Portugal ternurinha: um guia para chamar de meu

Já que fiz o post sobre Alfama, vou aproveitar e escrever mais da nossa viagem a Portugal, porque eu me conheço e sei que daqui a pouco vou esquecer várias coisas importantes #memóriadepeixe

O Alex e eu fomos para Portugal com a difícil tarefa de não esperar demais, porque todo mundo que conheço que viajou para lá voltou falando maravilhas, e a gente que tem mais de 30 anos nas costas sabe que quem se enche de expectativa transborda de decepção. MAS! Portugal abalou, abalou, sacudiu, balançou, e eu serei para sempre apaixonada por essa terra ternuninha.

(Pausa para agradecer a todos os amigos que me ajudaram com o planejamento dos passeios, especialmente a Ju, minha amiga portuguesa fofa querida demais que me mandou um guia supercompleto, cheio de dicas de insider.)

Sans Alex

Durante os nossos primeiros dias em Lisboa, o Alex estava participando de um congresso de oftalmologia, então nesse tempo eu fiz vários passeios sozinha – que acabaram sendo alguns dos melhores da viagem (lol, sorry, baby!). Primeiro destaque: Fundação Calouste Gulbenkian, um centro cultural com museu, um instituto de ciência e um jardim enorme completamente delicinha, lugar perfeito para passar uma tarde descansando na grama, lendo um livro, observando os patos… Muitos patos. Eu amo patos.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Patos, muitos patos @ Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Outro passeio sans Alex foi a caminhada do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Ninguém suuuper me recomendou essa dobradinha, mas tava perto do nosso hotel, então eu fui; e foi lindo. O trajeto não tem nada que seja exatamente uma “atração” turística, mas o dia estava tão bonito e o clima estava tão gostoso que eu só sentei à beira d’água para absorver aquela cena maravilhosa e caiu uma lagriminha de emoção. O Oceanário é bem legal também.

Vista no Parque das Nações. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Caminho do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Pastéis de Belém!!!

Castelos, Mosteiros, Torres. Acho que fizemos todos os principais de Lisboa e Belém, e são todos lindos. Mas o que eu preciso registrar sobre Belém é: pastéis. Pastéis de Belém. Amor verdadeiro, amor eterno. Vou deixar explicado na “voz” da Ju, do jeito que ela me escreveu por e-mail: “Já falei lá em cima, mas decidi reforçar com um ponto dedicado somente a ele. OBRIGATÓRIO ir nos Pastéis de Belém!!! Uma vez aqui, vocês irão entender porque qualquer português insiste que Pastel de Nata é uma coisa e Pastel de Belém é outra. Esse último só existe, de fato, nesta loja específica de Belém! Esqueçam tudo o que vocês já comeram (que nunca foi Pastel de Belém, lamento informar, mas sim Pastel de Nata) e aproveitem!!! Lembro que não existe comer só um. Mesmo nós locais, quando lá vamos, comemos pelo menos dois, de tão bom que é. E reparem só, não estou tendo nenhum pudor em colocar a expectativa no alto…então, se preparem :)”. Eu comi quatro.

Pastéis de Belém: amor à primeira mordida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Fado vadio

Tinham me falado do fado vadio (o fado amador, não profissional) – que é isto, que é aquilo, que é emocionante, que faz chorar, etc. Não levei à sério. Daí sentamos no Mascote da Atalaia, uma casa de fado minúscula, com uns 15 lugares, e estávamos lá espremidos em uma micromesa com um casal de alemães, quando uma jovem que eu achei que era cliente do restaurante sobe ao palco (“palco” = um espacinho de 2x2m para ela e os dois guitarristas) e ela começa a cantar, e, no instante que saiu a primeira nota da boca dela, os meus olhos encheram de lágrima e eu passei o resto da música chorando e pensando “meudeus, eu vou ficar assim a noite inteira?? #vexame”.

