Unidos da Baixa Autoestima

Imagem: reprodução Sarah Andersen

Tem esse negócio que nós da baixa autoestima fazemos, que é associar o nosso próprio valor às coisas que a gente produz. Se produzimos algo bom (tiramos nota 10 no TCC, entregamos um projeto de sucesso no trabalho, assamos um bolo de fubá que é devorado em cinco minutos) = somos okzinho. Se produzimos algo ruim = “UAARRGGHHHH, eu sou a mosca do cocô do cavalo do bandido, não sirvo pra nada, I wish I was special, you’re so fuckin’ special, but I’m a creep”.

A pegadinha é que: o nosso valor é associado às coisas que a gente produz, e as coisas que a gente produz são associadas à opinião dos outros. Para tirar nota 10 no TCC, a banca tem que ficar impressionada com o seu documentário sobre transtorno bipolar; pro seu projeto ser um sucesso no trabalho, a diretoria tem que avaliar que ele vai satisfazer os objetivos da empresa; pro bolo de fubá ser devorado em cinco minutos, a sua família tem que achar que ele está fofinho e saboroso sem ser doce demais.

Na vida adulta, a maior parte do que a gente produz é relacionada ao trabalho, por isso a gente acaba se deixando definir por ele. Se temos um trabalho que as pessoas consideram bom = somos bons; se temos um trabalho que as pessoas consideram ruim = somos ruins.

E se não temos trabalho? Não somos nada, né.

Só que não, minha gente! Vamos parar de acreditar que o nosso valor depende do que a gente produz! Nem tudo na vida cabe numa caixinha pra gente mostrar pras pessoas e ter a aprovação delas! Só a gente sabe das nossas próprias escolhas e das nossas próprias conquistas! Super Xuxa contra Baixo Astral!

Escrevi este post porque passei os últimos meses chateadíssima com uma coisa que me foi dita no fim do ano passado. Uma pessoa do nosso círculo de conhecidos aqui em Israel perguntou se eu estava trabalhando, e eu respondi que não – na época eu ainda estava na escola intensiva de hebraico, e tinha tomado a decisão de só começar a trabalhar depois de finalizar o curso, porque queria uma imersão total nos estudos. Daí o serumani vira e me fala: “Você tem tanta sorte de ter casado com um cara que tem um emprego bom e que pode te comprar tudo que você quiser”.

Fiquei com a cara no chão. Pelo machismo e pela falta de noção da pessoa, é claro, mas também porque internalizei esse julgamento como algo muito profundo e íntimo (e que só estou compreendendo agora!). Minha autoestima fez hara-kiri porque nessa armadilha de vincular valor a produto, se você não trabalha, você não tem um produto para mostrar pros outros; se você não tem um produto para mostrar pros outros, você não está criando valor; se você não está criando valor, você não tem valor. Nesse pira pirá pirô, eu despenquei de “mulher no controle do próprio destino corajosa navegando novos mares arrasando no aprendizado de idioma treta” para “mulher que não é nada”.

PODE PARAR!

Não caiamos mais nessa, amores.

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