Quatro coisas sobre a semana que passou

1) Este restaurante delicinha chamado Minna Tomei, que serve pratos de cinco países asiáticos: Tailândia, Japão, Coreia, Vietnã e Índia. De entrada pedimos um guioza de shitake com molho cremoso (Japão) que estava ótimo; e de prato principal eu pedi um tom yam (Tailândia) superbom, e o Alex pediu um bibimbap (Coreia) todo errado, mas que dava pra comer. Desde a outra vez que vim para Israel, achei os restaurantes daqui fraquinhos, fraquinhos, mas gostei deste:

(Adendo: alguns funcionários da cozinha são orientais – quando chegamos ao estacionamento que fica nos fundos do restaurante, tinha um grupinho fazendo uma pausa para o cigarro. Acho que foram os primeiros orientais que vejo desde que cheguei, há duas semanas)

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

2) Esta placa de sinalização que parece indicar que os únicos meios de transporte permitidos são bicicletas ou cavalos – mas na verdade ela indica que não é permitido andar de bicicleta ou cavalo no deck:

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

3) Estas águas-vivas mortas jogadas aos montes em uma praia em Akko. Aparentemente, desde os anos 1970 esse tipo específico de água-viva passa anualmente pela costa israelense, mais ou menos no início do verão:

(Aqui nesta página tem mais informações, além de fotos e um vídeo; é meio assustador)

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

4) Este início de noite em Akko:

Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Como fazer as malas quando você vai mudar de país

As pessoas sempre me pedem dicas de como fazer as malas para viajar, eu digo que é muito simples: é só começar de baixo para cima. Comece a arrumação pelo sapato que você mais vai usar; escolha as roupas que combinam com o sapato; escolha as cores de roupas que combinam entre si; escolha os acessórios que combinam com as roupas. Pá pum, e você tem um closet portátil em que tudo combina com tudo.

Agora que vim para Israel, também posso dar dicas de como fazer as malas para mudar de país! E, olha, é muito simples: você só precisa saber quais são as suas prioridades. Por exemplo, se você está terminando de arrumar as suas coisas e vê que tem, sei lá, cinco pacotes de instant noodles coreanos que a sua mãe ficou insistindo para você levar ocupando um espaço que cabe, tipo, o seu iPad, é meio óbvio o que você tem que fazer, né?

Sim: agradecer a sua mãe quando bate aquela larica de chapaghetti logo na sua primeira semana num país que não tem Ottogi.

Obrigada, 엄마! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Vou buscar o iPad na próxima ida ao Brasil. Sorry not sorry. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Caderno de quotes de livros: A Dance With Dragons

A ideia era que os livros me mantivessem ocupada enquanto a nova temporada de Game of Thones não começava; mas a HBO anunciou que a season 7 só chega no dia 16 de julho, e eu terminei de ler o “A Dance With Dragons” no mês passado… #fail

Uma observação sobre o quinto título da saga A Song of Ice and Fire é que, neste momento, livro e série já são praticamente duas coisas independentes. Lá na primeira temporada o roteiro era bem fiel à obra do George R. R. Martin (exceto pelo corte de alguns personagens secundários), mas agora tem mais storylines diferentes do que iguais (alô, Sansa) – sem contar que a timeline da série já ultrapassou a do livro para muitos personagens, como o Bran, o Jon e a Daenerys.

Algumas passagens para o meu caderno de quotes de livros (acho que vai dar para perceber que esse livro me deixou com fome):

“They began with a broth of crab and monkfish, and cold egg lime soup as well. Then came quails in honey, a saddle of lamb, goose livers drowned in wine, buttered parsnips, and sucking pig.” (p. 29)

“The serving men brought out a heron stuffed with figs, veal cutlets blanched with almond milk, creamed herring, candied onions, foul-smelling cheeses, plates of snails and sweetbreads, and a black swan in her plumage.” (p. 31)

“’The Mother of Dragons must don the tokar or be forever hated,’ warned the Green Grace, Galazza Galare. ‘In the wools of Westeros or a gown of Myrish lace, Your Radience shall forever remain a stranger amonst us, a grotesque outlander, a barbarian conqueror. Meereen’s queen must be a lady of Old Ghis.’ Brown Ben Plumm, the captain of the Second Sons, had put it more succinctly. ‘Man want to be the king o’ the rabbits, he best wear a pair o’ floppy ears.’” (p. 40)

“They nibbled on spiced sausage tha morning, washed down with a dark smokeberry brown. Jellied eels and Dornish reds filled their afternoon. Come evening there were sliced hams, boiled eggs, and rosted larks stuffed with garlic and onions, with pale ales and Myrish fire wines to help in their digestion.” (p. 79)

“The beer was brown, the bread black, the stew a creamy white. She served it in a trencher hollowed out of a stale loaf. It was thick with leeks, carrots, barley, and turnips white and yellow, along with clams and chunks of cod and crabmeat, swimming in a stock of heavy cream and butter. It was the sort of stew that warmed a man right down to his bones, just the thing for a wet, cold night.” (p. 140)