Luis Coelho, Ana Margarida e Pedro Pinhal em noite de fado no Mascote da Atalaia. Vendo a foto, lembrei que: os artistas se posicionam bem em frente à entrada para o banheiro, ou seja, se você quiser ir ao banheiro durante a apresentação, você não vai. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Obs.: não, não passei a noite inteira chorando; a música seguinte era feliz e saltitante, ufa! Obs2.: a gente acabou fazendo amizade com o casal de alemães com quem estávamos espremidos, e fiquei pensando “nossa, que mundo maravilhoso esse em que vivemos hoje, em que uma brasileira coreana e um russo israelense podem fazer amizade com um casal de alemães durante uma apresentação de música tradicional portuguesa!”. Obs3.: fado vadio é meio que uma loteria, você tem que dar sorte de pegar um cantor bom. Nessa noite a cantora era a Ana Margarida com os guitarristas Pedro Pinhal e Luis Coelho; mas voltamos ao Mascote da Atalaia alguns dias depois e era outra formação, e não foi tão legal.

Melhor idade

A nossa passagem por Sintra foi apenas um vislumbre da vida que eu vou ter quando for uma velha rica. Quando eu for uma velha rica, vou morar em Sintra, mais especificamente no bed & breakfast Villa Mira Longa. Lá, tomarei meus cafés da manhã na bancada com vista para o vilarejo, e usarei minha faca de manteiga com formato de pavão para amanteigar meus brioches, empregando minha colherzinha com ponta em formato de bule para mexer meu café feito na hora. Passearei logo cedo com o meu cachorro golden retriever que vou batizar de Senhor Pastéis de Belém, e então seguirei para minha caminhada no Parque e Palácio Nacional da Pena, na Quinta e Palácio da Regaleira, ou no Parque e Palácio de Monserrate. Todas as minhas refeições serão feitas no restaurante Tascantiga, onde eles abrirão uma exceção no seu formato de tapas somente para mim, e me servirão porções jumbo dos seus camarões fritos com alho e coentro.

Villa Mira Longa, minha futura residência de velha rica em Sintra. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Faca de pavão, colher de bule e cão golden retriever. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Palácio Nacional da Pena. É o palácio mais diferentão que visitamos em Portugal. Por fora ele é todo colorido, o que dá a impressão de que vários arquitetos ficaram responsáveis por uma parte do palácio, e no final eles tiveram que juntar os pedaços que cada um ergueu. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Palácio Nacional da Pena. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Quinta da Regaleira, em Sintra. Um parquezão lindo com cara de floresta encantada. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Parque e Palácio de Monserrate, em Sintra. O palácio em si não tem tanto para ver quanto os outros que visitamos em Portugal (a não ser que você seja nerd da arquitetura), mas o parque impressiona – são 33 hectares de jardins com exemplares botânicos do mundo todo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Eu geralmente fujo de restaurantes de tapas porque não gosto de porções pequenas, nem de compartilhar comida; mas esse restaurante Tascantiga é a coisa mais fofa e deliciosa que comi em Portugal. A gente quis ir lá de novo para a nossa última refeição em Sintra antes de voltarmos a Lisboa, mas eles estavam fechados! Quase chorei! Aqui, camarão frito com alho e coentro; salada defumada de queijo fresco e tomate (no potinho fechado; quando você abre a tampa, você vê a fumaça saindo); mexilhões com molho vinagrete; e sopa de melão com hortelã fresca e presunto. Tudo delicioso. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Ei, m’nina!

Tava lembrando de um episódio que aconteceu na nossa viagem a Portugal, no ano passado; uma noite pitoresca em Alfama, um dos bairros mais antigos de Lisboa, com casinhas antigas, ruazinhas antigas, pessoinhas antigas.

Uma arte fofa que vimos em Alfama, Portugal. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Alex e eu procurávamos por um supermercado para comprar água, mas estávamos indo de ruela em ruela e nada do mercado indicado no mapa do nosso anfitrião no Airbnb. Parei em uma loja de penduricalhos para pedir direções, e, antes que o dono do lugar pudesse me responder, a senhorinha de 200 anos que estava conversando com ele se ofereceu para me acompanhar até a saída da parte antiga do bairro, de onde seria fácil encontrar o mercado. Oba!, e lá fomos nós, devagarzinho escadaria abaixo, eu com medo de a senhora escorregar (o chão de Alfama é todo de pedra lisinha, lisinha, e a parte mais antiga do bairro é quase toda em degraus), e a senhora com medo do Alex (ele estava mal-humorado e foi andando alguns passos atrás da gente; quando a senhora viu que tinha um homem mal-encarado nos seguindo, ela pegou no meu braço e olhou para mim tipo “eita”, mas expliquei para ela que era só o meu marido mal-humorado e ela riu. Life hack: nunca deixe um israelense sem acesso a água de beber).

