Orelha de burro, cabeça de ET

A gente acha que a mudança de país vai ser difícil no começo, e que lentamente as coisas vão ficando mais fáceis hahaha, não, as coisas vão ficando piores. Porque quando você cai de para-quedas nesse mundo novo, tudo bem que você não sabe falar, ler e escrever, tudo bem que você pede o menu em inglês no restaurante, tudo bem que o seu marido marca a sua consulta no médico. Mas daí um dia você vê que gastou meia hora andando no sol pra ir ao Correio buscar uma encomenda, e quando você é atendida e dá o papel de aviso de tentativa de entrega pro moço, ele diz que você está no lugar errado, e você pede pra ele escrever o endereço do lugar certo, e ele diz que o endereço está no papel, e você olha pra onde ele está apontando e realmente, o endereço está lá anotado em negrito, mas você não tinha entendido porque está em hebraico, daí você agradece e sai encabulada porque poxa, virei essas pessoas que fazem mongolice porque não leram as instruções, daí você bota o endereço no Google Maps e anda mais meia hora no sol até o lugar certo, e dá de cara com as portas fechadas porque veja só, eles só abrem às 13h – como está escrito no papel, em hebraico. No Brasil você era jornalista e Comunicação era o seu trabalho; em Israel você joga duas horas inteiras do seu dia no lixo porque já faz quase um ano que você mora aqui e você ainda não consegue ler um papelzinho. Porra, Sarah Lee.

Tome sorvete

Um pediatra especializado em cuidados paliativos perguntou a alguns de seus pacientes com doenças terminais sobre as coisas boas da vida. Que pancada.

UPDATE 18.02: ali em cima eu tinha colocado o link direto para o thread no Twitter, mas acabei de ver que, por algum motivo, os tweets não estão mais sendo mostrados na ordem :/ Vou copiar e colar para vocês lerem aqui mesmo. Do twitter do dr. Alastair McAlpine:

For an assignment, I asked some of my terminal paediatric palliative care patients what they had enjoyed in life, and what gave it meaning. Kids can be so wise, y’know. Here are some of the responses (Thread).

First:
NONE said they wished they’d watched more TV
NONE said they should’ve spent more time on Face Book
NONE said they enjoyed fighting with others
NONE enjoyed hospital
/1

MANY mentioned their pets:
‘I love Rufus, his funny bark makes me laugh.’
‘I love when Ginny snuggles up to me at night and purrs’
‘I was happiest riding Jake on the beach.’
/2

MANY mentioned their parents, often expressing worry or concern:
‘Hope mum will be ok. She seems sad.’
‘Dad mustn’t worry. He’ll see me again soon.’
‘God will take care of my mum and dad when I’m gone’
/3

ALL of them loved ice-cream.
/4

ALL of them loved books or being told stories, especially by their parents:
‘Harry Potter made me feel brave.’
‘I love stories in space!’
‘I want to be a great detective like Sherlock Holmes when I’m better!’

Folks, read to your kids! They love it. /5

MANY wished they had spent less time worrying about what others thought of them, and valued people who just treated them ‘normally’.
‘My real friends didn’t care when my hair fell out.’
‘Jane came to visit after the surgery and didn’t even notice the scar!’ /6

Many of them loved swimming, and the beach.
‘I made big sandcastles!’
‘Being in the sea with the waves was so exciting! My eyes didn’t even hurt!’ /7

Almost ALL of them valued kindness above most other virtues:
‘My granny is so kind to me. She always makes me smile.’
‘Jonny gave me half his sandwich when I didn’t eat mine. That was nice.’
‘I like it when that kind nurse is here. She’s gentle. And it hurts less’ /8

Almost ALL of them loved people who made them laugh:
‘That magician is so silly! His pants fell down and I couldn’t stop laughing!’
‘My daddy pulls funny faces which I just love!’
‘The boy in the next bed farted! Hahaha!’

Laughter relieves pain. /9

Kids love their toys, and their superheroes.
‘My Princess Sophia doll is my favourite!’
‘I love Batman!’ (All the boys love Batman)
‘I like cuddling my teddy’ /10

Finally, they ALL valued time with their family. Nothing was more important.
‘Mum and dad are the best!’
‘My sister always hugs me tight’
‘No one loves me like mummy loves me!’ /11

Take home message:
Be kind. Read more books. Spend time with your family. Crack jokes. Go to the beach. Hug your dog. Tell that special person you love them.

These are the things these kids wished they could’ve done more. The rest is details.

Oh… and eat ice-cream. /End

The Mash-Up Americans

Acabei de descobrir esse site e estou aqui chorando litros. O nome é The Mash-Up Americans; um pedaço da descrição:

“The Mash-Up Americans cares deeply about all kinds of things, like trying to understand what makes us who we are, eating delicious Brazilian and Salvadoran and Korean dishes and overcoming our guilt [prestem atenção aqui na palavra guilt, que vou voltar a ela mais tarde]. Sometimes we return to our roots, and sometimes we plant new seeds in unexpected places.”

Basicamente é um projeto sobre multiculturalismo. Os personagens são filhos de imigrantes, pessoas em relacionamentos inter-religiosos, casais inter-raciais, etc, e a conversa gira ao redor da dor e da delícia que é ser uma criatura multicultural.

O primeiro artigo que li foi o relato de uma colaboradora que nasceu na Coreia do Sul, cresceu nos Estados Unidos e, aos vinte e poucos anos, foi ter uma experiência de trabalho em Seul. Achei o texto excelente e continuei navegando. Um cliquezinho aqui, um cliquezinho ali, e resolvi clicar no “guilt” (“culpa”) que destaquei ali no segundo parágrafo. Pra quê?

Eu sou praticante do método Chandler Bing de lidar com sentimentos:

chandler-whats-wrong-with-me chandler-dont-open-that-door

(Gifset: reprodução)

Daí de repente dei de cara com um monte de depoimentos que, sério. Eu poderia ter escrito vários deles. E me veio uma avalanche de sensações, muitas das quais eu não quero nem comentar (crise de ugly cry, sim ou com certeza?), mas digo que: fiquei triste, daí fiquei feliz, daí fiquei triste, daí me senti minúscula, daí me senti enorme e daí pensei como é frágil o ser humano, que pode ser sensibilizado por meia dúzia de linhas redigidas por um completo desconhecido.

Enfim, recomendo o site para todos os meus amigos, mash-ups ou não: www.mashupamericans.com.