Bondade de estranhos

Primeiro dia de trabalho novo, e eu estava perdida. Cheguei ao destino indicado pelo Waze, mas não estava encontrando a casinha do escritório. Eu lembrava vagamente de como era o arredor do endereço, e aquele definitivamente não era o lugar certo. Voltei para a estrada principal e tentei entrar em outra rua. Nada. Outra rua. Sem saída. Outra rua. Não tem rua.

Voltei para o destino errado do Waze porque lá pelo menos dava para estacionar o carro. Abri o Google Maps. Ufa, o Google Maps tá falando que estou perto. Vou deixar o carro aqui e ir andando.

O Google Maps estava errado. Segui as instruções para ir a pé até o escritório, mas depois de três quarteirões, ele me mandava virar à direita no muro de uma casa. A essa altura eu já estava suando, uma porque o sol estava começando a queimar; duas porque eu estava carregando uma bolsa com, entre outros itens, o meu laptop jurássico que pesa quatro quilos; três porque eu estava vendo que ia chegar atrasada no meu primeiro dia de trabalho.

Não tinha ninguém na rua – o lugar é meio isolado, no topo de um monte -, então decidi que ia bater na casa de alguém para pedir direções. Entrei pelo jardim de uma casinha branca e, coincidentemente, bem nessa hora uma mulher parecia estar de saída, trancando a porta da frente.

Eu: (em inglês) Com licença, senhora?

Mulher: AAAAAHH [ela levou um *baita* susto; até derrubou as chaves, que ela abaixou para pegar dizendo alguma coisa em hebraico]

Eu: (em inglês e hebraico errado) Oi, desculpa! Eu estou perdida, você poder me ajudando? Eu estou procurar… estou procurando… escritória… ahh… [esta é a imagem da minha vida]

Mulher: (em inglês) Você pode falar em inglês.

[Daqui pra baixo foi tudo em inglês]

Eu: Ufa, obrigada! Desculpe ter te assustado. Estou procurando o endereço de um escritório, e o Google Maps me mandou para a sua casa. Você por acaso conhece este endereço xis?

Mulher: Hm, sei onde é. Como você veio para cá?

Eu: Vim de carro. O Waze me mandou para um endereço a três blocos daqui. De lá vim a pé, seguindo o Google Maps.

Mulher: Entendi. Estou indo praquele lado. Entra no meu carro, eu te levo até onde você estacionou e de lá você me segue.

[Se você é da minha família imediata, o texto termina aqui. Eu respondi pra moça “obrigada, mas a minha mãe me ensinou a não entrar no carro com estranhos”. Ela entendeu, disse “sua mãe fez um bom trabalho”, e me explicou exatamente como chegar ao escritório e eu fui sozinha porque eu super lembro tudo que as pessoas falam quando eu peço direções]

.

.

.

Eu: Ok!

E foi isso que ela fez, gente! Ela me deu carona até o meu carro, esperou eu ajeitar as minhas coisas, e daí foi dirigindo devagar até o endereço do escritório para eu ir seguindo sem problemas.

Eu sei que costumo ter um tom resmungão aqui no blog, por isso achei importante compartilhar esta história. A gente passa por cada perrengue, mas de vez em quando a bondade de estranhos dá um quentinho do coração.

2 comentários em “Bondade de estranhos

  1. Oi, Sarah. Adorei esse post! Adoro todos, mas esse em especial resolvi comentar (nuca faço :/) porque há um tempo comecei a postar um tweet pra toda vez que alguém estranho ou n muito chegado fazia algo muito legal por mim. Depois de ler teu texto fui olhar esses tweets e me surpreendi com a quantidade (21!! em um ano e meio), isso me ajudou pra caramba nesses dias de descrença maior que o normal no ser humano. Obrigada.

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    1. Oi, Clara! Que emoção, eu nunca recebo comentários hahah (por isso demorei para responder, desculpe; eu não tinha visto). Que ideia boa! Às vezes a gente precisa mesmo de um lembrete de que há esperança para a humanidade. Obrigada por compartilhar!

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