Chegamos ao fim da parte residencial e ela nos explicou como chegar ao mercado: atravessa a avenida mantendo-se à esquerda, desce desce desce, e vais ver o luminoso escrito: “Santa Apolônia”. É lá. Agrademos a gentileza da senhora; ela seguiu pelo seu caminho e nós fomos em direção ao mercado.

Não encontramos o mercado. A gente foi na direção que a senhora havia ensinado, mas quando chegamos ao “Santa Apolônia”, o lugar era uma estação de trem. Fón! Pensei putz, e agora, Sarah Lee? Você sabe que não deve deixar um israelense sem acesso a água de beber! Daí lembrei: pera, será que em Portugal pode-se tomar água da torneira? Santo Google nos trouxe a resposta: sim! O humor do Alex começou a melhorar.

Fizemos todo o caminho de volta ao centrinho de Alfama, e, como estávamos na hora do jantar em uma zona residencial de um país onde as pessoas amam comer, dava para sentir na rua o cheiro maravilhoso de comida de vó saindo do forno. Aaai, vamos jantar? Vamos! No meio de uma ladeira especialmente íngreme, chegamos a um pequeno restaurante com mesas do lado de fora, em um pátio cheio de charme. Sentamos em uma das mesinhas compartilhadas e pedimos água. E sardinhas grelhadas.

Terminamos de comer e fomos voltando devagar para a nossa casinha alugada. Alfama é legal porque é um bairro com relativamente poucos turistas, ótimo para quem gosta de escutar a voz local: o movimento dos moradores, a conversa do dia a dia – especialmente porque o português de Portugal é um idioma que dança nos ouvidos. Tava lá viajando nos chiados locais quando uma voz de mulher sobressai: “Ei, m’nina!”. Continuei na minha viagem, quando ouvi de novo, “M’nina!”. Pensei, aff, gente que fala gritando, pra que isso? “M’nina! EI, M’NINA!” – a mulher levantou a voz com uma urgência que eu achei que estava acontecendo um roubo na lojinha da frente! Parei, tensa. “M’NINA, AQUI, M’NINA!”. Olhei para cima, de onde vinha a voz. Na bancada do segundo andar de uma casa superantiga estava a senhorinha que havia nos ajudado mais cedo; ela queria saber se a gente tinha encontrado o supermercado [emoji de risada com lagriminhas saindo do canto dos olhos].

+ Portugal ternurinha: um guia para chamar de meu

Los Angeles – Seul – Los Angeles – parte 5

A viagem pra Coreia teve vários momentos curiosos e memoráveis (gostei especialmente deste aqui, que eu explico melhor aqui), mas, neste último post da série Los Angeles – Seul – Los Angeles, eu escolhi falar sobre… Gangnam Style!

+ Algumas observações sobre a viagem à Coreia

Gangnam foi uma boa surpresa. Eu já tinha feito uma parada-relâmpago nesse distrito de Seul há alguns anos, em 2012, mas fiquei só na área comercial e não vi muita graça. Desta vez a gente estava por dentro dos paranauês e fomos direto pra região que vale o passeio: Shingsa-dong Garosugil.

Trata-se de uma rua de cerca de um quilômetro de comprimento que concentra alguns dos restaurantes e cafés mais charmosos da capital, além de lojas e mais lojas de grandes grifes internacionais ao lado de marcas coreanas independentes. Muitos visitantes passam por lá todos os dias, tanto locais quanto estrangeiros, e quase todos jovens, na faixa dos 20-30 anos. É movimentado, mas tranquilo o suficiente para gastar umas boas horinhas caminhando com calma e entrando em cada porta.

