O perigoso lado ruim de ser perfeccionista

Quando você lê uma reportagem gigantesca sobre uma tendência potencialmente autodestrutiva e vai ticando parágrafo por parágrafo – hm, eu faço isso… E penso assim… E tive isso na infância… E falo essas coisas pras pessoas… E passei por essa fase na faculdade… E faço isso todas as noites… Hmmmmm, devo procurar um psicólogo?

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Hoje em dia todo mundo sabe que durante uma entrevista de emprego, quando o entrevistador te pergunta qual a sua maior qualidade e qual o seu maior defeito, você não pode mais responder “ser perfeccionista” e “ser perfeccionista”, porque essa resposta já foi tão repetidamente batida que virou piada. O que é uma bosta, porque no contexto do trabalho, eu realmente achava que ser perfeccionista era a minha maior qualidade e o meu maior defeito. Mas o texto “O perigoso lado ruim de ser perfeccionista”, no site da BBC Brasil, me ajudou a entender que o “ser perfeccionista/qualidade” na verdade não é perfeccionismo, e que o “ser perfeccionista/defeito” é um troço tão sério que eu nem deveria estar falando disso para o meu potencial contratante hahaha #risadanervosa

O resumo da parada toda é que: “Trabalhar duro, ser comprometido, diligente e assim por diante, são todas características desejáveis. Perfeccionismo não é adotar padrões altos. É estabelecer padrões irreais. Não é um comportamento. É a maneira como você pensa sobre si mesmo”. Tralalá, “para os perfeccionistas, a performance está ligada ao senso de identidade. Quando não conseguem alcançar algo, eles não se sentem decepcionados em relação ao que fizeram, mas, sim, vergonha de si mesmos. Ironicamente, o perfeccionismo se torna uma tática de defesa para manter a vergonha à distância: se você é perfeito, nunca falha; e se nunca falha, não há por que se envergonhar. Como resultado, a busca pela perfeição se torna um ciclo vicioso. E, uma vez que é impossível ser perfeito, todo esforço acaba sendo em vão”.

(Pausa para linkar um post sobre perfeccionismo que eu tentei escrever há dois anos, mas que não consegui elaborar bem o suficiente, então acabei desistindo e publicando umas besteiras nada a ver)

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Enfim, eu recomendo que vocês leiam o texto inteiro no site da BBC, porque ele é muito bom; clique aqui.

Tome sorvete

Um pediatra especializado em cuidados paliativos perguntou a alguns de seus pacientes com doenças terminais sobre as coisas boas da vida. Que pancada.

UPDATE 18.02: ali em cima eu tinha colocado o link direto para o thread no Twitter, mas acabei de ver que, por algum motivo, os tweets não estão mais sendo mostrados na ordem :/ Vou copiar e colar para vocês lerem aqui mesmo. Do twitter do dr. Alastair McAlpine:

For an assignment, I asked some of my terminal paediatric palliative care patients what they had enjoyed in life, and what gave it meaning. Kids can be so wise, y’know. Here are some of the responses (Thread).

First:
NONE said they wished they’d watched more TV
NONE said they should’ve spent more time on Face Book
NONE said they enjoyed fighting with others
NONE enjoyed hospital
/1

MANY mentioned their pets:
‘I love Rufus, his funny bark makes me laugh.’
‘I love when Ginny snuggles up to me at night and purrs’
‘I was happiest riding Jake on the beach.’
/2

MANY mentioned their parents, often expressing worry or concern:
‘Hope mum will be ok. She seems sad.’
‘Dad mustn’t worry. He’ll see me again soon.’
‘God will take care of my mum and dad when I’m gone’
/3

ALL of them loved ice-cream.
/4

ALL of them loved books or being told stories, especially by their parents:
‘Harry Potter made me feel brave.’
‘I love stories in space!’
‘I want to be a great detective like Sherlock Holmes when I’m better!’

Folks, read to your kids! They love it. /5

MANY wished they had spent less time worrying about what others thought of them, and valued people who just treated them ‘normally’.
‘My real friends didn’t care when my hair fell out.’
‘Jane came to visit after the surgery and didn’t even notice the scar!’ /6

Many of them loved swimming, and the beach.
‘I made big sandcastles!’
‘Being in the sea with the waves was so exciting! My eyes didn’t even hurt!’ /7

Almost ALL of them valued kindness above most other virtues:
‘My granny is so kind to me. She always makes me smile.’
‘Jonny gave me half his sandwich when I didn’t eat mine. That was nice.’
‘I like it when that kind nurse is here. She’s gentle. And it hurts less’ /8

Almost ALL of them loved people who made them laugh:
‘That magician is so silly! His pants fell down and I couldn’t stop laughing!’
‘My daddy pulls funny faces which I just love!’
‘The boy in the next bed farted! Hahaha!’

Laughter relieves pain. /9

Kids love their toys, and their superheroes.
‘My Princess Sophia doll is my favourite!’
‘I love Batman!’ (All the boys love Batman)
‘I like cuddling my teddy’ /10

Finally, they ALL valued time with their family. Nothing was more important.
‘Mum and dad are the best!’
‘My sister always hugs me tight’
‘No one loves me like mummy loves me!’ /11

Take home message:
Be kind. Read more books. Spend time with your family. Crack jokes. Go to the beach. Hug your dog. Tell that special person you love them.

These are the things these kids wished they could’ve done more. The rest is details.

Oh… and eat ice-cream. /End

You should’ve asked (“era só pedir”)

Eu nunca tinha visto tanta gente da minha timeline no Facebook repostando um mesmo link. Trata-se do “Era só pedir”, tradução que uma página brasileira fez para o “Fallait demander”, série de quadrinhos da cartunista francesa Emma que fala sobre feminismo e a (não) divisão de tarefas domésticas. Estou colando aqui uma versão “oficial” que a própria autora divulgou no site dela em inglês; e este é o site original, em francês.