Viagem a Jerusalém

De todos os destinos religiosos em Israel, o mais marcante para mim foi Jerusalém. A parte antiga da cidade é linda e acredito que qualquer pessoa gostaria do passeio – mas para nós que fomos criados na Igreja e ouvimos essas histórias em incontáveis estudos bíblicos, a sensação de admiração e reverência é inigualável. As ruas por onde Jesus Cristo caminhou, o local onde ele realizou a Última Ceia, onde ele foi crucificado, onde foi sepultado, de onde ele ressuscitou: as referências estão todas lá, na sua frente, debaixo dos seus pés, acima da sua cabeça, a um braço de distância. Eu já mencionei aqui que tenho meus embates com Deus, mas mesmo assim, esta viagem foi muito especial.

Acabamos indo para Jerusalém na pior época possível, quando o clima estava tenso, com muitos ataques de palestinos contra israelenses judeus; a imprensa começava a falar em uma Terceira Intifada. Mas nos informamos com uma galera que mora em Israel e todos garantiram que a cidade é segura para turistas, então decidimos arriscar. #vidaloka #yolo

Para garantir, fizemos um tour pago, com guia (que eu não recomendo; não vou nem dar ibope), e visitamos todos os principais pontos de interesse em um dia, no meio de um grande grupo de gente obviamente estrangeira. As únicas coisas que deixamos pra manhã seguinte – e que fizemos por conta – foram o Monte das Oliveiras e as compras no mercado de Jerusalém.

Vou postar uma seleção de fotolegendas como resumo (beeem resumido, porque é muita informação) do passeio:

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A Igreja do Santo Sepulcro. Olhando assim nem parece, mas ela é enorme por dentro. Segundo a tradição cristã, a igreja foi construída no local onde aconteceram a crucificação, o sepultamento e a ressurreição de Jesus Cristo.
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Esse painel é uma das primeiras coisas que você vê quando entra na Igreja do Santo Sepulcro (que só possui uma porta para entrada e saída). Tem muita coisa importante lá, mas infelizmente, por causa da luz pouco favorável, as fotos ficaram ruins; só vou postar essas duas.
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Chegando ao Muro das Lamentações.
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Ó eu ali, com a bolsa verde. Foto: Janaína Harada Duarte (btw, ela aparece na imagem que publiquei neste outro post)
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No Monte do Templo, chegando perto do Domo da Rocha. Reparem que tem muita gente com umas “saias” coloridas em volta da cintura; são pessoas que estavam de shorts e precisaram comprar o pedaço de lençol que mencionei aqui.
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O Domo da Rocha.
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A vista do alto do Monte das Oliveiras. O ponto dourado grande é o Domo da Rocha. No terço direito tem outro ponto dourado, que é a Igreja de Santa Maria Madalena, da Igreja Ortodoxa Russa. O branco na parte de baixo da foto é o cemitério judaico onde, segundo a tradição, ocorrerão as primeiras ressurreições no retorno do Messias.
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Outra panorâmica do alto do Monte das Oliveiras, mas agora olhando mais para a esquerda. Beijos!

(Fotos: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo)

A fé Bahá’í e o jardim de Haifa (com a ocasional trupe de ginastas russos fazendo malabarismos)

Citei aqui nesse post que, ao lado do judaísmo, cristianismo e islamismo, o druzismo e a fé Bahá’í compõem a lista de religiões reconhecidas em Israel. Dá-lhe sandálias da humildade: eu nunca tinha ouvido falar dessas duas últimas até vir para cá.

A fé Bahá’í é uma religião monoteísta fundada em 1844 na antiga Pérsia, atual Irã, por Bahá’u’lláh. Entre os ensinamentos principais estão “a crença na unicidade de Deus e da humanidade e a igualdade entre todos os membros da família humana” – para quem tiver curiosidade, encontrei um site brasileiro com bastante informação. Aqui tem uma parte que achei interessante, sobre como “as diversas religiões são em verdade uma só”.

Enfim, essa introdução foi só para dizer que um dos passeios que fizemos em Israel foi para o jardim Bahá’í, em Haifa. A gente chegou pela porta errada e no horário errado (hihi), então não pudemos entrar no templo nem acessar os andares inferiores, mas a vista lá do topo é linda (além de ser tipo o paraíso dos loucos da simetria).

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Um pouco antes da entrada do jardim Bahá’í, em Haifa. Imagina morar numa casa com essa vista! Detalhe: o que é essa mancha preta no céu? Um pássaro? Um avião? Uma espaçonave recheada de homenzinhos verdes? Nunca saberemos.
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A vista no topo do jardim Bahá’í, em Haifa, Israel.
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A ocasional trupe de ginastas russos fazendo malabarismos.
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Beijos!

(Fotos: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo)

Turistagem em Nazaré

Nazaré foi o primeiro passeio religioso que fiz em Israel. Lá também foi o primeiro (e único) lugar onde encontrei gente do Brasil por aqui: as duas moças do escritório da Basílica da Anunciação e uma freira francesa do Centre International Marie de Nazareth que morou durante muitos anos em Minas Gerais.

