I Have No Idea What I’m Doing

Este post é uma narrativa visual das sete fases da perda de controle sobre a própria vida, ilustrada exclusivamente por gifs com a frase “I Have No Idea What I’m Doing”:

Fase 1: “hahaha, não faço ideia do que tô fazendo, mas tudo bem! Caos e liberdadeee! Wiiiii!!”.

Fase 2: “Ok, já faz um tempo que eu não tenho a mínima noção do que estou fazendo; será que devo começar a me preocupar?”.

Fase 3: “Relaxa, é só demonstrar autoconfiança e tudo vai terminar bem”.

Fase 4: Tentando colocar a vida em ordem.

Fase 5: Falhando miseravelmente.

Fase 6: “Eu sou uma farsa e TODO MUNDO SABE!”.

Fase 7: Chorando de boca aberta.

(Gifs: reprodução)

Unidos da Baixa Autoestima

Imagem: reprodução Sarah Andersen

Tem esse negócio que nós da baixa autoestima fazemos, que é associar o nosso próprio valor às coisas que a gente produz. Se produzimos algo bom (tiramos nota 10 no TCC, entregamos um projeto de sucesso no trabalho, assamos um bolo de fubá que é devorado em cinco minutos) = somos okzinho. Se produzimos algo ruim = “UAARRGGHHHH, eu sou a mosca do cocô do cavalo do bandido, não sirvo pra nada, I wish I was special, you’re so fuckin’ special, but I’m a creep”.

A pegadinha é que: o nosso valor é associado às coisas que a gente produz, e as coisas que a gente produz são associadas à opinião dos outros. Para tirar nota 10 no TCC, a banca tem que ficar impressionada com o seu documentário sobre transtorno bipolar; pro seu projeto ser um sucesso no trabalho, a diretoria tem que avaliar que ele vai satisfazer os objetivos da empresa; pro bolo de fubá ser devorado em cinco minutos, a sua família tem que achar que ele está fofinho e saboroso sem ser doce demais.

Na vida adulta, a maior parte do que a gente produz é relacionada ao trabalho, por isso a gente acaba se deixando definir por ele. Se temos um trabalho que as pessoas consideram bom = somos bons; se temos um trabalho que as pessoas consideram ruim = somos ruins.

E se não temos trabalho? Não somos nada, né.

Só que não, minha gente! Vamos parar de acreditar que o nosso valor depende do que a gente produz! Nem tudo na vida cabe numa caixinha pra gente mostrar pras pessoas e ter a aprovação delas! Só a gente sabe das nossas próprias escolhas e das nossas próprias conquistas! Super Xuxa contra Baixo Astral!

Escrevi este post porque passei os últimos meses chateadíssima com uma coisa que me foi dita no fim do ano passado. Uma pessoa do nosso círculo de conhecidos aqui em Israel perguntou se eu estava trabalhando, e eu respondi que não – na época eu ainda estava na escola intensiva de hebraico, e tinha tomado a decisão de só começar a trabalhar depois de finalizar o curso, porque queria uma imersão total nos estudos. Daí o serumani vira e me fala: “Você tem tanta sorte de ter casado com um cara que tem um emprego bom e que pode te comprar tudo que você quiser”.

Fiquei com a cara no chão. Pelo machismo e pela falta de noção da pessoa, é claro, mas também porque internalizei esse julgamento como algo muito profundo e íntimo (e que só estou compreendendo agora!). Minha autoestima fez hara-kiri porque nessa armadilha de vincular valor a produto, se você não trabalha, você não tem um produto para mostrar pros outros; se você não tem um produto para mostrar pros outros, você não está criando valor; se você não está criando valor, você não tem valor. Nesse pira pirá pirô, eu despenquei de “mulher no controle do próprio destino corajosa navegando novos mares arrasando no aprendizado de idioma treta” para “mulher que não é nada”.

PODE PARAR!

Não caiamos mais nessa, amores.

O perigoso lado ruim de ser perfeccionista

Quando você lê uma reportagem gigantesca sobre uma tendência potencialmente autodestrutiva e vai ticando parágrafo por parágrafo – hm, eu faço isso… E penso assim… E tive isso na infância… E falo essas coisas pras pessoas… E passei por essa fase na faculdade… E faço isso todas as noites… Hmmmmm, devo procurar um psicólogo?

Gif: reprodução

Hoje em dia todo mundo sabe que durante uma entrevista de emprego, quando o entrevistador te pergunta qual a sua maior qualidade e qual o seu maior defeito, você não pode mais responder “ser perfeccionista” e “ser perfeccionista”, porque essa resposta já foi tão repetidamente batida que virou piada. O que é uma bosta, porque no contexto do trabalho, eu realmente achava que ser perfeccionista era a minha maior qualidade e o meu maior defeito. Mas o texto “O perigoso lado ruim de ser perfeccionista”, no site da BBC Brasil, me ajudou a entender que o “ser perfeccionista/qualidade” na verdade não é perfeccionismo, e que o “ser perfeccionista/defeito” é um troço tão sério que eu nem deveria estar falando disso para o meu potencial contratante hahaha #risadanervosa

O resumo da parada toda é que: “Trabalhar duro, ser comprometido, diligente e assim por diante, são todas características desejáveis. Perfeccionismo não é adotar padrões altos. É estabelecer padrões irreais. Não é um comportamento. É a maneira como você pensa sobre si mesmo”. Tralalá, “para os perfeccionistas, a performance está ligada ao senso de identidade. Quando não conseguem alcançar algo, eles não se sentem decepcionados em relação ao que fizeram, mas, sim, vergonha de si mesmos. Ironicamente, o perfeccionismo se torna uma tática de defesa para manter a vergonha à distância: se você é perfeito, nunca falha; e se nunca falha, não há por que se envergonhar. Como resultado, a busca pela perfeição se torna um ciclo vicioso. E, uma vez que é impossível ser perfeito, todo esforço acaba sendo em vão”.

(Pausa para linkar um post sobre perfeccionismo que eu tentei escrever há dois anos, mas que não consegui elaborar bem o suficiente, então acabei desistindo e publicando umas besteiras nada a ver)

Gif: reprodução

Enfim, eu recomendo que vocês leiam o texto inteiro no site da BBC, porque ele é muito bom; clique aqui.

O que é ser perfeccionista

Me deu vontade de escrever um texto sobre o que é ser perfeccionista.

Daí passei horas desenvolvendo o rascunho, digitando, apagando, digitando, apagando, criando um novo abre, depois outro abre, outro abre, outro abre, mas nenhum estava bom o suficiente.

Daí comecei a pensar em exemplos próprios que eu poderia compartilhar, de coisas que aconteceram na minha infância, ou uma situação de trabalho, ou um comentário feito por alguém próximo, mas não me senti confortável com a ideia de me expor.

Daí abri o Google pra pesquisar sobre o assunto e poder, assim, redigir o melhor post sobre o perfeccionismo já visto na internet, e encontrei este artigo que é bom, mas aff, tá cheio de erros de português e tem vários trechos com tradução capenga.

Daí me questionei se eu deveria mesmo investir na redação ou fazer outra seleção de fotos de maquiagem, pois a audiência do blog tem sido instável e isso é provavelmente porque eu falhei em estabelecer uma linha editorial e as pessoas não estão gostando do conteúdo.

Daí decidi fazer essa lista relatando o processo frustrado de redigir o melhor post sobre o perfeccionismo já visto na internet, e gastei mais um tempo pra me convencer de que tudo bem os parágrafos não terem o mesmo número de linhas; ninguém vai reparar que você é torta, Sarah.

E isso é o que temos pra hoje.