Como o Mingau virou o gato da Magali

Eu amo as historinhas da Turma da Mônica; quando eu era criança, a gente recebia os gibis em casa por assinatura mensal, e, mesmo assim, eu sempre parava para ler quando via um exemplar na casa de alguém. A minha prima Florencia, por exemplo, também tinha um monte de gibis na casa dela, e eles inevitavelmente me atraíam quando eu ia lá pra gente brincar:

[MiniSarah deitada no chão do quarto da MiniFlor, lendo um gibi da Magali]

MiniFlor brava, parada na porta do quarto: – Você veio pra brincar ou pra ler gibi??

MiniSarah: – Pra brincar!

[Passam cinco segundos e ninguém se mexe]

MiniFlor: – Então, você não vem??

MiniSarah: – Pera, deixa eu terminar essa historinha!

Ontem a página da Turma da Mônica no Facebook postou na íntegra a primeira história da Magali com o Mingau – meus dois personagens favoritos -, que saiu no gibi Magali nº1, de fevereiro de 1989! Eu nunca tinha lido essa historinha, e achei a coisa mais fofa e triste-mas-com-final-feliz do mundo (a minha Kitty também é adotada; e aqui em Israel tem tantos gatinhos de rua… No começo eu ficava feliz de ver gatos por todo lado, mas agora só fico triste por eles – mas enfim, isso é outra história). Não resisti, e tive que publicar aqui no blog:

(Fotos: reprodução Facebook Turma da Mônica)

Feliz ano novo com a melhor expressão coreana que eu já escutei

Ontem eu estava ajudando a minha mãe na cozinha quando ela me ensinou a melhor expressão coreana que eu já escutei: 소가 장화 신고 지나갔네, algo como “a vaca passou por aqui calçando galochas”. Ela soltou essa depois de ver o caldo de carne que o meu pai tinha preparado com antecedência para ser a base do 떡국, uma sopa de massa de arroz tradicionalmente consumida no dia 1º de janeiro. O que ela quis dizer é que o caldo estava tão ralinho que não dava nem pra notar a presença de carne.

#euri

Terra, Planeta Água

No colegial eu tinha uma amiga com quem rolava forte identificação porque ela também era uma descendente de coreanos desgarrada da colônia. Por causa desse background cultural parecido, a gente compartilhava as mesmas frustrações e os mesmos dilemas, mas também dávamos bastante risada juntas.

Achávamos graça, por exemplo, na empolgação dos nossos pais durante os programas de meio ambiente / vida selvagem que passavam na televisão – coreano ama um Discovery Channel. Daí a gente ficava rindo e imitando os “omonaaa” das nossas mães vendo episódios de, sei lá, Os Hábitos Alimentares Noturnos do Crocodilo Canhoto do Nilo.

Lembrei disso porque comecei a assistir à série-documentário Planet Earth no Netflix e, embora eu não solte nenhum “omonaaa”, senti o peso da idade quando observei esse momento “estou virando minha mãe”. Ela, aliás, deu risada de mim há poucos dias, quando eu comentei que o ano estava passando muito rápido. “hihihi, isso é coisa de gente velha, acho que você está ficando velha, hihihi”, ela disse.

Enfim, Planet Earth já é de uns anos atrás (2006), mas se você nunca assistiu, eu recomendo. Foram cinco anos de produção e filmagens para a criação de uma temporada dividida em 11 capítulos. O primeiro deles já dá me deu uma bela puxada pro chão; uma dose de perspectiva que acho essencial ter de vez em quando.