Viagem à Jordânia em fotos de bichinhos fofos

Um homem e seus burros em Petra, na Jordânia. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Estou com alguns posts de viagem acumulados pra postar, mas a inspiração não vem, então para contar da nossa aventura na Jordânia, vou apelar para fotolegendas de bichinhos fofos:

A viagem à Jordânia começou com uma viagem por Israel. O Alex tinha que ir até Eilat, no sul do país, a trabalho, e eu não apenas fui junto de feliz, como convidei o Daniel e o Anselmo, que vieram do Brasil e estavam passando férias em Tel Aviv, para ir com a gente :D Fizemos Eilat/Mar Vermelho, e, como era perto, decidimos ir também para a Jordânia. Na foto, um bichinho fofo do deserto israelense. Depois de tirar a foto, alguém apontou que na montanha lá atrás tinha vários bichinhos fofos de boa, tomando sol. Eles são exatamente da mesma cor das pedras, por isso é difícil de enxergar se você não souber pra onde tem que olhar. Danadinhos! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Para ir de Israel até a Jordânia, foi simples assim: deixamos o carro no estacionamento do Yitzhak Rabin Border Crossing, em Eilat, botamos as mochilas nas costas, pagamos umas taxas de entrada, e fomos andando de um país pro outro. No lado jordaniano, que fica na cidade de Aqaba, fomos recebidos por um representante da agência de viagens que a gente contratou, e, depois de passar pela burocracia de entrada, ele nos direcionou pro nosso motorista. O motorista nos levou até o deserto de Wadi Rum, onde fomos recebidos pelo nosso guia, que nos levou pros picos locais. Wadi Rum é um cenário de outro mundo que atrai, além de turistas, produtores cinematográficos buscando… cenários de outro mundo. “Perdido em Marte” é um filme recente que foi gravado por lá, e, olha só: nosso guia local disse que conheceu o Matt Damon! Aqui, um camelo curiosinho. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
No dia seguinte fomos para Petra, que é uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, e que foi escolhida pela revista “Smithsonian” como um dos “28 lugares para ver antes de morrer”. Check! Lá, nós fomos guiados pelo pior guia do mundo, mas tudo bem, porque a paisagem compensa. A entrada já é inesquecível. O Siq é uma passagem formada naturalmente, um caminho perfeito no meio de uma rocha de 200 metros de altura que se partiu com a força de movimentos tectônicos. Você anda mais de um quilômetro por essa via sinuosa, em que você não vê nada além do céu e das paredes rochosas, e, quando parece que não vai mais acabar, surge à distância, como uma luz no fim do túnel, o Tesouro (Al-Khazneh): uma tumba com fachada em estilo helenístico de 40 metros de altura, escupida direto na rocha. Saindo do Siq, a cidade se abre, e de lá você tem muitas opções de trilhas e de coisas para ver. Nós escolhemos ir para o Monastério, onde registrei esse gatinho carismático – um dos vários que vimos por lá. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
O Monastério, construído no século 3, é parecido com o Tesouro, mas é ainda maior (45 metros de altura e 50 de largura), e fica no topo de um monte. O Lonely Planet diz que a trilha até lá leva 40 minutos, mas acho que a gente levou muito mais do que isso. A trilha é comparável à de Massada (falei desse rolê aqui e aqui): uma subida “seca”, sem natureza, sem árvores para fazer sombra, só pedra, sol, e muitos degraus – 800 para o Monastério, 100 a mais do que para Massada. Acho que foi a trilha mais difícil que já fiz na vida. E é engraçado, porque quando você finalmente chega ao topo, a primeira coisa que você vê é uma construção pequenininha, e você pensa “eu subi até aqui pra *isso*???”, mas aí você olha pra direita e vê o Monastério esculpido na rocha, e fica tudo bem. Quem também acha que tá tudo bem? Essa ovelha pretinha com peruquinha branca. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Problema do gato

Outro dia, o Alex e eu estávamos comentando sobre uma grande diferença entre os meus amigos do Brasil e os amigos dele em Israel: a estrutura familiar. Eu tenho poucos amigos próximos que são casados oficialmente, enquanto que, entre os amigos do Alex, são poucos os que não são. Entre os meus amigos, são poucos os que têm filhos; e quando têm, têm um só. Entre os amigos do Alex, quase todos têm filhos, e muitos já estão no terceiro!

