate. But many animals now put both to use for a multitude of social purposes that have little to do with creating little copies of themselves. Chimpanzees, for example, use sex to cement political alliances, establish intimacy and defuse tensios. Is that unnatural?” (p. 147-148)

O Alex encontra beleza nos meus olhos

O título parece romântico, mas na verdade eu vou escrever sobre um dos temas menos sexy do mundo: semântica hebraica.

Tem uma expressão em hebraico que eu acho engraçada, porque ela faz um drama enorme para dizer algo muito simples. “Limtsô chen beinéi”, cuja tradução literal é algo como “encontrar beleza (ou graça) nos olhos de”, significa apenas que fulano gosta de tal coisa.

Então se eu quero dizer que “Eu gosto do Alex”, eu falo: “Alex motsé chen beeinái”, ou, literalmente, “O Alex encontra beleza nos meus olhos”. Para dizer que “Ele gosta de mim”, eu falo: “Ani motsét chen beeináv”, ou “Eu encontro beleza nos olhos dele”.

O mais cômico é que a expressão não serve apenas para pessoas; você pode usá-la com as coisas mais mundanas, tipo “pneu”, e vai soar como se estivesse declamando um poema: “Ele gostou deste pneu” = “Hatsemíg hazé matsá chen beeináv” = “Este pneu encontrou beleza nos olhos dele”.

Apesar de parecer pomposa, a expressão é supercomum no hebraico do dia-a-dia – tanto que, antes de fazer uma pesquisinha para escrever este post, eu nem sabia que o verbo “gostar” existe, sim, em hebraico: “lichabév”. No ulpan eu aprendi apenas o “leehóv”, que a professora traduzia como “to love or to like”. E o Google Translate curiosamente não mostra o “lichabév” quando você busca por “gostar”; “gostar” e “amar” são igualmente traduzidos como “leehóv”.

Fiz um print pra vocês verem: “amar” e “gostar” são traduzidos para o hebraico como se fossem a mesma coisa: “leehóv”. Só depois de tentar em inglês é que descobri que tem um verbo diferente para cada um: “leehóv” e “lichabév”. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo

Para terminar, mais duas curiosidades sobre o assunto “romance” (ou não): em hebraico, não existe a palavra “namorado”; ou você é meu amigo, ou é meu marido. E na verdade, a palavra “marido” não significa “marido”; ela significa “dono”!

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Portugal ternurinha: um guia para chamar de meu

Já que fiz o post sobre Alfama, vou aproveitar e escrever mais da nossa viagem a Portugal, porque eu me conheço e sei que daqui a pouco vou esquecer várias coisas importantes #memóriadepeixe

O Alex e eu fomos para Portugal com a difícil tarefa de não esperar demais, porque todo mundo que conheço que viajou para lá voltou falando maravilhas, e a gente que tem mais de 30 anos nas costas sabe que quem se enche de expectativa transborda de decepção. MAS! Portugal abalou, abalou, sacudiu, balançou, e eu serei para sempre apaixonada por essa terra ternuninha.

(Pausa para agradecer a todos os amigos que me ajudaram com o planejamento dos passeios, especialmente a Ju, minha amiga portuguesa fofa querida demais que me mandou um guia supercompleto, cheio de dicas de insider.)

Sans Alex

Durante os nossos primeiros dias em Lisboa, o Alex estava participando de um congresso de oftalmologia, então nesse tempo eu fiz vários passeios sozinha – que acabaram sendo alguns dos melhores da viagem (lol, sorry, baby!). Primeiro destaque: Fundação Calouste Gulbenkian, um centro cultural com museu, um instituto de ciência e um jardim enorme completamente delicinha, lugar perfeito para passar uma tarde descansando na grama, lendo um livro, observando os patos… Muitos patos. Eu amo patos.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Patos, muitos patos @ Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo

Outro passeio sans Alex foi a caminhada do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Ninguém suuuper me recomendou essa dobradinha, mas tava perto do nosso hotel, então eu fui; e foi lindo. O trajeto não tem nada que seja exatamente uma “atração” turística, mas o dia estava tão bonito e o clima estava tão gostoso que eu só sentei à beira d’água para absorver aquela cena maravilhosa e caiu uma lagriminha de emoção. O Oceanário é bem legal também.

