Você é quietinha, né?

Faz parte do cotidiano de todo introvertido – e isso pode ser bem irritante – ter que lidar com comentários do tipo “você é quietinha, né?”.

– Ainn, Sarah, mas o que é que tem?

O que é que tem é que é chato, tosco e desnecessário. Sério, que diálogo você espera desenvolver quando eu te conheço há cinco segundos (sempre gente que conheço há cinco segundos) e essa é a sua frase de abertura? A frase que eu já ouvi zilhões de vezes. A frase que vai seguir, inevitavelmente, o mesmíssimo roteiro: a pessoa fala; eu respondo; a pessoa fala que eu sou grossa.

– Você é quietinha, né?
– Sim. Sou.
– Ainn, que nervosinha.

Ou

– Você é quietinha, né?
– Não. Não sou.
– Ainn, que nervosinha.

Apenas parem.

E sabe? Eu demorei pra entender por que essas coisas me incomodavam. Achava que era a repetição, ou a prepotência de um desconhecido fazendo a íntima. Mas não é (só isso); o problema, mesmo, é que muitas vezes sinto um tom condescendente acompanhando essas brilhantes observações. “Você não fala muito, né?” + cabeça que vai pro ladinho + sobrancelhas caídas + meio sorriso de simpatia. Como se a minha quietude fosse motivo de pena. “Coitadinha, tão quietinha.”

O ser humano pega uma característica minha que ele enxerga como um defeito; reveste-a de dó passiva-agressiva; esfrega na minha cara; e ainda acha que eu tenho que fazer festinha?

Aqui pra você, ó:

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(Gifs: reprodução)

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