Pai nosso, que estás nos céus

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Há alguns dias, tive o privilégio de viajar a Jerusalém e visitar o Muro das Lamentações. Vou escrever mais sobre isso em outro post. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Nesta semana terminei de ler “Descobridores do Infinito”, de Maria Coffey, sobre atletas radicais e a relação que eles têm com a espiritualidade e a descoberta de novos níveis de consciência. No geral, não gostei muito do livro, mas ficou na minha memória a parte em que a autora fala sobre a sua própria experiência com a Igreja.

Maria foi criada dentro do catolicismo romano, mas aos 15 anos, parou de se confessar e comungar; dois anos depois, se afastou completamente da religião. Ela escreve: “Em algumas ocasiões eu tinha conversado com ele [Joe Tasker, seu namorado na época] sobre como minha apostasia havia deixado não só um legado de culpa, mas um vazio espiritual, uma solidão existencial. Um ‘buraco no formato de Deus’”.

BOOM!!! “Buraco no formato de Deus”! Que expressão maravilhosa! Parabéns, Maria Coffey!

Enfim, a questão é que: rolou uma identificação.

Há alguns dias, tive o privilégio de viajar a Jerusalém e visitar o Muro das Lamentações. Fiz uma oração em silêncio pedindo por paz na Terra, mas também deixei uma prece no papelzinho, desta vez com um tema mais pessoal. Pedi por uma reconexão com Deus.

Analisando meus grupos de amigos, vejo gente que tem total devoção à religião e gente que tem total satisfação com o ateísmo. Olho para essas pessoas com convicções tão diferentes – e tão firmes – e me faço uma mesma pergunta: como pode?

Daí lembro da minha época de estudo bíblico e de uma das passagens de Apocalipse que mais me davam medo: uma em que Jesus manifesta seu desprezo pelos “mornos” e afirma que ele os vomita (“seja quente ou seja frio”, ele diz).

Já faz muitos anos que vivo um embate com Ele, sem conseguir me sentir em paz na ligação nem no desligamento. Tenho muitos motivos para isso – Ele sabe -, mas é natural que os questionamentos se multipliquem em tempos de crise, quando acontecem coisas que nos fazem perder a fé na existência de uma entidade benevolente que tenha poder (ou vontade) para nos guiar. Mas o problema, mesmo, é que a crise está virando a norma. Só um passeio pela editoria de Cotidiano da “Folha” já me balança. O nome do caderno é cotidiano, e só tem tragédia!

Acho que em vez de pedir por uma reconexão, eu devia ter reforçado o pedido por paz.

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