Vista no Parque das Nações. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Caminho do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo

Pastéis de Belém!!!

Castelos, Mosteiros, Torres. Acho que fizemos todos os principais de Lisboa e Belém, e são todos lindos. Mas o que eu preciso registrar sobre Belém é: pastéis. Pastéis de Belém. Amor verdadeiro, amor eterno. Vou deixar explicado na “voz” da Ju, do jeito que ela me escreveu por e-mail: “Já falei lá em cima, mas decidi reforçar com um ponto dedicado somente a ele. OBRIGATÓRIO ir nos Pastéis de Belém!!! Uma vez aqui, vocês irão entender porque qualquer português insiste que Pastel de Nata é uma coisa e Pastel de Belém é outra. Esse último só existe, de fato, nesta loja específica de Belém! Esqueçam tudo o que vocês já comeram (que nunca foi Pastel de Belém, lamento informar, mas sim Pastel de Nata) e aproveitem!!! Lembro que não existe comer só um. Mesmo nós locais, quando lá vamos, comemos pelo menos dois, de tão bom que é. E reparem só, não estou tendo nenhum pudor em colocar a expectativa no alto…então, se preparem :)”. Eu comi quatro.

Pastéis de Belém: amor à primeira mordida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo

Fado vadio

Tinham me falado do fado vadio (o fado amador, não profissional) – que é isto, que é aquilo, que é emocionante, que faz chorar, etc. Não levei à sério. Daí sentamos no Mascote da Atalaia, uma casa de fado minúscula, com uns 15 lugares, e estávamos lá espremidos em uma micromesa com um casal de alemães, quando uma jovem que eu achei que era cliente do restaurante sobe ao palco (“palco” = um espacinho de 2x2m para ela e os dois guitarristas) e ela começa a cantar, e, no instante que saiu a primeira nota da boca dela, os meus olhos encheram de lágrima e eu passei o resto da música chorando e pensando “meudeus, eu vou ficar assim a noite inteira?? #vexame”.

Luis Coelho, Ana Margarida e Pedro Pinhal em noite de fado no Mascote da Atalaia. Vendo a foto, lembrei que: os artistas se posicionam bem em frente à entrada para o banheiro, ou seja, se você quiser ir ao banheiro durante a apresentação, você não vai. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo

Obs.: não, não passei a noite inteira chorando; a música seguinte era feliz e saltitante, ufa! Obs2.: a gente acabou fazendo amizade com o casal de alemães com quem estávamos espremidos, e fiquei pensando “nossa, que mundo maravilhoso esse em que vivemos hoje, em que uma brasileira coreana e um russo israelense podem fazer amizade com um casal de alemães durante uma apresentação de música tradicional portuguesa!”. Obs3.: fado vadio é meio que uma loteria, você tem que dar sorte de pegar um cantor bom. Nessa noite a cantora era a Ana Margarida com os guitarristas Pedro Pinhal e Luis Coelho; mas voltamos ao Mascote da Atalaia alguns dias depois e era outra formação, e não foi tão legal.

Melhor idade

A nossa passagem por Sintra foi apenas um vislumbre da vida que eu vou ter quando for uma velha rica. Quando eu for uma velha rica, vou morar em Sintra, mais especificamente no bed & breakfast Villa Mira Longa. Lá, tomarei meus cafés da manhã na bancada com vista para o vilarejo, e usarei minha faca de manteiga com formato de pavão para amanteigar meus brioches, empregando minha colherzinha com ponta em formato de bule para mexer meu café feito na hora. Passearei logo cedo com o meu cachorro golden retriever que vou batizar de Senhor Pastéis de Belém, e então seguirei para minha caminhada no Parque e Palácio Nacional da Pena, na Quinta e Palácio da Regaleira, ou no Parque e Palácio de Monserrate. Todas as minhas refeições serão feitas no restaurante Tascantiga, onde eles abrirão uma exceção no seu formato de tapas somente para mim, e me servirão porções jumbo dos seus camarões fritos com alho e coentro.