Passeando pelo distrito de Gangnam (o tempo todo com a música “Gangnam Style” na cabeça). Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Mais do “Gangnam Style”: cafés bonitinhos, lojas lotadas e, pelas ruas, só gente jovem. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Ali por perto fica um restaurante que a gente procurou por indicação da minha tia, e que acabou sendo a melhor coisa que eu comi durante toda a estadia na Coreia: 쮸즈 딤섬+누들 (Jooo’s Dimsum + Noodle). Ele fica em uma ruela que passa quase despercebida, mas desça alguns poucos metros e não tem erro, você logo vai enxergar a fila pro restaurante.

O que acontece é que a comida é excelente e o lugar é minúsculo. Sério, eu contei 14 cadeiras. Para atender à demanda, eles desenvolveram uma técnica ninja de atendimento que eu nunca tinha visto: os pedidos são tirados na fila, e na fila apenas. À medida que os pratos vão ficando prontos na cozinha – e os clientes que terminaram de comer vão indo embora -, as pessoas na fila vão sendo chamadas e, quando você chega à sua mesa, chega também o seu prato. Amou o seu dim sum, quer casar com o seu dim sum, e, pra isso, você precisa de mais uma porção de dim sum? Volte outro dia, obrigado. O moço da cozinha só passa na sua mesa pra botar e tirar pratos.

Não sei se esse esquema funcionaria no Brasil, porque a galera aaama conversar com o garçom, pedir a opinião do garçom, perguntar se o garçom prefere o frango ao curry ou ao molho de coco. Mas lá dá certo; eles conseguem administrar o tempo de espera, que é longe de ser catastrófico considerando-se a equação famintos/mesas (1 hora), e todo mundo acaba saindo de lá satisfeito porque, como eu disse, a comida é excelente.

Melhor dim sum da vida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Los Angeles – Seul – Los Angeles – parte 4

(Parênteses pra comentar que não tem nem uma semana que eu voltei, mas já parece que essa viagem foi há uma vida.)

덕수궁. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Algumas observações sobre a viagem à Coreia:

– O aeroporto internacional de Incheon é o mais eficiente que eu tenho na memória. Sabe quanto tempo a gente ficou na fila da imigração? Zero. O atendimento também foi recorde: tec-tec-tec-tec-tec-tchau.

– Seul tem recebido muitos turistas, e o sistema de transporte da cidade se adaptou para acomodar os visitantes. O ônibus que a gente pegou pra ir do aeroporto pro nosso guest house anunciava cada parada em coreano, chinês, inglês e japonês. Metrô e linhas de trem fazem os anúncios em coreano e inglês, por autofalante e por escrito em telas posicionadas em todos os vagões.

– Diz-se que Seul é a metrópole com a melhor cobertura de metrô do mundo. Se é a melhor do mundo eu não sei dizer, mas o metrô foi o nosso principal meio de transporte por lá, e eu não tenho do que reclamar. Uma curiosidade: no metrô coreano, você passa o “bilhete único” na entrada e na saída. Por quê? Porque na entrada você paga a tarifa padrão; e na saída, dependendo da distância percorrida, você pode ser cobrado uma pequena taxa extra. O máximo de taxa extra que eu paguei por lá foi uns 30 centavos, depois de uma viagem bastante longa.

– Dois contrastes me chamaram a atenção na Coreia: o verde da natureza (tem muita natureza preservada na Coreia; good job!) X o cinza da cidade; e os prédios megamodernos X as construções histórias antiquíssimas preservadas ali, na rua, casualmente.

Cheonggyecheon, riacho espaço de recreação pública bem no meio de Seul. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Namdaemun Gate, um dos oito portões da fortaleza que protegia Seul de invasores, foi construído no século 14! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

– As meninas na Coreia são super arrumadinhas, com outfit bem pensado e maquiagem perfeita. Arrumadinhas, bonitinhas, delicadinhas. Eu andava por Seul me sentindo um grande Godzilla peludo.

