Yom Kippur em Israel

Yom Kippur é uma data que envolve reflexão, arrependimento e oração pela misericórdia de Deus. É como um dia comum da minha vida. A diferença é que hoje tem um país inteiro fazendo a mesma coisa.

Este é o dia mais sagrado do calendário judaico, por isso costuma ser observado mesmo por judeus não-religiosos. É uma mobilização total. Ninguém trabalha; não tem um carro na rua, um ônibus; não tem nada na TV além de um aviso de que a transmissão volta depois do Yom Kippur.

Muita gente está jejuando desde ontem à noite, por isso estou tomando cuidado; hoje evitei usar o fogão e não esquentei nada no microondas para evitar cheirinho de comida (da série Coisas Que Nunca Imaginei Que Fosse Precisar Fazer Antes de Vir Morar em Israel).

Não tinha comida pronta na geladeira e o pão está no congelador, então não daria nem pra fazer um sanduíche sem botar no micro-ondas (e tem coisa que acorda mais o estômago do que cheirinho de pão quente?). Acabei inventando um macarrão mara, rápido de fazer e gostoso, que não precisa passar nada no fogo. A única coisa que cozinhei foi o macarrão em si, que não tem cheiro, então não tem problema. Passei o macarrão cozido direto da panela pra tigela com cream cheese, queijo, alho picado, tomatinho cortado em quartos, azeite, sal e pimenta do reino moída na hora. Como o macarrão estava superquente, o cream cheese e o queijo derreteram e ficou tudo cremoooso. Nhams.

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Meu macarrão de Yom Kippur. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Gente, vou aproveitar o assunto para divulgar meu Twitter, @sarahjwlee, onde estou escrevendo sobre lances curtos da vida em Israel. Este post nasceu de tweets que joguei lá mais cedo :) Também estou com esta outra conta, @talmida_tova, onde estou tweetando só em hebraico, para praticar minha escrita!

Viagem a Jerusalém

De todos os destinos religiosos em Israel, o mais marcante para mim foi Jerusalém. A parte antiga da cidade é linda e acredito que qualquer pessoa gostaria do passeio – mas para nós que fomos criados na Igreja e ouvimos essas histórias em incontáveis estudos bíblicos, a sensação de admiração e reverência é inigualável. As ruas por onde Jesus Cristo caminhou, o local onde ele realizou a Última Ceia, onde ele foi crucificado, onde foi sepultado, de onde ele ressuscitou: as referências estão todas lá, na sua frente, debaixo dos seus pés, acima da sua cabeça, a um braço de distância. Eu já mencionei aqui que tenho meus embates com Deus, mas mesmo assim, esta viagem foi muito especial.

Acabamos indo para Jerusalém na pior época possível, quando o clima estava tenso, com muitos ataques de palestinos contra israelenses judeus; a imprensa começava a falar em uma Terceira Intifada. Mas nos informamos com uma galera que mora em Israel e todos garantiram que a cidade é segura para turistas, então decidimos arriscar. #vidaloka #yolo

Para garantir, fizemos um tour pago, com guia (que eu não recomendo; não vou nem dar ibope), e visitamos todos os principais pontos de interesse em um dia, no meio de um grande grupo de gente obviamente estrangeira. As únicas coisas que deixamos pra manhã seguinte – e que fizemos por conta – foram o Monte das Oliveiras e as compras no mercado de Jerusalém.

Vou postar uma seleção de fotolegendas como resumo (beeem resumido, porque é muita informação) do passeio:

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A Igreja do Santo Sepulcro. Olhando assim nem parece, mas ela é enorme por dentro. Segundo a tradição cristã, a igreja foi construída no local onde aconteceram a crucificação, o sepultamento e a ressurreição de Jesus Cristo.
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Esse painel é uma das primeiras coisas que você vê quando entra na Igreja do Santo Sepulcro (que só possui uma porta para entrada e saída). Tem muita coisa importante lá, mas infelizmente, por causa da luz pouco favorável, as fotos ficaram ruins; só vou postar essas duas.
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Chegando ao Muro das Lamentações.
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Ó eu ali, com a bolsa verde. Foto: Janaína Harada Duarte (btw, ela aparece na imagem que publiquei neste outro post)
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No Monte do Templo, chegando perto do Domo da Rocha. Reparem que tem muita gente com umas “saias” coloridas em volta da cintura; são pessoas que estavam de shorts e precisaram comprar o pedaço de lençol que mencionei aqui.
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O Domo da Rocha.
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A vista do alto do Monte das Oliveiras. O ponto dourado grande é o Domo da Rocha. No terço direito tem outro ponto dourado, que é a Igreja de Santa Maria Madalena, da Igreja Ortodoxa Russa. O branco na parte de baixo da foto é o cemitério judaico onde, segundo a tradição, ocorrerão as primeiras ressurreições no retorno do Messias.
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Outra panorâmica do alto do Monte das Oliveiras, mas agora olhando mais para a esquerda. Beijos!