Villa Mira Longa, minha futura residência de velha rica em Sintra. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Faca de pavão, colher de bule e cão golden retriever. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Palácio Nacional da Pena. É o palácio mais diferentão que visitamos em Portugal. Por fora ele é todo colorido, o que dá a impressão de que vários arquitetos ficaram responsáveis por uma parte do palácio, e no final eles tiveram que juntar os pedaços que cada um ergueu. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Palácio Nacional da Pena. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Quinta da Regaleira, em Sintra. Um parquezão lindo com cara de floresta encantada. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Parque e Palácio de Monserrate, em Sintra. O palácio em si não tem tanto para ver quanto os outros que visitamos em Portugal (a não ser que você seja nerd da arquitetura), mas o parque impressiona – são 33 hectares de jardins com exemplares botânicos do mundo todo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo
Eu geralmente fujo de restaurantes de tapas porque não gosto de porções pequenas, nem de compartilhar comida; mas esse restaurante Tascantiga é a coisa mais fofa e deliciosa que comi em Portugal. A gente quis ir lá de novo para a nossa última refeição em Sintra antes de voltarmos a Lisboa, mas eles estavam fechados! Quase chorei! Aqui, camarão frito com alho e coentro; salada defumada de queijo fresco e tomate (no potinho fechado; quando você abre a tampa, você vê a fumaça saindo); mexilhões com molho vinagrete; e sopa de melão com hortelã fresca e presunto. Tudo delicioso. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Ei, m’nina!

Tava lembrando de um episódio que aconteceu na nossa viagem a Portugal, no ano passado; uma noite pitoresca em Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa, com casinhas antigas, ruazinhas antigas, pessoinhas antigas.

Uma arte fofa que vimos em Alfama, Portugal. Foto: Sarah Lee/Gaveta de esquilo

Alex e eu procurávamos por um supermercado para comprar água, mas estávamos indo de ruela em ruela e nada do mercado indicado no mapa do nosso anfitrião no Airbnb. Parei em uma loja de penduricalhos para pedir direções, e, antes que o dono do lugar pudesse me responder, a senhorinha de 200 anos que estava conversando com ele se ofereceu para me acompanhar até a saída da parte antiga do bairro, de onde seria fácil encontrar o mercado. Oba!, e lá fomos nós, devagarzinho escadaria abaixo, eu com medo de a senhora escorregar (o chão de Alfama é todo de pedra lisinha, lisinha, e a parte mais antiga do bairro é quase toda em degraus), e a senhora com medo do Alex (ele estava mal-humorado e foi andando alguns passos atrás da gente; quando a senhora viu que tinha um homem mal-encarado nos seguindo, ela pegou no meu braço e olhou para mim tipo “eita”, mas expliquei para ela que era só o meu marido mal-humorado e ela riu. Life hack: nunca deixe um israelense sem acesso a água de beber).

Chegamos ao fim da parte residencial e ela nos explicou como chegar ao mercado: atravessa a avenida mantendo-se à esquerda, desce desce desce, e vais ver o luminoso escrito: “Santa Apolônia”. É lá. Agrademos a gentileza da senhora; ela seguiu pelo seu caminho e nós fomos em direção ao mercado.

Não encontramos o mercado. A gente foi na direção que a senhora havia ensinado, mas quando chegamos ao “Santa Apolônia”, o lugar era uma estação de trem. Fón! Pensei putz, e agora, Sarah Lee? Você sabe que não deve deixar um israelense sem acesso a água de beber! Daí lembrei: pera, será que em Portugal pode-se tomar água da torneira? Santo Google nos trouxe a resposta: sim! O humor do Alex começou a melhorar.

