O que é ser perfeccionista

Me deu vontade de escrever um texto sobre o que é ser perfeccionista.

Daí passei horas desenvolvendo o rascunho, digitando, apagando, digitando, apagando, criando um novo abre, depois outro abre, outro abre, outro abre, mas nenhum estava bom o suficiente.

Daí comecei a pensar em exemplos próprios que eu poderia compartilhar, de coisas que aconteceram na minha infância, ou uma situação de trabalho, ou um comentário feito por alguém próximo, mas não me senti confortável com a ideia de me expor.

Daí abri o Google pra pesquisar sobre o assunto e poder, assim, redigir o melhor post sobre o perfeccionismo já visto na internet, e encontrei este artigo que é bom, mas aff, tá cheio de erros de português e tem vários trechos com tradução capenga.

Daí me questionei se eu deveria mesmo investir na redação ou fazer outra seleção de fotos de maquiagem, pois a audiência do blog tem sido instável e isso é provavelmente porque eu falhei em estabelecer uma linha editorial e as pessoas não estão gostando do conteúdo.

Daí decidi fazer essa lista relatando o processo frustrado de redigir o melhor post sobre o perfeccionismo já visto na internet, e gastei mais um tempo pra me convencer de que tudo bem os parágrafos não terem o mesmo número de linhas; ninguém vai reparar que você é torta, Sarah.

E isso é o que temos pra hoje.

Diga-me com quem andas e te direi quem és

“Nothing of me is original. I am the combined effort of everyone I’ve ever known” é um trecho do livro “Invisible Monsters” (Chuck Palahniuk) que eu sempre lembro quando vejo grupos de gente igualzinha. Sabe? Gente que se veste igual, pensa igual, fala igual, frequenta os mesmos lugares, assiste aos mesmos filmes, ouve as mesmas músicas, faz as mesmas faculdades, trabalha nos mesmos segmentos, mora nos mesmos bairros.

Daí tem aquela frase: “Diga-me com quem andas e te direi quem és.” Andas somente com gente igualzinha a ti? Então você é uma pessoa limitada, porque nunca vai assimilar coisas novas.

Ainda sobre o perigo de uma única história

Tava aqui pensando sobre o vídeo de ontem: o “single story” não ameaça somente nosso entendimento de outras pessoas e outros povos; frequentemente, caímos na armadilha em relação a nós mesmos. O single story nesse caso pode vir em várias manifestações – astrológica, bairrista, nacionalista, de gênero… “Sou ariana / gaúcho / coreana / homem / tímida / pobre / de humanas e não faço / só faço (_______).” Tipo, a gente pega um elemento da nossa vida e usa como motivação e justificativa pra tudo. Selecionamos essa fatia que é uma verdade, e transformamos na única verdade, deixando de evoluir, aprender, ir pra frente, porque “sou assim”.

Né não?

Você é quietinha, né?

Faz parte do cotidiano de todo introvertido – e isso pode ser bem irritante – ter que lidar com comentários do tipo “você é quietinha, né?”.

– Ainn, Sarah, mas o que é que tem?

O que é que tem é que é chato, tosco e desnecessário. Sério, que diálogo você espera desenvolver quando eu te conheço há cinco segundos (sempre gente que conheço há cinco segundos) e essa é a sua frase de abertura? A frase que eu já ouvi zilhões de vezes. A frase que vai seguir, inevitavelmente, o mesmíssimo roteiro: a pessoa fala; eu respondo; a pessoa fala que eu sou grossa.

– Você é quietinha, né?
– Sim. Sou.
– Ainn, que nervosinha.

Ou

– Você é quietinha, né?
– Não. Não sou.
– Ainn, que nervosinha.

Apenas parem.

E sabe? Eu demorei pra entender por que essas coisas me incomodavam. Achava que era a repetição, ou a prepotência de um desconhecido fazendo a íntima. Mas não é (só isso); o problema, mesmo, é que muitas vezes sinto um tom condescendente acompanhando essas brilhantes observações. “Você não fala muito, né?” + cabeça que vai pro ladinho + sobrancelhas caídas + meio sorriso de simpatia. Como se a minha quietude fosse motivo de pena. “Coitadinha, tão quietinha.”

O ser humano pega uma característica minha que ele enxerga como um defeito; reveste-a de dó passiva-agressiva; esfrega na minha cara; e ainda acha que eu tenho que fazer festinha?

Aqui pra você, ó:

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(Gifs: reprodução)

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