(Fotos: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo)

A fé Bahá’í e o jardim de Haifa (com a ocasional trupe de ginastas russos fazendo malabarismos)

Citei aqui nesse post que, ao lado do judaísmo, cristianismo e islamismo, o druzismo e a fé Bahá’í compõem a lista de religiões reconhecidas em Israel. Dá-lhe sandálias da humildade: eu nunca tinha ouvido falar dessas duas últimas até vir para cá.

A fé Bahá’í é uma religião monoteísta fundada em 1844 na antiga Pérsia, atual Irã, por Bahá’u’lláh. Entre os ensinamentos principais estão “a crença na unicidade de Deus e da humanidade e a igualdade entre todos os membros da família humana” – para quem tiver curiosidade, encontrei um site brasileiro com bastante informação. Aqui tem uma parte que achei interessante, sobre como “as diversas religiões são em verdade uma só”.

Enfim, essa introdução foi só para dizer que um dos passeios que fizemos em Israel foi para o jardim Bahá’í, em Haifa. A gente chegou pela porta errada e no horário errado (hihi), então não pudemos entrar no templo nem acessar os andares inferiores, mas a vista lá do topo é linda (além de ser tipo o paraíso dos loucos da simetria).

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Um pouco antes da entrada do jardim Bahá’í, em Haifa. Imagina morar numa casa com essa vista! Detalhe: o que é essa mancha preta no céu? Um pássaro? Um avião? Uma espaçonave recheada de homenzinhos verdes? Nunca saberemos.
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A vista no topo do jardim Bahá’í, em Haifa, Israel.
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A ocasional trupe de ginastas russos fazendo malabarismos.
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Beijos!

(Fotos: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo)

Turistagem em Nazaré

Nazaré foi o primeiro passeio religioso que fiz em Israel. Lá também foi o primeiro (e único) lugar onde encontrei gente do Brasil por aqui: as duas moças do escritório da Basílica da Anunciação e uma freira francesa do Centre International Marie de Nazareth que morou durante muitos anos em Minas Gerais.

A cidade é conhecida como a “capital árabe de Israel” (69% da população é muçulmana), mas devido ao contexto histórico/religioso, o lugar atrai principalmente visitantes cristãos. Passamos uma manhã + tarde lá, e deu pra fazer tudo que estava na nossa listinha. Destaco duas atrações:

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Basílica da Anunciação, em Nazaré. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo

Primeiro, a Basílica da Anunciação, construída no local onde, acredita-se, Maria viveu parte da sua infância e onde ela foi visitada pelo anjo Gabriel a respeito da concepção de Jesus Cristo. O interior da igreja é impressionante, mas eu gostei mesmo da parte de fora, onde fica a maioria dos mosaicos (são cerca de 100). Todos eles têm Maria como tema central, mas cada um é de um país diferente, com sua própria interpretação e identidade cultural.

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Alguns dos mosaicos da Basílica da Anunciação, em Nazaré. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Mais mosaicos. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Em detalhes, os mosaicos de Portugal, Espanha e China. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
Maria, Jesus e Sarah. Foto: Janaína Harada Duarte
Maria, Jesus e Sarah. Foto: Janaína Harada Duarte

Segundo, o Centre International Marie de Nazareth. Eu indico o tour dessa instituição somente para quem possui bastante interesse nas histórias bíblicas; mas ir ao terraço é legal pra todo mundo, pela vista linda que se tem da parte antiga de Nazaré.

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No terraço do Centre International Marie de Nazareth <3 Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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A capela do Centre International Marie de Nazareth. Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo
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Mais Nazaré! Foto: Sarah Lee/Gaveta de Esquilo