Yom Kippur em Israel

Yom Kippur é uma data que envolve reflexão, arrependimento e oração pela misericórdia de Deus. É como um dia comum da minha vida. A diferença é que hoje tem um país inteiro fazendo a mesma coisa.

Este é o dia mais sagrado do calendário judaico, por isso costuma ser observado mesmo por judeus não-religiosos. É uma mobilização total. Ninguém trabalha; não tem um carro na rua, um ônibus; não tem nada na TV além de um aviso de que a transmissão volta depois do Yom Kippur.

Muita gente está jejuando desde ontem à noite, por isso estou tomando cuidado; hoje evitei usar o fogão e não esquentei nada no microondas para evitar cheirinho de comida (da série Coisas Que Nunca Imaginei Que Fosse Precisar Fazer Antes de Vir Morar em Israel).

Não tinha comida pronta na geladeira e o pão está no congelador, então não daria nem pra fazer um sanduíche sem botar no micro-ondas (e tem coisa que acorda mais o estômago do que cheirinho de pão quente?). Acabei inventando um macarrão mara, rápido de fazer e gostoso, que não precisa passar nada no fogo. A única coisa que cozinhei foi o macarrão em si, que não tem cheiro, então não tem problema. Passei o macarrão cozido direto da panela pra tigela com cream cheese, queijo, alho picado, tomatinho cortado em quartos, azeite, sal e pimenta do reino moída na hora. Como o macarrão estava superquente, o cream cheese e o queijo derreteram e ficou tudo cremoooso. Nhams.

comida yom kippur israel
Meu macarrão de Yom Kippur. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Gente, vou aproveitar o assunto para divulgar meu Twitter, @sarahjwlee, onde estou escrevendo sobre lances curtos da vida em Israel. Este post nasceu de tweets que joguei lá mais cedo :) Também estou com esta outra conta, @talmida_tova, onde estou tweetando só em hebraico, para praticar minha escrita!

Portugal ternurinha: um guia para chamar de meu

Já que fiz o post sobre Alfama, vou aproveitar e escrever mais da nossa viagem a Portugal, porque eu me conheço e sei que daqui a pouco vou esquecer várias coisas importantes #memóriadepeixe

O Alex e eu fomos para Portugal com a difícil tarefa de não esperar demais, porque todo mundo que conheço que viajou para lá voltou falando maravilhas, e a gente que tem mais de 30 anos nas costas sabe que quem se enche de expectativa transborda de decepção. MAS! Portugal abalou, abalou, sacudiu, balançou, e eu serei para sempre apaixonada por essa terra ternuninha.

(Pausa para agradecer a todos os amigos que me ajudaram com o planejamento dos passeios, especialmente a Ju, minha amiga portuguesa fofa querida demais que me mandou um guia supercompleto, cheio de dicas de insider.)

Sans Alex

Durante os nossos primeiros dias em Lisboa, o Alex estava participando de um congresso de oftalmologia, então nesse tempo eu fiz vários passeios sozinha – que acabaram sendo alguns dos melhores da viagem (lol, sorry, baby!). Primeiro destaque: Fundação Calouste Gulbenkian, um centro cultural com museu, um instituto de ciência e um jardim enorme completamente delicinha, lugar perfeito para passar uma tarde descansando na grama, lendo um livro, observando os patos… Muitos patos. Eu amo patos.

Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Patos, muitos patos @ Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Outro passeio sans Alex foi a caminhada do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Ninguém suuuper me recomendou essa dobradinha, mas tava perto do nosso hotel, então eu fui; e foi lindo. O trajeto não tem nada que seja exatamente uma “atração” turística, mas o dia estava tão bonito e o clima estava tão gostoso que eu só sentei à beira d’água para absorver aquela cena maravilhosa e caiu uma lagriminha de emoção. O Oceanário é bem legal também.

Vista no Parque das Nações. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Caminho do Parque das Nações até o Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Oceanário de Lisboa. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Pastéis de Belém!!!

Castelos, Mosteiros, Torres. Acho que fizemos todos os principais de Lisboa e Belém, e são todos lindos. Mas o que eu preciso registrar sobre Belém é: pastéis. Pastéis de Belém. Amor verdadeiro, amor eterno. Vou deixar explicado na “voz” da Ju, do jeito que ela me escreveu por e-mail: “Já falei lá em cima, mas decidi reforçar com um ponto dedicado somente a ele. OBRIGATÓRIO ir nos Pastéis de Belém!!! Uma vez aqui, vocês irão entender porque qualquer português insiste que Pastel de Nata é uma coisa e Pastel de Belém é outra. Esse último só existe, de fato, nesta loja específica de Belém! Esqueçam tudo o que vocês já comeram (que nunca foi Pastel de Belém, lamento informar, mas sim Pastel de Nata) e aproveitem!!! Lembro que não existe comer só um. Mesmo nós locais, quando lá vamos, comemos pelo menos dois, de tão bom que é. E reparem só, não estou tendo nenhum pudor em colocar a expectativa no alto…então, se preparem :)”. Eu comi quatro.