Corta para uma outra conversa, com um casal de amigos daqui. Eu, na minha realidade “não tenho filhos e tenho poucos amigos que têm”, e esse casal, que tem três crianças. Eu disse que não conseguia imaginar como eles davam conta de tudo, porque ouvindo as histórias de amigos que têm um filho só, me parecia ser impossível cuidar de mais que um. Eles deram risada e explicaram que, na verdade, o primeiro é o que dá mais trabalho mesmo, mas que muito disso é a falta de experiência dos pais. A partir do segundo, você já sabe o que está fazendo, e as coisas correm com mais facilidade. No terceiro, então, você já é profissional. Então é claro que, com três filhos, você tem mais questões para resolver do que com um, mas cada questão do terceiro te estressa muito menos do que as questões do primeiro. Com o primeiro, cada negocinho que acontece você fica “MEU DEUS, O BEBÊ SOLUÇOU, O QUE VAMOS FAZER?”. No terceiro, você já está num grau de leveza que é tipo: “O quê? O bebê está comendo a comida do gato? Problema do gato!”.

Viagem a Praga

(Este post faz parte de uma série de coisas que eu queria ter escrito no ano passado, mas querer não é poder, e muito menos fazer, não é mesmo?)

Passeio pelo Farmers Market à beira do rio Moldava (Vltava), em Praga, República Tcheca. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Essa viagem a Praga foi um presente na minha vida, literalmente. O Alex e eu fazemos aniversário no mesmo mês, então a mãe e o irmão dele decidiram nos dar uma viagem como presente conjunto, e o destino escolhido foi Praga. Ganhamos passagens, estadia, e até o transporte do aeroporto para o hotel, com o motorista nos esperando com nosso nome na plaquinha. Tudo organizado bonitinho. Foi lindo!

Eu já tinha ouvido falar muito bem de Praga, mas por algum motivo fiquei com uma ideia errada da cidade. Ouvia “Praga” e imaginava uma cidade medieval, gelada, encoberta por uma névoa pesada, habitada apenas por velhinhos mal-encarados. Que nada! Praga é uma cidade iluminada, vibrante, cheia de gente jovem, bonita, moderna. E muito, muito cheia de turistas, também, numa quantidade que eu nunca tinha visto.

Uma curiosidade: chegando ao aeroporto de Praga, o Alex notou que a sinalização para a área de checagem de passaportes era escrita em três idiomas: tcheco, russo e… coreano! Ele até brincou que as placas foram escritas especialmente pra gente (ele é russo e eu sou descendente de coreanos). Pois é. Para minha surpresa, Praga é um destino super popular entre os jovens da Coreia do Sul. Durante nossa estadia, vimos vários grupos de jovens coreanos, principalmente meninas. Lindas, bem vestidas, com cabelo impecável e pele de porcelana. Eu já fiz esse comentário uma vez quando estava viajando por Seul: perto das coreanas da Coreia, eu me sinto um porquinho oleoso.

Voltando a Praga. O Alex e eu fizemos dois free walking tours por lá, o que eu recomendo, porque Praga tem tanta história para contar. Entre outras atividades, também visitamos um cat café; o zoológico; e um museu de apetrechos sexuais.

