It’s time to get serious about joy and fulfillment

Hoje recebi uma lembrança do Facebook que foi ao mesmo tempo bem-vinda e meio triste. Bem-vinda porque eu estava precisando ler algo do tipo, e meio triste porque, cinco anos depois, eu ainda preciso ler algo do tipo. O post era sobre o trecho de um texto da escritora americana Anne Lamott em que ela fala sobre perfeccionismo; vou republica-lo abaixo:

“It’s time to get serious about joy and fulfillment, work on our books, songs, dances, gardens. But perfectionism is always lurking nearby, like the demonic prowling lion in the Old Testament, waiting to pounce. It will convince you that your work-in-progress is not great, and that you may never get published. (Wait, forget the prowling satanic lion–your parents, living or dead, almost just as loudly either way, and your aunt Beth, and your passive-aggressive friends, whom we all think you should ditch, are going to ask, ‘Oh, you’re writing again? That’s nice. Do you have an agent?’)

Oh my God, what if you wake up some day, and you’re 65, or 75, and you never got your memoir or novel written; or you didn’t go swimming in warm pools and oceans all those years because your thighs were jiggly and you had a nice big comfortable tummy; or you were just so strung out on perfectionism and people-pleasing that you forgot to have a big juicy creative life, of imagination and radical silliness and staring off into space like when you were a kid? It’s going to break your heart. Don’t let this happen. Repent just means to change direction – and NOT to be said by someone who is waggling their forefinger at you. Repentance is a blessing. Pick a new direction, one you wouldn’t mind ending up at, and aim for that. Shoot the moon.”

O queijo mais fedorento que eu já tive o desprazer de cheirar

Este é um texto meio aleatório. Ele deveria ter sido publicado no meu Instagram de comida (@leejwsarah), mas eu não fiz a foto para ilustrar o post, por isso estamos aqui.

Na última vez que o Alex foi à Espanha, ele me trouxe de presente quatro pacotes de presunto ibérico e uma sacola com uma coisa dentro. Meus olhos brilharam quando vi aquele monte de presunto – “meu Deus, como esse homem me conhece bem!”, eu pensei, e, depois de abraçar cada pacote, eu fui ver o que tinha na sacola.

Eu abro a sacola.

Eu boto o rosto perto da sacola.

E, diretamente do fundo da sacola para o meio da minha fuça, me vem uma rajada de cheiro de bosta.

Eu juro. Eu juro que eu pensei que o Alex tinha me dado um saco de cocô.

Era um queijo, gente. Um queijo pequeno, amarelo, arredondado, e extremamente fedorento.

Eu fechei a sacola, dei todos os nós que dava para dar, e botei a maldita no fundo da geladeira.

Isso já faz três semanas.

Hoje eu estava terminando de fazer o jantar – arroz frito com molho de tomate -, quando tive a inspiração de que um queijinho derretido por cima ficaria ótimo.

Mas não tinha queijinho em casa. Só tinha o queijo fedorento.

Pensei comigo mesma. “Dá uma chance pro queijo fedorento, Sarah Lee. Deixa de ser fresca. Aposto que nem era tão fedorento assim. É que estava muito cedo, você tinha acabado de acordar. E mesmo se for. E daí? Queijos fedorentos são os melhores queijos – ou é o que os franceses dizem, eu acho. Você ama queijo. Você vai jogar o queijo fora sem nem experimentar?”

Eu resgato a sacola do fundo da geladeira.

Eu abro a sacola.

“AARRGGHH!”

[respira pela boca]

O queijo tem uma casca ocre que, eu desconfio, é a responsável pelo fartum de fezes. Pego a faca na mão direita e começo a remover as bordas. Com o indicador e o dedão da mão esquerda, eu seguro o queijo cuidadosamente em cima do prato.

(O indicador e o dedão da mão esquerda estão cheirando a merda até agora. O fedor é imune a sabonete e álcool gel.)

Coloquei um pedacinho em cima do arroz e sobrevivi ao micro-ondas, mas tive que comer controlando a respiração.

Guardei o resto num pote hermético. O Alex não estava em casa, e eu não queria jogar o queijo fora sem pelo menos oferecer pra ele.

O Alex chega do trabalho. Eu aviso que tem comida pronta e que eu finalmente abri o queijo da Espanha. Falo pra ele pegar o pote na geladeira se ele quiser comer.

Ele pega o pote.

Ele abre o pote.

“THIS SMELLS LIKE POOP!!!”

Coisas que fazemos quando estamos desempregadas: KonMari no guarda-roupa

Já faz um tempinho que eu queria dar uma geral no guarda-roupa, e, depois de assistir a uns episódios de “Ordem na Casa”, no Netflix, me veio a inspiração. Para quem não conhece, “Ordem na Casa” é um programa onde a Marie Kondo, japonesa que é a papisa fofinha da organização pessoal, vai até a casa das pessoas ensinando o método KonMari que ela mesma desenvolveu.

O método KonMari tem seis regras básicas, que são:

1) Comprometa-se com a arrumação
2) Visualize o seu estilo de vida ideal
3) Termine de descartar o que precisa ser descartado antes de seguir para outras coisas
4) Organize por categoria, não por localização
5) Siga a ordem correta
6) Pergunte a si mesmo: isso desperta alegria? (em inglês: “does it spark joy?”)

As categorias citadas na regra número quatro são: roupas, livros, papeis, itens aleatórios, e, por último, itens sentimentais. A regra número cinco fala para seguir essa ordem porque assim o “alegrômetro” vai ficando apurado para quando chega a vez dos itens sentimentais, e deu certo para mim porque roupas são a primeira coisa que eu queria arrumar mesmo.