– Ainda sobre as meninas: eita, pele boa! O que me leva a outra observação:

– O produto número 1 que eu acredito que as pessoas têm que comprar quando elas vão pra Coreia é filtro solar. Sério, esqueça Vichy, La Roche, Shiseido e afins; ninguém faz filtro solar como os coreanos! Eu recomendo dois da Missha que são excelentes: All Around Safe Block Essence Sun Milk pro rosto e All Around Safe Block Total Moisture Sun Gel pro corpo.

Los Angeles – Seul – Los Angeles – parte 3

Na primeira parte da estadia em L.A., a gente acabou dedicando muito muito muito mais tempo do que eu gostaria à minha busca por um vestido de noiva. Uma busca que não deu em nada – exceto na ideia de realizar um casamento nudista. Mas isso é assunto pra outro post.

Na segunda parte da estadia em L.A., eu fiquei o tempo todo no modo semizumbi. É que passei mal no voo de Incheon para Los Angeles; tipo, muito muito muito mal. Vomitei cinco vezes dentro do avião e, depois de desembarcar, ainda vomitei de novo na área de retirada de bagagem. O enjoo me acompanhou durante dias, e eu não comi quase nada além de juk por mais de uma semana – mesmo depois de voltar ao Brasil.

Algumas observações sobre a viagem:

– O staff do aeroporto de Los Angeles é dos mais grosseiros. Tratam as pessoas como gado, e se eles dão alguma ordem que você não entende de primeira (haja sotaque nessa cidade), só falta pegarem um megafone pra gritar no seu ouvido. Mas na imigração eles foram simpáticos; o moço que checou nossos passaportes na volta da Coreia até falou em coreano com a minha mãe, na hora de fazer a foto e o registro de digitais.

– Los Angeles é uma cidade onde tudo é perto, mas tudo é longe, porque se você não tem carro você não vai pra lugar nenhum.

– Tenho parentes que moram em Los Angeles que eu não via há mais de 10 anos. Uma prima era uma criança da última vez que nos encontramos, e hoje ela está na faculdade, e ela está da minha altura, e ela fala como gente grande!

– Depois do casamento do meu primo, e depois da balada, a gente deu um perdido em todo mundo saiu discretamente pra comer no The Halal Guys, uma franquia que começou como um food cart despretensioso em Nova York. O prato é supersimples – basicamente carne ou frango fatiado sobre arroz com uma salada de alface e cenoura ralada -, mas o negócio é cult em NY, e aparentemente sempre tem fila pra comer no carrinho que fica na 53rd Street com a 6th Avenue. Achei a comida apenas ok (sorry, cousins), mas os molhinhos são memoráveis: um branco que é uma espécie de maionese, e um de pimenta que é treta. Outros destaques culinários de Los Angeles: Shabuya, restaurante all-you-can-eat de shabu-shabu; e o République, que é uma delícia pra tomar brunch no fim de semana e tem o ambiente mais legal que eu vi nos últimos tempos.

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O molhinho de pimenta treta do The Halal Guys. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Brunch no République: torrada de sourdough com ricotta di bufala, figo, mel e avelãs. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

– Um susto no dia do nosso voo dos Estados Unidos para a Coreia: houve um falso alarme (ufa!) de que um atirador estava à solta no aeroporto internacional de Los Angeles, o que fez com que alguns terminais fossem evacuados e, as estradas, bloqueadas pela polícia. E fazendo com que o clima de terror e pânico se espalhasse geral, né. Na hora, a gente estava no carro da minha tia, a caminho do aeroporto, quase chegando ao terminal 1. De repente, o trânsito simplesmente parou. Depois de longos minutos sem ninguém saber o que estava acontecendo, um motorista desceu do carro e foi espalhando a notícia: “houve um tiroteio no aeroporto!”. Eu encontrei o wi-fi aberto de um hotel e fui acompanhando tudo pelo Twitter. Agora a gente olha e fala “pff, não foi nada”, mas foi tenso. Vários tweets confirmavam o tiroteio, e uma galera chegou a compartilhar até que a polícia havia identificado o atirador como um extremista de direita – tinha nome e foto e tudo! No fim das contas foi tudo esclarecido. Depois de quase duas horas paradas na estrada, continuamos até o aeroporto. O voo atrasou menos do que eu esperava, até; estava marcado para as 23h30, mas partiu à 1h40.