I don’t like to bother people – baby Sarah edition

Uma vez, quando eu era criança, fui tomar banho e quando terminei e saí do chuveiro, vi que não tinha toalha no banheiro. Minha família toda estava em casa. Eu gritei pedindo para alguém trazer uma toalha para mim? NOPE, eu fiquei lá pelada tremendo de frio até a água do meu corpo secar sozinha.

Até hoje eu só tomo banho depois de verificar se tem toalha.

+ I don’t like to bother people

Le Fofo

O nome mesmo é Le Bou, mas logo na primeira vez que fomos lá, a gente começou a chamar de Le Fofo – alcunha apropriada para um bistrô cor-de-rosa com banquinho do lado de fora e frascos de perfume decorando o banheiro.

O strogonoff de vitela era o meu prato preferido – quase chorei quando tiraram do cardápio -, mas o picadinho com arroz, feijão, ovo frito e pastel de banana e o spaghetti aos frutos do mar também conquistaram um lugar no meu coração.

Comer lá não era barato, então a gente costumava deixar pras ocasiões especiais. Quase sempre era nas semanas particularmente cansativas, quando rolava um “quer saber? Hoje eu mereço um almoço bem gostoso!” e então nos sentíamos ricas e finas com nossa entrada + prato principal + sobremesa e um suco de tangerina fresquinho. Outras vezes era nas despedidas da equipe.

Quatro gerações de éfiéfidáblias fizeram sua despedida no Le Fofo. Pessoas que saíram ou que foram saídas; e até uma pessoa que ia sair e já tinha passado pelo almoço do adeus, mas daí ficou, e depois foi saída. Para mim, foram quase cinco anos voltando ao mesmo restaurante para falar “até logo” pras amigas.

Eu fui da geração que iniciou a tradição, e, quando fui embora, a tradição morreu. Mas continuo tendo o maior carinho pelo lugar, tanto pela comida quanto pelas boas memórias.

(Hoje vi no Facebook um amigo postando uma foto de lá e fiquei com vontade de escrever.)

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A última ceia: meu almoço de despedida do FFW no Le Bou / Le Fofo e o fim de uma era. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Terra, Planeta Água

No colegial eu tinha uma amiga com quem rolava forte identificação porque ela também era uma descendente de coreanos desgarrada da colônia. Por causa desse background cultural parecido, a gente compartilhava as mesmas frustrações e os mesmos dilemas, mas também dávamos bastante risada juntas.

Achávamos graça, por exemplo, na empolgação dos nossos pais durante os programas de meio ambiente / vida selvagem que passavam na televisão – coreano ama um Discovery Channel. Daí a gente ficava rindo e imitando os “omonaaa” das nossas mães vendo episódios de, sei lá, Os Hábitos Alimentares Noturnos do Crocodilo Canhoto do Nilo.

Lembrei disso porque comecei a assistir à série-documentário Planet Earth no Netflix e, embora eu não solte nenhum “omonaaa”, senti o peso da idade quando observei esse momento “estou virando minha mãe”. Ela, aliás, deu risada de mim há poucos dias, quando eu comentei que o ano estava passando muito rápido. “hihihi, isso é coisa de gente velha, acho que você está ficando velha, hihihi”, ela disse.

Enfim, Planet Earth já é de uns anos atrás (2006), mas se você nunca assistiu, eu recomendo. Foram cinco anos de produção e filmagens para a criação de uma temporada dividida em 11 capítulos. O primeiro deles já dá me deu uma bela puxada pro chão; uma dose de perspectiva que acho essencial ter de vez em quando.