A cidade é conhecida como a “capital árabe de Israel” (69% da população é muçulmana), mas devido ao contexto histórico/religioso, o lugar atrai principalmente visitantes cristãos. Passamos uma manhã + tarde lá, e deu pra fazer tudo que estava na nossa listinha. Destaco duas atrações:

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Basílica da Anunciação, em Nazaré. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Primeiro, a Basílica da Anunciação, construída no local onde, acredita-se, Maria viveu parte da sua infância e onde ela foi visitada pelo anjo Gabriel a respeito da concepção de Jesus Cristo. O interior da igreja é impressionante, mas eu gostei mesmo da parte de fora, onde fica a maioria dos mosaicos (são cerca de 100). Todos eles têm Maria como tema central, mas cada um é de um país diferente, com sua própria interpretação e identidade cultural.

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Alguns dos mosaicos da Basílica da Anunciação, em Nazaré. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Mais mosaicos. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Em detalhes, os mosaicos de Portugal, Espanha e China. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Maria, Jesus e Sarah. Foto: Janaína Harada Duarte
Maria, Jesus e Sarah. Foto: Janaína Harada Duarte

Segundo, o Centre International Marie de Nazareth. Eu indico o tour dessa instituição somente para quem possui bastante interesse nas histórias bíblicas; mas ir ao terraço é legal pra todo mundo, pela vista linda que se tem da parte antiga de Nazaré.

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No terraço do Centre International Marie de Nazareth <3 Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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A capela do Centre International Marie de Nazareth. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Mais Nazaré! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Um post sério sobre coisas sérias – parte 2

(Este post é uma continuação desse aqui)

E a questão religiosa, Saralí? Como é viver num país onde a religião é um tema tão central?

É supreendentemente tranquilo. Antes da viagem eu estava um pouco receosa até pela questão prática de visitar um país religioso: que roupa usar? Tava na dúvida se seria ok sair de regata / shorts, ou se as pessoas iam ficar me encarando na rua. A resposta é: nobody cares.

Três das cinco religiões reconhecidas em Israel (judaísmo, islamismo, druzismo, cristianismo e fé Bahá’í) possuem “identidades visuais” fortes, então em lugares públicos tem de tudo. Você vê os judeus de quipá, os judeus ortodoxos de preto e chapéu, as muçulmanas de hijab, os drusos de calça saruel, a galera muderna de roupas justas / curtas / coloridas / decotadas, e é isso aí; ninguém fica olhando, julgando, apontando o dedo. A gente só tem que tomar cuidado nos lugares sagrados de cada religião. Quando fomos para Nazaré, por exemplo, a Jana estava de bermuda e não pode entrar na Basílica da Anunciação. Felizmente, eles emprestam, gratuitamente, um tipo de avental para você amarrar na cintura e cobrir as pernas. Quando fomos para Jerusalém, eu não tive a mesma sorte. Achei que poderia entrar no Monte do Templo de camiseta, mas como o local é administrado por muçulmanos, as mulheres precisam esconder todo o braço. Essa “triagem” da vestimenta só é feita depois que você passa pela enorme fila e por todo o esquema de segurança, então minha única opção foi pagar os 25 shekels* que eles cobram por um pedaço de lençol – literalmente, um pedaço de lençol, com elástico na ponta e tudo – e cobrir a pele à mostra.

(*Um shekel é mais ou menos um real)

"Cara de 'quero matar a pessoa que me fez comprar esse retalho de lençol'". Foto e legenda: Janaína Harada Duarte
No Monte do Templo, na frente do Domo da Rocha: “Cara de ‘quero matar a pessoa que me fez comprar esse retalho de lençol'”. Foto e legenda: Janaína Harada Duarte

E as tretas religiosas?

Não é uma coisa que a gente vê na rua. A única vez que testemunhei algum tipo de hostilidade religiosa foi no Monte do Templo (ele de novo), quando um judeu ortodoxo passou por um grupo de muçulmanas e iniciou-se uma barulheira delas gritando alguma coisa sobre Alá até ele sumir de vista. Nosso guia explicou que elas fazem isso como forma de intimidação, para reiterar que os judeus não são bem-vindos ali. Porque o fato de que ele estava sendo escoltado por três soldados armados não deixava isso suficientemente claro (?).

Enfim, termino este post sério sobre coisas sérias com esse textinho que o Alex que mostrou há uns dias:

“Os americanos sabem que não se deve ir a Israel – é perigoso. Os israelenses sabem que na verdade Israel não é perigosa, é perigoso somente em Jerusalém. As pessoas em Jerusalém sabem que isso tudo é um absurdo, só há perigo em Gilo (perto de Jerusalém) – há tiroteios. Os moradores de Gilo acreditam que é perigoso apenas em uma rua, a Ha Anath. Na rua Ha Anath todos sabem que só é perigoso o número 15, que fica na área de bombardeios. O prédio no número 15 sabe que o apartamento perigoso é o 36, que fica na linha de fogo. No apartamento 36 qualquer idiota entende que só é perigoso na cozinha – na sala e nos quartos, tudo é tranquilo. Na cozinha você pode se sentir completamente seguro, exceto no canto onde fica a geladeira. No canto da geladeira pode-se realmente levar um tiro, mas só quando você vai pegar alguma coisa no congelador.

Precisa-se tomar um pouco de cuidado ao tirar o hambúrguer do congelador – e isso é chamado de ‘perigoso’???”