Viagem a Praga

(Este post faz parte de uma série de coisas que eu queria ter escrito no ano passado, mas querer não é poder, e muito menos fazer, não é mesmo?)

Passeio pelo Farmers Market à beira do rio Moldava (Vltava), em Praga, República Tcheca. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Essa viagem a Praga foi um presente na minha vida, literalmente. O Alex e eu fazemos aniversário no mesmo mês, então a mãe e o irmão dele decidiram nos dar uma viagem como presente conjunto, e o destino escolhido foi Praga. Ganhamos passagens, estadia, e até o transporte do aeroporto para o hotel, com o motorista nos esperando com nosso nome na plaquinha. Tudo organizado bonitinho. Foi lindo!

Eu já tinha ouvido falar muito bem de Praga, mas por algum motivo fiquei com uma ideia errada da cidade. Ouvia “Praga” e imaginava uma cidade medieval, gelada, encoberta por uma névoa pesada, habitada apenas por velhinhos mal-encarados. Que nada! Praga é uma cidade iluminada, vibrante, cheia de gente jovem, bonita, moderna. E muito, muito cheia de turistas, também, numa quantidade que eu nunca tinha visto.

Uma curiosidade: chegando ao aeroporto de Praga, o Alex notou que a sinalização para a área de checagem de passaportes era escrita em três idiomas: tcheco, russo e… coreano! Ele até brincou que as placas foram escritas especialmente pra gente (ele é russo e eu sou descendente de coreanos). Pois é. Para minha surpresa, Praga é um destino super popular entre os jovens da Coreia do Sul. Durante nossa estadia, vimos vários grupos de jovens coreanos, principalmente meninas. Lindas, bem vestidas, com cabelo impecável e pele de porcelana. Eu já fiz esse comentário uma vez quando estava viajando por Seul: perto das coreanas da Coreia, eu me sinto um porquinho oleoso.

Voltando a Praga. O Alex e eu fizemos dois free walking tours por lá, o que eu recomendo, porque Praga tem tanta história para contar. Entre outras atividades, também visitamos um cat café; o zoológico; e um museu de apetrechos sexuais.

Algumas fotos da viagem:

Nosso hotel (Park Inn – recomendo) ficava a uns 20 minutos andando do centrão da cidade. Nos primeiros dias, a gente fez o trajeto a pé, acompanhando o rio Moldava (Vltava); depois, passamos a usar o tram, o simpático bonde local. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
No Farmers Market, a versão tcheca do “achei que era sorvete mas era feijão”: achei que era carrinho de picolé, mas era carrinho de linguiça. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Em Praga, dá vontade de caminhar olhando só pra cima, porque a arquitetura lá é maravilhosa. A propósito, acho que nunca comentei isso aqui, mas: Israel tem alguns dos prédios mais feios que eu já vi na vida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Catedral de São Vito, no Castelo de Praga. Muito ouro. É impressionante (e assustador) entrar num lugar desses e imaginar o poder que a Igreja Católica tem/tinha sobre o mundo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Um dos gatinhos do cat café chamado Cat Café que visitamos em Praga. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Elefantíneos do Prague Zoo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Não temos foto do museu do sexo, mas temos foto de comida :) Encontramos um restaurante coreano chamado 밥; rýže em Praga e gostamos tanto que acabamos indo mais uma vez. Eu estava muito na larica de comida coreana porque em Israel não tem restaurante coreano. Mas agora eu comecei a arrasar muito fazendo minhas comidinhas em casa mesmo; me acompanhem no Instagram @leejwsarah! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Yom Kippur em Israel

Yom Kippur é uma data que envolve reflexão, arrependimento e oração pela misericórdia de Deus. É como um dia comum da minha vida. A diferença é que hoje tem um país inteiro fazendo a mesma coisa.

Este é o dia mais sagrado do calendário judaico, por isso costuma ser observado mesmo por judeus não-religiosos. É uma mobilização total. Ninguém trabalha; não tem um carro na rua, um ônibus; não tem nada na TV além de um aviso de que a transmissão volta depois do Yom Kippur.

Muita gente está jejuando desde ontem à noite, por isso estou tomando cuidado; hoje evitei usar o fogão e não esquentei nada no microondas para evitar cheirinho de comida (da série Coisas Que Nunca Imaginei Que Fosse Precisar Fazer Antes de Vir Morar em Israel).

Não tinha comida pronta na geladeira e o pão está no congelador, então não daria nem pra fazer um sanduíche sem botar no micro-ondas (e tem coisa que acorda mais o estômago do que cheirinho de pão quente?). Acabei inventando um macarrão mara, rápido de fazer e gostoso, que não precisa passar nada no fogo. A única coisa que cozinhei foi o macarrão em si, que não tem cheiro, então não tem problema. Passei o macarrão cozido direto da panela pra tigela com cream cheese, queijo, alho picado, tomatinho cortado em quartos, azeite, sal e pimenta do reino moída na hora. Como o macarrão estava superquente, o cream cheese e o queijo derreteram e ficou tudo cremoooso. Nhams.

comida yom kippur israel
Meu macarrão de Yom Kippur. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Gente, vou aproveitar o assunto para divulgar meu Twitter, @sarahjwlee, onde estou escrevendo sobre lances curtos da vida em Israel. Este post nasceu de tweets que joguei lá mais cedo :) Também estou com esta outra conta, @talmida_tova, onde estou tweetando só em hebraico, para praticar minha escrita!

