Avenida Paulista, pesadelo dxs introvertidxs, mulheres, orientais

Ontem na Avenida Paulista.

Descendo no ponto do ônibus, a caminho do Masp. Grupo de encoletados. Ugh.

Encoletado, oferecendo um aperto de mão: BOM DIA, MOÇA!

Eu, andando rápido e ignorando a mão no ar: Oi, moço, eu não quero conversar hoje, ok? Bom dia.

Encoletado, fingindo que não ouviu o que eu disse: VOU ANDAR COM VOCÊ, A GENTE AJUDA CRIANÇAS VÍTIMAS DE ABUSO, VOCÊ ACHA QUE ELAS MERECEM A SUA ATENÇÃO?

Eu, just keep walking, just keep walking: Tchau, moço.

No vão do Masp, esperando a Jana.

Senhora de jaleco: Oi, mocinha, vamos tirar a pressão hoje?

Eu: Não, obrigada.

Senhora de jaleco: É pra ajudar na faculdade de medicina.

Eu: Não, obrigada.

Senhora de jaleco me encara em silêncio e vai embora.

Dois minutos.

Vendedor de poesia número 1, dos olhos vidrados: Gosta de poesia?

Eu: Não.

Vendedor de poesia número 1, dos olhos vidrados, fica me encarando. Encara, encara, encara. Vai embora.

Dois minutos.

Vendedor de poesia número 2, senhor bonachão: BOM DIA, MENINA, GOSTA DE POESIA?

Eu: Bom dia, senhor, não gosto.

Vendedor de poesia número 2, senhor bonachão: VOCÊ É UMA POESIA! OLHA QUE LINDA!

Eu, procurando algum lugar pra me esconder: Obrigada, senhor.

Vendedor de poesia número 2, senhor bonachão, vai embora sorrindo.

Dois minutos.

Volta o vendedor de poesia número 1.

Vendedor de poesia número 1, dos olhos vidrados: Você fala português?

Eu, aiquesaco: Falo.

Vendedor de poesia número 1, dos olhos vidrados, fica me encarando: Eu achei que você não falava português.

Eu, procurando algum lugar pra onde correr: Uhum.

Vendedor de poesia número 1, dos olhos vidrados, ainda me encarando: Você é japonesa?

Eu, pelamordedeus, Jana, cadê você?: Não, sou descendente de coreanos.

Vendedor de poesia número 1, dos olhos vidrados, fica me encarando. Encara, encara, encara. Vai embora.

Dois minutos.

Volta a senhora de jaleco.

Senhora de jaleco: Oi, mocinha, vamos tirar a pressão hoje?

Eu: Nã-

Senhora de jaleco, lembrando que já tinha falado comigo: Ah, eu já falei com você!

Senhora de jaleco vai embora.

Dois minutos.

Volta o vendedor de poesia número 2.

Vendedor de poesia número 2, senhor bonachão: TÁ ESPERANDO O AMOR?

Eu: Não, só uma amiga.

Chega a Jana, graças aos céus.

Exposições vistas, almoço almoçado, vamos pra Fiesp.

No único momento em que a gente se separa dentro da sala de exposição, eu estou no setor de porcelanas importadas. Vem o segurança intrometido.

Segurança intrometido, falando comigo e apontando pra um vaso japonês: Ó, Japão.

Eu, fazendo o sinal universal do te-escutei-mas-não-to-a-fim-de-conversa-por-favor-me-deixe-em-paz: Uhum.

Segurança intrometido, apresentando sinais de insuficiência de semancol: Esse você já conhece, né?

Eu:

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Eu. Não. Sou. Japonesa.

Segurança intrometido:

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