Na série que passa no Netflix, o primeiro passo da arrumação das roupas é juntar tudo o que a pessoa tem e botar numa pilha só. Todas as roupas espalhadas pela casa, em gavetas, prateleiras, araras… tudo. Depois, é segurar peça por peça e perguntar: “isso desperta alegria?”. O que for “sim” vai pra um lado. E o que for “não”? É mais interessante. A Marie Kondo instrui que a pessoa não deve simplesmente tacar a peça no lixo, mas agradecer a peça, tipo “obrigada pelos seus serviços”, e só então coloca-la com cuidado na pilha do “não”. No fim, é dobrar tudo bonitinho – ela tem um método próprio para isso também – e arrumar os “sim”s no guarda-roupa e dar um fim aos “não”s.

O que funcionou para mim

Todas as minhas roupas empilhadas em cima da cama. Does it spark joy? Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

– Eu gostei da ideia de botar todas as roupas em uma pilha só. Acho que como fica tudo espalhado, a gente perde a noção de quanta coisa a gente tem. No meu caso o impacto não foi grande porque eu não tenho tanta roupa assim (especialmente para uma ex-jornalista de moda), mas eu acho a ideia boa. É tipo quando a mulher daquele reality de dieta You Are What You Eat botava tudo que a pessoa come em uma semana de uma vez, em cima de uma mesa gigante. É o choque de ver tudo junto.

– Segurar peça por peça faz sentido porque você presta mais atenção. Além da questão do “desperta alegria?”, você nota o tecido, a cor, a modelagem, e toma tempo para pensar se ela ainda faz sentido no seu guarda-roupa.

– Agradecer as peças que você não vai mais usar é o grande trunfo do método KonMari. Eu acho que quando a gente arruma o armário, muita coisa que deveria ir embora acaba ficando porque a a gente se sente culpada em se desfazer da peça. “Ah, esse vestido me acompanhou em tantas festas boas” – e fica lá o vestido que já tá quase transparente de tão gasto. “Ah, essa camiseta que era a minha favorita durante a faculdade” – e fica lá a camiseta com o sovaco amarelo impossível de lavar. A abordagem da Marie Kondo é inteligente porque te fazer reconhecer que aquela peça te serviu bem, e que está na hora dela partir, e que você pode fazer isso com o coração leve.

O que não funcionou para mim

– Eu acho que a pergunta “isso desperta alegria?” não funciona sozinha como indicativo do que deve ficar e do que deve sair do guarda-roupa. Talvez dê certo na última categoria, de itens sentimentais, mas para roupas, que é um negócio muito prático, não adianta só a peça te despertar alegria. Por exemplo: eu tinha vários itens lindos no meu armário que eu nunca escolhia para vestir, mas que me despertavam alegria, porque, como eu disse, eles são lindos. Durante a arrumação, eu fiz questão de experimentar todas essas peças que eu não uso faz tempo, e, surpresa!, várias delas já não cabem mais em mim, porque eu engordei uns quilos nos últimos dois anos. Eu acho que, com roupa, a gente tem que ser muito honesta com a gente mesma. “Eu vou fazer alguma coisa para perder peso e voltar a caber nessa saia? Não? Então ‘obrigada, saia, você foi boa para mim, agora está na hora de você ir vestir outra pessoa’.”

Ao final do processo, as peças do “sim” voltaram pro armário. Estas são as minhas calças (e uns vestidos), dobradas do jeito que a Marie Kondo sugere, para ficarem assim “em pé”. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Para terminar, só quero deixar aqui este tweet maravilhoso:

O nome completo da Kitty

O mais legal de ser casada com uma pessoa de outra nacionalidade é que você está sempre aprendendo coisas de outro país. Recentemente, eu entendi a questão dos nomes na Rússia – e descobri como é o nome completo da Kitty.

Kitty, Monster Face, Senhorita Bigodes. A gente chama a Kitty de vários jeitos, mas ela tem um nome real oficial. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

1) Sobrenome: assim como na Coreia, tradicionalmente, as crianças nascidas na Rússia recebem apenas o sobrenome do pai. Mas há um detalhe. Os meninos recebem o sobrenome exatamente com a mesma grafia, enquanto que as meninas recebem o sobrenome com um “a” no final. O sobrenome do Alex é Maliarov; portanto, o sobrenome da Kitty é Maliarova.

2) Nome do meio: além do sobrenome, o nome próprio do pai também vai para a certidão de nascimento das crianças russas, e vira um nome do meio com a adição de um sufixo específico para os meninos (“ich”, “vich” ou “evich”) e outro para as meninas (“ovna”, “evna” ou “ichna”). O nome do Alex é Alexander; portanto, o nome do meio da Kitty é Alexandrovna (com ênfase no primeiro “a” – “Alexândrovna”).

3) Nome próprio: o Alex tem vários amigos russos, ucranianos e bielorrussos que viraram meus amigos também, e eu fiquei chocada nesta semana porque finalmente descobri que o nome de muitos deles, pelos quais eu sempre os chamei, não é o nome deles; é o apelido. O único que eu já sabia é o Sasha, que é o apelido de Aleksandr (o Alex, meu marido, é Alex pra gente, mas ele é Sasha para toda a família e os amigos que falam russo). Dima é Dmitry. Pasha é Pavel. Slavik é Vyacheslav. E Katya é Yekaterina. Foi assim que a conversa começou. A Katya veio em casa e conheceu a Kitty, e disse: “Katya e Kitty são quase iguais. E se eu sou Yekaterina, a Kitty deve ser…”

“- Yekittyrina”, concluiu o Alex.

Então é isso. O nome completo da Kitty é Yekittyrina Alexandrovna Maliarova.