Portugal ternurinha: um guia para chamar de meu

Já que fiz o post sobre Alfama, vou aproveitar e escrever mais da nossa viagem a Portugal, porque eu me conheço e sei que daqui a pouco vou esquecer várias coisas importantes #memóriadepeixe

O Alex e eu fomos para Portugal com a difícil tarefa de não esperar demais, porque todo mundo que conheço que viajou para lá voltou falando maravilhas, e a gente que tem mais de 30 anos nas costas sabe que quem se enche de expectativa transborda de decepção. MAS! Portugal abalou, abalou, sacudiu, balançou, e eu serei para sempre apaixonada por essa terra ternuninha.

(Pausa para agradecer a todos os amigos que me ajudaram com o planejamento dos passeios, especialmente a Ju, minha amiga portuguesa fofa querida demais que me mandou um guia supercompleto, cheio de dicas de insider.)

Sans Alex

Durante os nossos primeiros dias em Lisboa, o Alex estava participando de um congresso de oftalmologia, então nesse tempo eu fiz vários passeios sozinha – que acabaram sendo alguns dos melhores da viagem (lol, sorry, baby!). Primeiro destaque: Fundação Calouste Gulbenkian, um centro cultural com museu, um instituto de ciência e um jardim enorme completamente delicinha, lugar perfeito para passar uma tarde descansando na grama, lendo um livro, observando os patos… Muitos patos. Eu amo patos.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Patos, muitos patos @ Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Outro passeio sans Alex foi a caminhada do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Ninguém suuuper me recomendou essa dobradinha, mas tava perto do nosso hotel, então eu fui; e foi lindo. O trajeto não tem nada que seja exatamente uma “atração” turística, mas o dia estava tão bonito e o clima estava tão gostoso que eu só sentei à beira d’água para absorver aquela cena maravilhosa e caiu uma lagriminha de emoção. O Oceanário é bem legal também.

Vista no Parque das Nações. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Caminho do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Pastéis de Belém!!!

Castelos, Mosteiros, Torres. Acho que fizemos todos os principais de Lisboa e Belém, e são todos lindos. Mas o que eu preciso registrar sobre Belém é: pastéis. Pastéis de Belém. Amor verdadeiro, amor eterno. Vou deixar explicado na “voz” da Ju, do jeito que ela me escreveu por e-mail: “Já falei lá em cima, mas decidi reforçar com um ponto dedicado somente a ele. OBRIGATÓRIO ir nos Pastéis de Belém!!! Uma vez aqui, vocês irão entender porque qualquer português insiste que Pastel de Nata é uma coisa e Pastel de Belém é outra. Esse último só existe, de fato, nesta loja específica de Belém! Esqueçam tudo o que vocês já comeram (que nunca foi Pastel de Belém, lamento informar, mas sim Pastel de Nata) e aproveitem!!! Lembro que não existe comer só um. Mesmo nós locais, quando lá vamos, comemos pelo menos dois, de tão bom que é. E reparem só, não estou tendo nenhum pudor em colocar a expectativa no alto…então, se preparem :)”. Eu comi quatro.

Pastéis de Belém: amor à primeira mordida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Fado vadio

Tinham me falado do fado vadio (o fado amador, não profissional) – que é isto, que é aquilo, que é emocionante, que faz chorar, etc. Não levei à sério. Daí sentamos no Mascote da Atalaia, uma casa de fado minúscula, com uns 15 lugares, e estávamos lá espremidos em uma micromesa com um casal de alemães, quando uma jovem que eu achei que era cliente do restaurante sobe ao palco (“palco” = um espacinho de 2x2m para ela e os dois guitarristas) e ela começa a cantar, e, no instante que saiu a primeira nota da boca dela, os meus olhos encheram de lágrima e eu passei o resto da música chorando e pensando “meudeus, eu vou ficar assim a noite inteira?? #vexame”.

Luis Coelho, Ana Margarida e Pedro Pinhal em noite de fado no Mascote da Atalaia. Vendo a foto, lembrei que: os artistas se posicionam bem em frente à entrada para o banheiro, ou seja, se você quiser ir ao banheiro durante a apresentação, você não vai. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Obs.: não, não passei a noite inteira chorando; a música seguinte era feliz e saltitante, ufa! Obs2.: a gente acabou fazendo amizade com o casal de alemães com quem estávamos espremidos, e fiquei pensando “nossa, que mundo maravilhoso esse em que vivemos hoje, em que uma brasileira coreana e um russo israelense podem fazer amizade com um casal de alemães durante uma apresentação de música tradicional portuguesa!”. Obs3.: fado vadio é meio que uma loteria, você tem que dar sorte de pegar um cantor bom. Nessa noite a cantora era a Ana Margarida com os guitarristas Pedro Pinhal e Luis Coelho; mas voltamos ao Mascote da Atalaia alguns dias depois e era outra formação, e não foi tão legal.

