You should’ve asked (“era só pedir”)

Eu nunca tinha visto tanta gente da minha timeline no Facebook repostando um mesmo link. Trata-se do “Era só pedir”, tradução que uma página brasileira fez para o “Fallait demander”, série de quadrinhos da cartunista francesa Emma que fala sobre feminismo e a (não) divisão de tarefas domésticas. Estou colando aqui uma versão “oficial” que a própria autora divulgou no site dela em inglês; e este é o site original, em francês.

Maria Grazia Chiuri, Christian Dior e a Câmara Municipal de São Paulo

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O look-sensação da coleção de estreia da Maria Grazia Chiuri para a Christian Dior, apresentada há alguns dias na semana de moda de Paris. A grife Christian Dior sempre foi sinônimo de feminilidade, mas nunca tinha tido uma mulher no seu mais alto cargo criativo. A frase “We Should All Be Feminists” na camiseta acima é o título de um TED talk da escritora nigeriana Chimamanda Adichie que, se você não viu ainda, clica aqui peloamordedeus. Foto: divulgação

Só pra falar que o site da “Folha” soltou esta notícia com o trecho que destaco a seguir:

As eleições deste domingo (2) fizeram mais que dobrar o número de mulheres nas cadeiras da Câmara Municipal de São Paulo. A partir de 2017, serão 11 vereadoras em um total de 55 postos (ou 20%). Atualmente são cinco mulheres (9%). A mudança representa um crescimento de 120%.

Foram eleitas Patricia Bezerra (PSDB), Soninha (PPS), Edir Sales (PSD), Juliana Cardoso (PT), Sandra Tadeu (DEM), Rute Costa (PSD), Noemi Nonato (PR), Adriana Ramalho (PSDB), Aline Cardoso (PSDB), Janaina Lima (Novo) e Sâmia Bomfim (PSOL).

O aumento no percentual de vereadoras ocorre após intensa campanha nas páginas feministas e em perfis de mulheres nas redes sociais que pediam “maior representatividade” na política.

Vi no Instagram – Mari Andrew

A ilustração abaixo apareceu na minha página de Search & Explore do Instagram, e, atraída pela referência ao kimchi, é claro que cliquei no perfil pra conhecer mais.

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A artista é a americana Mari Andrew (@bymariandrew), que trabalha com texto e ilustração e que começou a ganhar popularidade há pouco tempo; quando botei o nome no Google pra descobrir informações, vi que sites como o BoredPanda e o BuzzFeed recentemente publicaram posts sobre ela.

No Instagram ela compartilha um quadrinho por dia com temas variados, quase sempre focados na sua própria experiência como jovem adulta. Eu gosto dos que falam sobre crescimento pessoal e o desmantelamento do patriarcado:

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Precisamos falar sobre estupro – parte 4

Recomendo a leitura dessa reportagem do Huffpost Brasil, que tem uma entrevista ótima com a documentarista Leslee Udwin – ela dirigiu o “India’s Daughter”, sobre o caso da jovem Jyoti Singh, espancada, mutilada e estuprada por seis homens dentro de um ônibus em Nova Déli, em 2012. Eu cheguei a ler alguns reviews na época do lançamento e, ao saber das cenas em que os criminosos condenados não demonstravam nenhum sinal de remorso, decidi não assistir; senti que ia, literalmente, morrer de raiva. Por isso me surpreendi com esse depoimento da diretora, que diz exatamente o contrário:

O que eu senti ao invés de raiva foi uma pena profunda, e isso me chocou. Ficou muito óbvio que eles foram programados pela sociedade e são um resultado dela. Eu senti pena pelo mundo, que encoraja homens a pensar como eles pensam.

Vale a pena ler a entrevista completa; abaixo, destaco alguns trechos:

Eles [os estupradores] não são monstros. Eles não acreditavam que estavam fazendo nada errado. Para eles estuprar foi algo ‘normal’, aceitável, porque, para eles, “todos estavam fazendo aquilo”.

Em determinado ponto eu comecei a acreditar que o problema desses homens era a falta de estudos. Entre os estupradores, apenas um tinha completado o ensino médio. Então eu pensei: “ah esse é um grande problema, eles têm pouca educação”. Mas aí conheci seus advogados e vi que seus depoimentos eram muito mais chocantes. Eles tinham um ódio em relação às mulheres muito mais enraizado e profundo.

Como diz Aristóteles, “educar a mente sem educar o coração não é educação”. Nós não estamos ensinando os nossos filhos a interagir de forma respeitosa com o outro. Não estamos ensinando respeito, não estamos ensinando a quebrar estereótipos de gênero; não estamos ensinando a quebrar este ciclo, mas sim, a reforçá-lo.

Há pessoas esclarecidas e maravilhosas na Índia, e muitas delas estão no filme. Mas a cultura permite que as mulheres sejam vistas como pessoas de “baixo valor” pelos homens, e enquanto você cultivar esse tipo de pensamento, as mulheres sempre serão estupradas, traficadas, e vítimas de violência doméstica.

Se nós não educarmos nossas crianças da forma que eu acredito que elas devam ser educadas, eu não acho que nada vai realmente mudar.

+ Precisamos falar sobre estupro – parte 1

+ Precisamos falar sobre estupro – parte 2

+ Precisamos falar sobre estupro – parte 3