“They chanted in the tongue of Old Volantis, but Tyrion had heard the prayers enough to grasp the essence. Light our fire and protect us from the dark, blah blah, light our way and keep us toasty warm, the night is dark and full of terrors, save us from the scary things, and blah blah blah some more.” (p. 476)

“’Whore!’ someone cried out. A woman’s voice. Women were always the crueler where other women were concerned.” (p. 935)

“Someone had already told the Thunderfist about Gerrick Kingsblood and his new style. ‘King o’ the Wildlings?’ Tormund roared. ‘Har! King o’ My Hairy Butt Crack, more like.’” (p. 993)

“’My grandmother always used to say, Summer friends will melt away like summer snows, but winter friends are friends forever.’” (p. 994)

+ Caderno de quotes de livros: A Game of Thrones

+ Caderno de quotes de livros: A Clash of Kings

+ Caderno de quotes de livros: A Storm of Swords

+ Caderno de quotes de livros: A Feast for Crows

Los Angeles – Seul – Los Angeles – parte 3

Na primeira parte da estadia em L.A., a gente acabou dedicando muito muito muito mais tempo do que eu gostaria à minha busca por um vestido de noiva. Uma busca que não deu em nada – exceto na ideia de realizar um casamento nudista. Mas isso é assunto pra outro post.

Na segunda parte da estadia em L.A., eu fiquei o tempo todo no modo semizumbi. É que passei mal no voo de Incheon para Los Angeles; tipo, muito muito muito mal. Vomitei cinco vezes dentro do avião e, depois de desembarcar, ainda vomitei de novo na área de retirada de bagagem. O enjoo me acompanhou durante dias, e eu não comi quase nada além de juk por mais de uma semana – mesmo depois de voltar ao Brasil.

Algumas observações sobre a viagem:

– O staff do aeroporto de Los Angeles é dos mais grosseiros. Tratam as pessoas como gado, e se eles dão alguma ordem que você não entende de primeira (haja sotaque nessa cidade), só falta pegarem um megafone pra gritar no seu ouvido. Mas na imigração eles foram simpáticos; o moço que checou nossos passaportes na volta da Coreia até falou em coreano com a minha mãe, na hora de fazer a foto e o registro de digitais.

– Los Angeles é uma cidade onde tudo é perto, mas tudo é longe, porque se você não tem carro você não vai pra lugar nenhum.

– Tenho parentes que moram em Los Angeles que eu não via há mais de 10 anos. Uma prima era uma criança da última vez que nos encontramos, e hoje ela está na faculdade, e ela está da minha altura, e ela fala como gente grande!

– Depois do casamento do meu primo, e depois da balada, a gente deu um perdido em todo mundo saiu discretamente pra comer no The Halal Guys, uma franquia que começou como um food cart despretensioso em Nova York. O prato é supersimples – basicamente carne ou frango fatiado sobre arroz com uma salada de alface e cenoura ralada -, mas o negócio é cult em NY, e aparentemente sempre tem fila pra comer no carrinho que fica na 53rd Street com a 6th Avenue. Achei a comida apenas ok (sorry, cousins), mas os molhinhos são memoráveis: um branco que é uma espécie de maionese, e um de pimenta que é treta. Outros destaques culinários de Los Angeles: Shabuya, restaurante all-you-can-eat de shabu-shabu; e o République, que é uma delícia pra tomar brunch no fim de semana e tem o ambiente mais legal que eu vi nos últimos tempos.

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O molhinho de pimenta treta do The Halal Guys. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Brunch no République: torrada de sourdough com ricotta di bufala, figo, mel e avelãs. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

– Um susto no dia do nosso voo dos Estados Unidos para a Coreia: houve um falso alarme (ufa!) de que um atirador estava à solta no aeroporto internacional de Los Angeles, o que fez com que alguns terminais fossem evacuados e, as estradas, bloqueadas pela polícia. E fazendo com que o clima de terror e pânico se espalhasse geral, né. Na hora, a gente estava no carro da minha tia, a caminho do aeroporto, quase chegando ao terminal 1. De repente, o trânsito simplesmente parou. Depois de longos minutos sem ninguém saber o que estava acontecendo, um motorista desceu do carro e foi espalhando a notícia: “houve um tiroteio no aeroporto!”. Eu encontrei o wi-fi aberto de um hotel e fui acompanhando tudo pelo Twitter. Agora a gente olha e fala “pff, não foi nada”, mas foi tenso. Vários tweets confirmavam o tiroteio, e uma galera chegou a compartilhar até que a polícia havia identificado o atirador como um extremista de direita – tinha nome e foto e tudo! No fim das contas foi tudo esclarecido. Depois de quase duas horas paradas na estrada, continuamos até o aeroporto. O voo atrasou menos do que eu esperava, até; estava marcado para as 23h30, mas partiu à 1h40.