Melhor idade

A nossa passagem por Sintra foi apenas um vislumbre da vida que eu vou ter quando for uma velha rica. Quando eu for uma velha rica, vou morar em Sintra, mais especificamente no bed & breakfast Villa Mira Longa. Lá, tomarei meus cafés da manhã na bancada com vista para o vilarejo, e usarei minha faca de manteiga com formato de pavão para amanteigar meus brioches, empregando minha colherzinha com ponta em formato de bule para mexer meu café feito na hora. Passearei logo cedo com o meu cachorro golden retriever que vou batizar de Senhor Pastéis de Belém, e então seguirei para minha caminhada no Parque e Palácio Nacional da Pena, na Quinta e Palácio da Regaleira, ou no Parque e Palácio de Monserrate. Todas as minhas refeições serão feitas no restaurante Tascantiga, onde eles abrirão uma exceção no seu formato de tapas somente para mim, e me servirão porções jumbo dos seus camarões fritos com alho e coentro.

Villa Mira Longa, minha futura residência de velha rica em Sintra. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Faca de pavão, colher de bule e cão golden retriever. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Palácio Nacional da Pena. É o palácio mais diferentão que visitamos em Portugal. Por fora ele é todo colorido, o que dá a impressão de que vários arquitetos ficaram responsáveis por uma parte do palácio, e no final eles tiveram que juntar os pedaços que cada um ergueu. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Palácio Nacional da Pena. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Quinta da Regaleira, em Sintra. Um parquezão lindo com cara de floresta encantada. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Parque e Palácio de Monserrate, em Sintra. O palácio em si não tem tanto para ver quanto os outros que visitamos em Portugal (a não ser que você seja nerd da arquitetura), mas o parque impressiona – são 33 hectares de jardins com exemplares botânicos do mundo todo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Eu geralmente fujo de restaurantes de tapas porque não gosto de porções pequenas, nem de compartilhar comida; mas esse restaurante Tascantiga é a coisa mais fofa e deliciosa que comi em Portugal. A gente quis ir lá de novo para a nossa última refeição em Sintra antes de voltarmos a Lisboa, mas eles estavam fechados! Quase chorei! Aqui, camarão frito com alho e coentro; salada defumada de queijo fresco e tomate (no potinho fechado; quando você abre a tampa, você vê a fumaça saindo); mexilhões com molho vinagrete; e sopa de melão com hortelã fresca e presunto. Tudo delicioso. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Quatro coisas sobre a semana que passou

1) Este restaurante delicinha chamado Minna Tomei, que serve pratos de cinco países asiáticos: Tailândia, Japão, Coreia, Vietnã e Índia. De entrada pedimos um guioza de shitake com molho cremoso (Japão) que estava ótimo; e de prato principal eu pedi um tom yam (Tailândia) superbom, e o Alex pediu um bibimbap (Coreia) todo errado, mas que dava pra comer. Desde a outra vez que vim para Israel, achei os restaurantes daqui fraquinhos, fraquinhos, mas gostei deste:

(Adendo: alguns funcionários da cozinha são orientais – quando chegamos ao estacionamento que fica nos fundos do restaurante, tinha um grupinho fazendo uma pausa para o cigarro. Acho que foram os primeiros orientais que vejo desde que cheguei, há duas semanas)

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

2) Esta placa de sinalização que parece indicar que os únicos meios de transporte permitidos são bicicletas ou cavalos – mas na verdade ela indica que não é permitido andar de bicicleta ou cavalo no deck:

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

3) Estas águas-vivas mortas jogadas aos montes em uma praia em Akko. Aparentemente, desde os anos 1970 esse tipo específico de água-viva passa anualmente pela costa israelense, mais ou menos no início do verão:

(Aqui nesta página tem mais informações, além de fotos e um vídeo; é meio assustador)

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

4) Este início de noite em Akko:

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Como fazer as malas quando você vai mudar de país

As pessoas sempre me pedem dicas de como fazer as malas para viajar, eu digo que é muito simples: é só começar de baixo para cima. Comece a arrumação pelo sapato que você mais vai usar; escolha as roupas que combinam com o sapato; escolha as cores de roupas que combinam entre si; escolha os acessórios que combinam com as roupas. Pá pum, e você tem um closet portátil em que tudo combina com tudo.

Agora que vim para Israel, também posso dar dicas de como fazer as malas para mudar de país! E, olha, é muito simples: você só precisa saber quais são as suas prioridades. Por exemplo, se você está terminando de arrumar as suas coisas e vê que tem, sei lá, cinco pacotes de instant noodles coreanos que a sua mãe ficou insistindo para você levar ocupando um espaço que cabe, tipo, o seu iPad, é meio óbvio o que você tem que fazer, né?

Sim: agradecer a sua mãe quando bate aquela larica de chapaghetti logo na sua primeira semana num país que não tem Ottogi.

Obrigada, 엄마! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Vou buscar o iPad na próxima ida ao Brasil. Sorry not sorry. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo