O nome completo da Kitty

O mais legal de ser casada com uma pessoa de outra nacionalidade é que você está sempre aprendendo coisas de outro país. Recentemente, eu entendi a questão dos nomes na Rússia – e descobri como é o nome completo da Kitty.

Kitty, Monster Face, Senhorita Bigodes. A gente chama a Kitty de vários jeitos, mas ela tem um nome real oficial. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

1) Sobrenome: assim como na Coreia, tradicionalmente, as crianças nascidas na Rússia recebem apenas o sobrenome do pai. Mas há um detalhe. Os meninos recebem o sobrenome exatamente com a mesma grafia, enquanto que as meninas recebem o sobrenome com um “a” no final. O sobrenome do Alex é Maliarov; portanto, o sobrenome da Kitty é Maliarova.

2) Nome do meio: além do sobrenome, o nome próprio do pai também vai para a certidão de nascimento das crianças russas, e vira um nome do meio com a adição de um sufixo específico para os meninos (“ich”, “vich” ou “evich”) e outro para as meninas (“ovna”, “evna” ou “ichna”). O nome do Alex é Alexander; portanto, o nome do meio da Kitty é Alexandrovna (com ênfase no primeiro “a” – “Alexândrovna”).

3) Nome próprio: o Alex tem vários amigos russos, ucranianos e bielorrussos que viraram meus amigos também, e eu fiquei chocada nesta semana porque finalmente descobri que o nome de muitos deles, pelos quais eu sempre os chamei, não é o nome deles; é o apelido. O único que eu já sabia é o Sasha, que é o apelido de Aleksandr (o Alex, meu marido, é Alex pra gente, mas ele é Sasha para toda a família e os amigos que falam russo). Dima é Dmitry. Pasha é Pavel. Slavik é Vyacheslav. E Katya é Yekaterina. Foi assim que a conversa começou. A Katya veio em casa e conheceu a Kitty, e disse: “Katya e Kitty são quase iguais. E se eu sou Yekaterina, a Kitty deve ser…”

“- Yekittyrina”, concluiu o Alex.

Então é isso. O nome completo da Kitty é Yekittyrina Alexandrovna Maliarova.

Mood de 2019: chorando ao telefone com a moça dos gatos

“- E aí, Sarah Lee, como vai a vida?”

Hoje eu liguei para uma moça que faz resgate de gatos de rua, porque eu estava procurando algum tipo de trabalho voluntário para me manter ocupada e pensei que ajudar em um abrigo de bichinhos seria uma boa ideia.  Ela pediu para saber mais sobre mim, e eu comecei a chorar de boca aberta contando que estou em Israel há mais de um ano e meio e ainda não tenho emprego, nem rotina, nem amigos.

E no fim das contas não vou ter trabalho voluntário também, porque ela explicou que não existem abrigos para gatos em Israel.

Três playlists maravilhosas para seguir no Spotify

1. “Songs to do CPR to”. Criada pelo Hospital Presbiteriano de Nova York, é uma playlist só de músicas com 100 batidas por minuto, que é a frequência ideal para executar a ressuscitação cardiopulmonar (cuja sigla em inglês é CPR). “Escolha uma [música] para lembrar caso você precise salvar uma vida.”

 

2. “I’m Serious, but my Tastes are Not”. Do meu amigo Daniell Marafon, que tem cara de mau, mas na verdade é um fofo encantador de gatos com um gosto musical engraçadão. Só tranqueiras cafonas do fim dos anos 70, anos 80 e início dos 90.

 

3. “funks advérbios de modo”. Autoexplicativa. Criada por um moço chamado Apolinário Passos, que também tem uma playlist chamada “Rimas ricas compostas da mesma palavra”.