Fizemos todo o caminho de volta ao centrinho de Alfama, e, como estávamos na hora do jantar em uma zona residencial de um país onde as pessoas amam comer, dava para sentir na rua o cheiro maravilhoso de comida de vó saindo do forno. Aaai, vamos jantar? Vamos! No meio de uma ladeira especialmente íngreme, chegamos a um pequeno restaurante com mesas do lado de fora, em um pátio cheio de charme. Sentamos em uma das mesinhas compartilhadas e pedimos água. E sardinhas grelhadas.

Terminamos de comer e fomos voltando devagar para a nossa casinha alugada. Alfama é legal porque é um bairro com relativamente poucos turistas, ótimo para quem gosta de escutar a voz local: o movimento dos moradores, a conversa do dia a dia – especialmente porque o português de Portugal é um idioma que dança nos ouvidos. Tava lá viajando nos chiados locais quando uma voz de mulher sobressai: “Ei, m’nina!”. Continuei na minha viagem, quando ouvi de novo, “M’nina!”. Pensei, aff, gente que fala gritando, pra que isso? “M’nina! EI, M’NINA!” – a mulher levantou a voz com uma urgência que eu achei que estava acontecendo um roubo na lojinha da frente! Parei, tensa. “M’NINA, AQUI, M’NINA!”. Olhei para cima, de onde vinha a voz. Na bancada do segundo andar de uma casa superantiga estava a senhorinha que havia nos ajudado mais cedo; ela queria saber se a gente tinha encontrado o supermercado [emoji de risada com lagriminhas saindo do canto dos olhos].

+ Portugal ternurinha: um guia para chamar de meu

O perigoso lado ruim de ser perfeccionista

Quando você lê uma reportagem gigantesca sobre uma tendência potencialmente autodestrutiva e vai ticando parágrafo por parágrafo – hm, eu faço isso… E penso assim… E tive isso na infância… E falo essas coisas pras pessoas… E passei por essa fase na faculdade… E faço isso todas as noites… Hmmmmm, devo procurar um psicólogo?

Gif: reprodução

Hoje em dia todo mundo sabe que durante uma entrevista de emprego, quando o entrevistador te pergunta qual a sua maior qualidade e qual o seu maior defeito, você não pode mais responder “ser perfeccionista” e “ser perfeccionista”, porque essa resposta já foi tão repetidamente batida que virou piada. O que é uma bosta, porque no contexto do trabalho, eu realmente achava que ser perfeccionista era a minha maior qualidade e o meu maior defeito. Mas o texto “O perigoso lado ruim de ser perfeccionista”, no site da BBC Brasil, me ajudou a entender que o “ser perfeccionista/qualidade” na verdade não é perfeccionismo, e que o “ser perfeccionista/defeito” é um troço tão sério que eu nem deveria estar falando disso para o meu potencial contratante hahaha #risadanervosa

O resumo da parada toda é que: “Trabalhar duro, ser comprometido, diligente e assim por diante, são todas características desejáveis. Perfeccionismo não é adotar padrões altos. É estabelecer padrões irreais. Não é um comportamento. É a maneira como você pensa sobre si mesmo”. Tralalá, “para os perfeccionistas, a performance está ligada ao senso de identidade. Quando não conseguem alcançar algo, eles não se sentem decepcionados em relação ao que fizeram, mas, sim, vergonha de si mesmos. Ironicamente, o perfeccionismo se torna uma tática de defesa para manter a vergonha à distância: se você é perfeito, nunca falha; e se nunca falha, não há por que se envergonhar. Como resultado, a busca pela perfeição se torna um ciclo vicioso. E, uma vez que é impossível ser perfeito, todo esforço acaba sendo em vão”.

(Pausa para linkar um post sobre perfeccionismo que eu tentei escrever há dois anos, mas que não consegui elaborar bem o suficiente, então acabei desistindo e publicando umas besteiras nada a ver)

Gif: reprodução

Enfim, eu recomendo que vocês leiam o texto inteiro no site da BBC, porque ele é muito bom; clique aqui.