Pastéis de Belém: amor à primeira mordida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Fado vadio

Tinham me falado do fado vadio (o fado amador, não profissional) – que é isto, que é aquilo, que é emocionante, que faz chorar, etc. Não levei à sério. Daí sentamos no Mascote da Atalaia, uma casa de fado minúscula, com uns 15 lugares, e estávamos lá espremidos em uma micromesa com um casal de alemães, quando uma jovem que eu achei que era cliente do restaurante sobe ao palco (“palco” = um espacinho de 2x2m para ela e os dois guitarristas) e ela começa a cantar, e, no instante que saiu a primeira nota da boca dela, os meus olhos encheram de lágrima e eu passei o resto da música chorando e pensando “meudeus, eu vou ficar assim a noite inteira?? #vexame”.

Luis Coelho, Ana Margarida e Pedro Pinhal em noite de fado no Mascote da Atalaia. Vendo a foto, lembrei que: os artistas se posicionam bem em frente à entrada para o banheiro, ou seja, se você quiser ir ao banheiro durante a apresentação, você não vai. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Obs.: não, não passei a noite inteira chorando; a música seguinte era feliz e saltitante, ufa! Obs2.: a gente acabou fazendo amizade com o casal de alemães com quem estávamos espremidos, e fiquei pensando “nossa, que mundo maravilhoso esse em que vivemos hoje, em que uma brasileira coreana e um russo israelense podem fazer amizade com um casal de alemães durante uma apresentação de música tradicional portuguesa!”. Obs3.: fado vadio é meio que uma loteria, você tem que dar sorte de pegar um cantor bom. Nessa noite a cantora era a Ana Margarida com os guitarristas Pedro Pinhal e Luis Coelho; mas voltamos ao Mascote da Atalaia alguns dias depois e era outra formação, e não foi tão legal.

Melhor idade

A nossa passagem por Sintra foi apenas um vislumbre da vida que eu vou ter quando for uma velha rica. Quando eu for uma velha rica, vou morar em Sintra, mais especificamente no bed & breakfast Villa Mira Longa. Lá, tomarei meus cafés da manhã na bancada com vista para o vilarejo, e usarei minha faca de manteiga com formato de pavão para amanteigar meus brioches, empregando minha colherzinha com ponta em formato de bule para mexer meu café feito na hora. Passearei logo cedo com o meu cachorro golden retriever que vou batizar de Senhor Pastéis de Belém, e então seguirei para minha caminhada no Parque e Palácio Nacional da Pena, na Quinta e Palácio da Regaleira, ou no Parque e Palácio de Monserrate. Todas as minhas refeições serão feitas no restaurante Tascantiga, onde eles abrirão uma exceção no seu formato de tapas somente para mim, e me servirão porções jumbo dos seus camarões fritos com alho e coentro.

Villa Mira Longa, minha futura residência de velha rica em Sintra. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Faca de pavão, colher de bule e cão golden retriever. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Palácio Nacional da Pena. É o palácio mais diferentão que visitamos em Portugal. Por fora ele é todo colorido, o que dá a impressão de que vários arquitetos ficaram responsáveis por uma parte do palácio, e no final eles tiveram que juntar os pedaços que cada um ergueu. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Palácio Nacional da Pena. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Quinta da Regaleira, em Sintra. Um parquezão lindo com cara de floresta encantada. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Parque e Palácio de Monserrate, em Sintra. O palácio em si não tem tanto para ver quanto os outros que visitamos em Portugal (a não ser que você seja nerd da arquitetura), mas o parque impressiona – são 33 hectares de jardins com exemplares botânicos do mundo todo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Eu geralmente fujo de restaurantes de tapas porque não gosto de porções pequenas, nem de compartilhar comida; mas esse restaurante Tascantiga é a coisa mais fofa e deliciosa que comi em Portugal. A gente quis ir lá de novo para a nossa última refeição em Sintra antes de voltarmos a Lisboa, mas eles estavam fechados! Quase chorei! Aqui, camarão frito com alho e coentro; salada defumada de queijo fresco e tomate (no potinho fechado; quando você abre a tampa, você vê a fumaça saindo); mexilhões com molho vinagrete; e sopa de melão com hortelã fresca e presunto. Tudo delicioso. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Quatro coisas sobre a semana que passou

1) Este restaurante delicinha chamado Minna Tomei, que serve pratos de cinco países asiáticos: Tailândia, Japão, Coreia, Vietnã e Índia. De entrada pedimos um guioza de shitake com molho cremoso (Japão) que estava ótimo; e de prato principal eu pedi um tom yam (Tailândia) superbom, e o Alex pediu um bibimbap (Coreia) todo errado, mas que dava pra comer. Desde a outra vez que vim para Israel, achei os restaurantes daqui fraquinhos, fraquinhos, mas gostei deste:

(Adendo: alguns funcionários da cozinha são orientais – quando chegamos ao estacionamento que fica nos fundos do restaurante, tinha um grupinho fazendo uma pausa para o cigarro. Acho que foram os primeiros orientais que vejo desde que cheguei, há duas semanas)