Algumas fotos da viagem:

Nosso hotel (Park Inn – recomendo) ficava a uns 20 minutos andando do centrão da cidade. Nos primeiros dias, a gente fez o trajeto a pé, acompanhando o rio Moldava (Vltava); depois, passamos a usar o tram, o simpático bonde local. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
No Farmers Market, a versão tcheca do “achei que era sorvete mas era feijão”: achei que era carrinho de picolé, mas era carrinho de linguiça. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Em Praga, dá vontade de caminhar olhando só pra cima, porque a arquitetura lá é maravilhosa. A propósito, acho que nunca comentei isso aqui, mas: Israel tem alguns dos prédios mais feios que eu já vi na vida. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Catedral de São Vito, no Castelo de Praga. Muito ouro. É impressionante (e assustador) entrar num lugar desses e imaginar o poder que a Igreja Católica tem/tinha sobre o mundo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Um dos gatinhos do cat café chamado Cat Café que visitamos em Praga. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Elefantíneos do Prague Zoo. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Não temos foto do museu do sexo, mas temos foto de comida :) Encontramos um restaurante coreano chamado 밥; rýže em Praga e gostamos tanto que acabamos indo mais uma vez. Eu estava muito na larica de comida coreana porque em Israel não tem restaurante coreano. Mas agora eu comecei a arrasar muito fazendo minhas comidinhas em casa mesmo; me acompanhem no Instagram @leejwsarah! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

O nome completo da Kitty

O mais legal de ser casada com uma pessoa de outra nacionalidade é que você está sempre aprendendo coisas de outro país. Recentemente, eu entendi a questão dos nomes na Rússia – e descobri como é o nome completo da Kitty.

Kitty, Monster Face, Senhorita Bigodes. A gente chama a Kitty de vários jeitos, mas ela tem um nome real oficial. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

1) Sobrenome: assim como na Coreia, tradicionalmente, as crianças nascidas na Rússia recebem apenas o sobrenome do pai. Mas há um detalhe. Os meninos recebem o sobrenome exatamente com a mesma grafia, enquanto que as meninas recebem o sobrenome com um “a” no final. O sobrenome do Alex é Maliarov; portanto, o sobrenome da Kitty é Maliarova.

2) Nome do meio: além do sobrenome, o nome próprio do pai também vai para a certidão de nascimento das crianças russas, e vira um nome do meio com a adição de um sufixo específico para os meninos (“ich”, “vich” ou “evich”) e outro para as meninas (“ovna”, “evna” ou “ichna”). O nome do Alex é Alexander; portanto, o nome do meio da Kitty é Alexandrovna (com ênfase no primeiro “a” – “Alexândrovna”).

3) Nome próprio: o Alex tem vários amigos russos, ucranianos e bielorrussos que viraram meus amigos também, e eu fiquei chocada nesta semana porque finalmente descobri que o nome de muitos deles, pelos quais eu sempre os chamei, não é o nome deles; é o apelido. O único que eu já sabia é o Sasha, que é o apelido de Aleksandr (o Alex, meu marido, é Alex pra gente, mas ele é Sasha para toda a família e os amigos que falam russo). Dima é Dmitry. Pasha é Pavel. Slavik é Vyacheslav. E Katya é Yekaterina. Foi assim que a conversa começou. A Katya veio em casa e conheceu a Kitty, e disse: “Katya e Kitty são quase iguais. E se eu sou Yekaterina, a Kitty deve ser…”

“- Yekittyrina”, concluiu o Alex.

Então é isso. O nome completo da Kitty é Yekittyrina Alexandrovna Maliarova.

Mood de 2019: chorando ao telefone com a moça dos gatos

“- E aí, Sarah Lee, como vai a vida?”

Hoje eu liguei para uma moça que faz resgate de gatos de rua, porque eu estava procurando algum tipo de trabalho voluntário para me manter ocupada e pensei que ajudar em um abrigo de bichinhos seria uma boa ideia.  Ela pediu para saber mais sobre mim, e eu comecei a chorar de boca aberta contando que estou em Israel há mais de um ano e meio e ainda não tenho emprego, nem rotina, nem amigos.

E no fim das contas não vou ter trabalho voluntário também, porque ela explicou que não existem abrigos para gatos em Israel.