[Cries in Hebrew]

Agora que tenho um mês de ulpan, acho que dá para fazer um balanço do meu aprendizado de hebraico. E a primeira coisa que me vem à cabeça é este cartoon da Sarah Anderson.

Cada semana tem sido esse “hellish ride” que vai do “uhuuul” para o “obaaa” para o “hmmm” para o “eita!” para o “sniiif” e para o “buááá” – e sobe de novo e despenca, e sobe de novo e despenca. Um dia eu acho que estou arrasando e que é só uma questão de tempo até pegar fluência; no outro, bate o desespero e eu sinto que nunca vou sair do “Me Tarzan, you Jane”.

(Vou ter que dividir este post em tópicos, porque é muita coisa para chorar)

1. Primeiro, o idioma em si. É difícil, minha gente. Eu já tinha falado aqui da questão do alfabeto que parece que as letrinhas estão de ponta-cabeça; da escrita que é da direita para a esquerda; e do não-uso das vogais; mas existem mais tretas que aprendi no ulpan, como:

a) vários sons que não existem em português, nem inglês, nem coreano. Eu tenho dificuldade especialmente com a letra “hey”, que é tipo o “r” de “rato”, mas mais suave; a letra “resh”, que é tipo o “Rá-Rá-Rá” da música do Quico; e a letra “chet”, que é aquele som que parece que a pessoa está limpando a garganta.

b) além desses sons específicos, a sonoridade geral do hebraico é completamente diferente de tudo que eu conheço. E quando você tem zero referência de sonoridade, cada palavra que você precisa memorizar é um novo drama; basicamente, o que você faz é decorar uns barulhos.

c) tudo tem gênero. Em inglês, você diz “I study hebrew. I am a good student” se você é homem e se é mulher. Nada muda. Em português, você diz “Eu estudo hebraico. Eu sou um bom estudante” se você é homem e “Eu estudo hebraico. Eu sou uma boa estudante” se é mulher. Muda-se o adjetivo e o artigo que o acompanha. Já em hebraico, você diz “Ani lomed ivrit. Ani talmid tov” se você é homem e “Ani lomedet ivrit. Ani talmida tova” se é mulher. Além do substantivo e do adjetivo, muda-se também a conjugação do verbo de acordo com o sexo de quem está falando! Outro exemplo: “How old are you?” -> em inglês, sem gênero. “Quantos anos você tem?” -> em português, sem gênero. Mas em hebraico, você pergunta “Ben cama ata?” para os homens, e “Bat cama at?” para as mulheres.

(to be continued – aqui)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s