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

2) Esta placa de sinalização que parece indicar que os únicos meios de transporte permitidos são bicicletas ou cavalos – mas na verdade ela indica que não é permitido andar de bicicleta ou cavalo no deck:

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

3) Estas águas-vivas mortas jogadas aos montes em uma praia em Akko. Aparentemente, desde os anos 1970 esse tipo específico de água-viva passa anualmente pela costa israelense, mais ou menos no início do verão:

(Aqui nesta página tem mais informações, além de fotos e um vídeo; é meio assustador)

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

4) Este início de noite em Akko:

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Como fazer as malas quando você vai mudar de país

As pessoas sempre me pedem dicas de como fazer as malas para viajar, eu digo que é muito simples: é só começar de baixo para cima. Comece a arrumação pelo sapato que você mais vai usar; escolha as roupas que combinam com o sapato; escolha as cores de roupas que combinam entre si; escolha os acessórios que combinam com as roupas. Pá pum, e você tem um closet portátil em que tudo combina com tudo.

Agora que vim para Israel, também posso dar dicas de como fazer as malas para mudar de país! E, olha, é muito simples: você só precisa saber quais são as suas prioridades. Por exemplo, se você está terminando de arrumar as suas coisas e vê que tem, sei lá, cinco pacotes de instant noodles coreanos que a sua mãe ficou insistindo para você levar ocupando um espaço que cabe, tipo, o seu iPad, é meio óbvio o que você tem que fazer, né?

Sim: agradecer a sua mãe quando bate aquela larica de chapaghetti logo na sua primeira semana num país que não tem Ottogi.

Obrigada, 엄마! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Vou buscar o iPad na próxima ida ao Brasil. Sorry not sorry. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Caderno de quotes de livros: A Dance With Dragons

A ideia era que os livros me mantivessem ocupada enquanto a nova temporada de Game of Thones não começava; mas a HBO anunciou que a season 7 só chega no dia 16 de julho, e eu terminei de ler o “A Dance With Dragons” no mês passado… #fail

Uma observação sobre o quinto título da saga A Song of Ice and Fire é que, neste momento, livro e série já são praticamente duas coisas independentes. Lá na primeira temporada o roteiro era bem fiel à obra do George R. R. Martin (exceto pelo corte de alguns personagens secundários), mas agora tem mais storylines diferentes do que iguais (alô, Sansa) – sem contar que a timeline da série já ultrapassou a do livro para muitos personagens, como o Bran, o Jon e a Daenerys.

Algumas passagens para o meu caderno de quotes de livros (acho que vai dar para perceber que esse livro me deixou com fome):

“They began with a broth of crab and monkfish, and cold egg lime soup as well. Then came quails in honey, a saddle of lamb, goose livers drowned in wine, buttered parsnips, and sucking pig.” (p. 29)

“The serving men brought out a heron stuffed with figs, veal cutlets blanched with almond milk, creamed herring, candied onions, foul-smelling cheeses, plates of snails and sweetbreads, and a black swan in her plumage.” (p. 31)

“’The Mother of Dragons must don the tokar or be forever hated,’ warned the Green Grace, Galazza Galare. ‘In the wools of Westeros or a gown of Myrish lace, Your Radience shall forever remain a stranger amonst us, a grotesque outlander, a barbarian conqueror. Meereen’s queen must be a lady of Old Ghis.’ Brown Ben Plumm, the captain of the Second Sons, had put it more succinctly. ‘Man want to be the king o’ the rabbits, he best wear a pair o’ floppy ears.’” (p. 40)

“They nibbled on spiced sausage tha morning, washed down with a dark smokeberry brown. Jellied eels and Dornish reds filled their afternoon. Come evening there were sliced hams, boiled eggs, and rosted larks stuffed with garlic and onions, with pale ales and Myrish fire wines to help in their digestion.” (p. 79)

“The beer was brown, the bread black, the stew a creamy white. She served it in a trencher hollowed out of a stale loaf. It was thick with leeks, carrots, barley, and turnips white and yellow, along with clams and chunks of cod and crabmeat, swimming in a stock of heavy cream and butter. It was the sort of stew that warmed a man right down to his bones, just the thing for a wet, cold night.” (p. 140)

“They chanted in the tongue of Old Volantis, but Tyrion had heard the prayers enough to grasp the essence. Light our fire and protect us from the dark, blah blah, light our way and keep us toasty warm, the night is dark and full of terrors, save us from the scary things, and blah blah blah some more.” (p. 476)

“’Whore!’ someone cried out. A woman’s voice. Women were always the crueler where other women were concerned.” (p. 935)

“Someone had already told the Thunderfist about Gerrick Kingsblood and his new style. ‘King o’ the Wildlings?’ Tormund roared. ‘Har! King o’ My Hairy Butt Crack, more like.’” (p. 993)

“’My grandmother always used to say, Summer friends will melt away like summer snows, but winter friends are friends forever.’” (p. 994)

+ Caderno de quotes de livros: A Game of Thrones

+ Caderno de quotes de livros: A Clash of Kings

+ Caderno de quotes de livros: A Storm of Swords

+ Caderno de quotes de livros: A Feast for Crows