Dias de luta, dias de glória

Morar em um país cujo idioma você ainda não domina é assim: uns dias de luta, uns dias de glória. Num dia você consegue ligar para a central de atendimento do seguro de saúde e falar, curto e grosso e tudo em hebraico, que você precisa mudar a data da sua primeira consulta médica em Israel; no outro, você para em todos os andares do centro médico e fala com todos os respectivos recepcionistas até descobrir que a sua médica fica no último andar do prédio – informação que consta na placa ao lado do elevador, no térreo, que você não leu porque estava em hebraico (e no fim das contas a sua médica nem estava lá; ela tirou férias, e ninguém te avisou). Um dia, depois que a sua médica volta das férias, você finalmente faz a sua primeira consulta em Israel e narra todo o seu histórico de endometriose em hebraico; no outro, você chega à clínica para fazer o exame de sangue recomendado pela sua médica, e a enfermeira pede para você fechar a porta, e ela tem que pedir três vezes em hebraico enquanto você fica com cara de bunda olhando pros lados suando e pensando “o que essa mulher quer de mim??!!”, até que ela desiste e começa a falar em inglês.

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