Três playlists maravilhosas para seguir no Spotify

1. “Songs to do CPR to”. Criada pelo Hospital Presbiteriano de Nova York, é uma playlist só de músicas com 100 batidas por minuto, que é a frequência ideal para executar a ressuscitação cardiopulmonar (cuja sigla em inglês é CPR). “Escolha uma [música] para lembrar caso você precise salvar uma vida.”

 

2. “I’m Serious, but my Tastes are Not”. Do meu amigo Daniell Marafon, que tem cara de mau, mas na verdade é um fofo encantador de gatos com um gosto musical engraçadão. Só tranqueiras cafonas do fim dos anos 70, anos 80 e início dos 90.

 

3. “funks advérbios de modo”. Autoexplicativa. Criada por um moço chamado Apolinário Passos, que também tem uma playlist chamada “Rimas ricas compostas da mesma palavra”.

Please come to Brazil

Ontem à noite, falando ao telefone com a minha mãe, contando as novidades da semana.

Eu: – Ah, omma, e talveeez a gente vá para o Brasil no fim de novembro. Vai ter um congresso de oftalmologia em São Paulo que pode ser que o Alex vai ter que participar, e, se ele for, eu vou com ele.

Mãe: – Oh, fim de novembro, é?

Eu: – Sim, mas não é certeza ainda. A empresa do Alex vai confirmar se ele vai ter que viajar mesmo; daí se ele for, eu vou junto.

Mãe: – Entendi.

Eu: – Se eles falarem que sim, a gente avisa.

Mãe: An, arassó.

Eu: – Não está confirmado ainda, hein?!

Mãe: – Tá bom.

Minha mãe vira para o meu pai e fala: “A Sarinha e o Alex vão vir para o Brasil no fim de novembro!”.

Como o Mingau virou o gato da Magali

Eu amo as historinhas da Turma da Mônica; quando eu era criança, a gente recebia os gibis em casa por assinatura mensal, e, mesmo assim, eu sempre parava para ler quando via um exemplar na casa de alguém. A minha prima Florencia, por exemplo, também tinha um monte de gibis na casa dela, e eles inevitavelmente me atraíam quando eu ia lá pra gente brincar:

[MiniSarah deitada no chão do quarto da MiniFlor, lendo um gibi da Magali]

MiniFlor brava, parada na porta do quarto: – Você veio pra brincar ou pra ler gibi??

MiniSarah: – Pra brincar!

[Passam cinco segundos e ninguém se mexe]

MiniFlor: – Então, você não vem??

MiniSarah: – Pera, deixa eu terminar essa historinha!

Ontem a página da Turma da Mônica no Facebook postou na íntegra a primeira história da Magali com o Mingau – meus dois personagens favoritos -, que saiu no gibi Magali nº1, de fevereiro de 1989! Eu nunca tinha lido essa historinha, e achei a coisa mais fofa e triste-mas-com-final-feliz do mundo (a minha Kitty também é adotada; e aqui em Israel tem tantos gatinhos de rua… No começo eu ficava feliz de ver gatos por todo lado, mas agora só fico triste por eles – mas enfim, isso é outra história). Não resisti, e tive que publicar aqui no blog:

(Imagens: reprodução Facebook Turma da Mônica)

O Alex encontra beleza nos meus olhos

O título parece romântico, mas na verdade eu vou escrever sobre um dos temas menos sexy do mundo: semântica hebraica.

Tem uma expressão em hebraico que eu acho engraçada, porque ela faz um drama enorme para dizer algo muito simples. “Limtsô chen beinéi”, cuja tradução literal é algo como “encontrar beleza (ou graça) nos olhos de”, significa apenas que fulano gosta de tal coisa.

Então se eu quero dizer que “Eu gosto do Alex”, eu falo: “Alex motsé chen beeinái”, ou, literalmente, “O Alex encontra beleza nos meus olhos”. Para dizer que “Ele gosta de mim”, eu falo: “Ani motsét chen beeináv”, ou “Eu encontro beleza nos olhos dele”.

O mais cômico é que a expressão não serve apenas para pessoas; você pode usá-la com as coisas mais mundanas, tipo “pneu”, e vai soar como se estivesse declamando um poema: “Ele gostou deste pneu” = “Hatsemíg hazé matsá chen beeináv” = “Este pneu encontrou beleza nos olhos dele”.

Apesar de parecer pomposa, a expressão é supercomum no hebraico do dia-a-dia – tanto que, antes de fazer uma pesquisinha para escrever este post, eu nem sabia que o verbo “gostar” existe, sim, em hebraico: “lichabév”. No ulpan eu aprendi apenas o “leehóv”, que a professora traduzia como “to love or to like”. E o Google Translate curiosamente não mostra o “lichabév” quando você busca por “gostar”; “gostar” e “amar” são igualmente traduzidos como “leehóv”.

Fiz um print pra vocês verem: “amar” e “gostar” são traduzidos para o hebraico como se fossem a mesma coisa: “leehóv”. Só depois de tentar em inglês é que descobri que tem um verbo diferente para cada um: “leehóv” e “lichabév”. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Para terminar, mais duas curiosidades sobre o assunto “romance” (ou não): em hebraico, não existe a palavra “namorado”; ou você é meu amigo, ou é meu marido. E na verdade, a palavra “marido” não significa “marido”; ela significa “dono”!

+ Retrospectiva do ulpan: cinco meses de aulas de hebraico resumidos em 20 gifs

+ Pequena lista de palavras engraçadas em hebraico