Uma atualização sobre os bolos e iogurtes

Gente, eu tive um retorno tão bom depois do post do iogurte! Várias pessoas me mandaram mensagens muito queridas, inclusive uma delas disse que ia me dar uma iogurteira TopTherm.

Vamos falar de coisa boa?

Pois eu te digo que não precisa mais, amiga, porque logo depois que publiquei aquele post, eu cheguei na empresa, abri a geladeira, e comi um iogurte! E comi com granola, ainda por cima, porque…

Porque eu sou RICAAA!!

E mais: uns dias depois, teve outro aniversário na empresa, e eu peguei um pedaço de bolo e comi! Ele já estava cortado e servido no prato, porque eu não sou um lobo selvagem, né, mas eu fui busca-lo na mesa, sem ninguém me oferecer, e pra mim isso já foi uma vitória.

O negócio é comemorar as pequenas vitórias

Apenas um detalhe, que, na semana passada, eu adicionei o pessoal da equipe no Facebook, e agora eu to achando que eles leram meu blog no Google Translate, porque ontem teve aniversário de novo, e, pela primeira vez desde que eu comecei a trabalhar lá, eles cortaram e serviram o bolo e deram na mão de cada pessoa 😅😅😅

Minha cara quando me ofereceram bolo sendo que eu acabei de escrever um post no blog falando que eles não oferecem bolo

Minha próxima missão: fazer um sanduíche!

Fica, vai ter bolo

A gente acha que o Brasil é um país super informal, mas depois de dois anos em Israel, que é um lugar realmente sem formalidades, eu percebo que o brasileiro na verdade é cheio de regras de etiqueta.

O brasileiro, quando entra no elevador do trabalho, fala “bom dia” mesmo pra quem ele não conhece. Quando senta do lado de alguém no ônibus, fala “licença”. Também pede “licença” para entrar, já convidado, na casa de uma pessoa – e normalmente recebe de volta um “fique à vontade”, seguido por um “não repare na bagunça”. Quando come na frente dos outros, oferece o lanche pra roda. Quando corta um bolo de aniversário, bota cada fatia em um prato e vai passando pros convidados. “Você já pegou bolo?”, a gente faz questão de perguntar.

Tudo isso é regra de etiqueta. Alguns diriam que é “educação básica”, que quem não faz essas coisas é “mal educado”, mas esse tipo de “educação” é uma norma social, né. Cada cultura tem a sua. E Israel, pelo que vi até agora, não segue essas normas.

Uma história que aconteceu recentemente, no meu trabalho novo:

Um dia, na minha segunda semana de trabalho, eu notei que estava rolando uma movimentação na sala comum da empresa. A minha equipe trabalha num semi-aquário, então dá pra ver mais ou menos o que acontece nas partes comuns do nosso andar. Vi as pessoas das outras equipes carregando bolos e docinhos. Mas não era comigo, então continuei trabalhando com a cara no computador.

Depois de um minutos, meu editor, parado na porta, me chama a atenção. Levanto a cabeça e só então vejo que estou sozinha na sala; todo o resto da equipe já tinha se juntado à movimentação do lado de fora.

“E aí, você não vem?”, ele pergunta. Eu nem sei do que ele está falando. Pergunto o que está tendo do lado de fora e ele responde “é um aniversário!”, e só falta ele completar com um “dããã!”.

Levanto e vou atrás dele. É aniversário de uma menina de outra equipe. A empresa é relativamente grande, e eu ainda não tinha conhecido ninguém do outro lado, então não sabia o nome da moça, nem o que ela fazia (pra falar a verdade, não sei até agora).

Os chefes falaram umas palavras rápidas, a menina fez um minidiscurso, e aí era hora do bolo.

Mas ela não cortou o bolo e botou nos pratos e foi passando pras pessoas. O bolo ficou lá. Quem queria comer ia pra mesa, cortava o próprio pedaço, botava no seu prato, e comia.

Gente, quem sou eu pra ir cortar o bolo de aniversário de uma menina que eu nem conheço, e pra cujo aniversário eu nem tinha sido convidada? Claro que não comi o bolo, né. E desde então, já tivemos uns três aniversários de funcionários na empresa, e eu ainda não comi bolo nenhum haha #loser

Coração quentinho na estação de trem

Eu estava na estação de trem esperando para ir pra casa, quando os alto-falantes fizeram um anúncio em hebraico e as pessoas na minha plataforma começaram a se movimentar com pressa; era alguma coisa sobre um trem próximo ter mudado de plataforma.

Tirei o fone de ouvido e prestei atenção à repetição do anúncio, mas não consegui entender qual trem tinha mudado. Estava lá tentando compreender se eu também precisava correr, quando, do meio daquela manada de gente, sai um moço com farda de soldado que para na minha frente e me pergunta, em inglês com sotaque, qual trem eu estou esperando. Ele me explica o que foi dito nos alto-falantes, e concluímos que não foi o meu trem que mudou; eu posso continuar onde estou. Eu agradeço de coração quentinho. A gente troca sorrisos. Ele se funde à manada de gente correndo.

Alarme falso

Eu sempre falo pras pessoas que eu me sinto mais segura em Israel do que no Brasil, porque aqui a gente não lida com o medo diário de coisas como furto, assalto, sequestro, assédio. Mas eu também não esqueço que eu moro onde moro, e já passei por alguns sustos por isso.

Em várias ocasiões, sozinha em casa, eu achei que as sirenes de ataque aéreo estavam disparando. Mas foram sempre sustos rápidos, durante dois ou três segundos em que eu paro de respirar para prestar atenção ao barulho, percebo que era apenas um vento forte, e relaxo.

Hoje foi a primeira vez que eu me enganei por tempo suficiente para fazer algo a respeito.

Eu estava sentada no sofá brincando com a Kitty quando escutei o que parecia ser a sirene. Esperei dois ou três segundos até o “vento” passar, mas, em vez disso, o som fez uma ondulação e seguiu constante. Meu coração parou. “É a sirene!!”, pensei. Em movimentos de escavadeira, botei as mãos por baixo da gata, a levantei pro meu colo, segurei com os dois braços e corri pro mamad, que é o quarto de segurança reforçada onde você deve se abrigar em caso de ataque aéreo.

Estava tentando abrir a porta – que é pesadíssima, por sinal – sem derrubar a Kitty quando percebi que o barulho tinha parado. Mais um alarme falso. Era só o vento de novo, aparentemente.

A gata ficou sem entender nada.

UPDATE 16h10: acabei de ler no jpost.com que a sirene de ataque aéreo soou hoje de manhã, sim. Não foi o vento. Foi um alarme programado (aparentemente com pouca antecedência, porque a reportagem do “The Jerusalem Post” foi publicada às 6h22 e eu pulei do sofá com a Kitty nos braços às 10h05) para testar o novo sistema nacional de ativação da sirene.