Um post sério sobre coisas sérias

Marcelão tava me cobrando um post sério sobre coisas sérias, então aqui vai. Estou escrevendo na humildade, sem pretensão de bancar a analista política; vou apenas listar algumas coisas que as pessoas me perguntam sobre Israel, respondendo o que vejo com meu olhar de estrangeira.

Nossa, Israel? Mas não é perigoso?

Olha, eu me sinto mais segura em Israel do que no Brasil. Claro que a noção de perigo é diferente nos dois países, mas na minha condição de turista sediada em uma cidade pequena e tranquila, estou podendo relaxar de um jeito que eu nunca consegui em São Paulo.

Mas você não tem medo de ficar aí com tudo o que está acontecendo na região?

Tenho meus receios. Como turista, me sinto segura, mas não sei se moraria aqui.

Como é a questão da segurança em Israel? Tem climão? As pessoas têm medo de andar na rua?

Mesmo estando numa cidade cujo lema é “the resort for fun lovers”, sou constantemente lembrada de que este é um país marcado pela guerra. Primeiro, tem os soldados armados: em Nahariya, eles são muito menos numerosos (e as armas são menores) do que vi em Jerusalém, por exemplo, mas ainda assim é uma visão chocante. Segundo, tem as medidas que são estranhas pra gente, mas que aqui são triviais: para entrar na estação de trem ou até mesmo no shopping center, mostra-se o interior da bolsa para o segurança e passa-se pelo detector de metais; se estiver de carro, abre-se o porta-malas. Terceiro, tem o próprio apartamento onde eu moro, que possui um merkhav mugan dirati, ou “mamad”: uma sala de segurança reforçada que é obrigatória, por lei, em todos os novos edifícios israelenses (aliás, vale fazer um post só sobre isso).

Feitas essas observações, vou te contar: não sinto climão e não sinto que o povo tem medo de andar na rua. Novamente, eu sou uma turista numa cidade pequena, mas a impressão que eu tenho é a de que, obviamente, as pessoas entendem a situação delicada da região, mas elas têm certeza de que o governo/o país/o exército vai protege-las. Acredito que isso tem a ver com a proximidade entre a população e as forças de segurança de Israel; o exército não é uma entidade estranha e distante, e sim algo do qual (quase) todos fizeram ou fazem parte, algo em que se pode confiar.

No vôo de Paris para Tel Aviv sentei ao lado de um casal de velhinhos que tinha acabado de visitar a filha nos Estados Unidos, e ficamos conversando sobre vários assuntos. Perguntei sobre a segurança em Israel, e eles contaram de episódios em que parentes tiveram que mudar de cidade por conta de bombardeios – mas eles sempre acabavam retornando para casa. Questionei se eles não consideravam a possibilidade de mudar do país, já que eles têm família estabelecida nos EUA, e a resposta foi meio “não, por quê?”. Fiquei pensando como que o indivíduo escolhe continuar morando num lugar em meio a tantos conflitos externos, mas daí lembro que meus amigos estrangeiros acham bizarro quando eu falo sobre São Paulo e a violência urbana que faz parte do nosso cotidiano.

(to be continued – aqui)

2 comentários em “Um post sério sobre coisas sérias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s